
Por: Rui Leitão
Todo mundo tem consciência de que o combate ao crime organizado se faz necessário em regime de urgência. Ao Estado cabe o dever de agir com determinação, de forma que seja, se não eliminada, pelo menos minimizada a violência que tem afetado o povo brasileiro, especialmente as populações das periferias e das favelas.
A recente decisão do governo dos EUA em classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, em vez de ajudar na solução desse problema, acende um alerta sobre a capacidade de intervenção estrangeira em assuntos que dizem respeito apenas a nós. O Brasil possui instrumentos jurídicos, de inteligência e financeiros perfeitamente capazes de enfrentar essa questão.

Diante disso, em um ano eleitoral, ficamos, mais do que nunca, na obrigação de defender a soberania nacional. Este é um debate que deve prevalecer na campanha para a escolha do futuro presidente da República. A medida norte-americana se desenha como uma estratégia de intimidação política, com clara intenção de exercer influência no processo eleitoral e buscar ganhos ideológicos. Quando se verifica o propósito de desrespeitar ou tutelar o sistema nacional, o país se coloca em uma posição de vulnerabilidade que ameaça os próprios canais democráticos.
A comemoração do bolsonarismo após o anúncio do governo estadunidense se apresenta como algo inaceitável, considerando que lideranças da extrema-direita proclamaram publicamente ter articulado essa medida. Fica evidente, portanto, que o ato se mostra como um movimento puramente eleitoreiro.

O que causa perplexidade é ver quem se apresenta como candidato a comandar os destinos do país trabalhar contra a nossa própria soberania, provocando uma crise política para obter vantagens estratégicas. Onde está o amor patriótico que esse espectro ideológico tanto se orgulha de possuir?
Por outro lado, a resposta do governo e das lideranças políticas progressistas foi incisiva. Questionou-se a forma como a extrema-direita continua avançando contra a nossa autonomia, fazendo uso do problema do crime organizado como pretexto para manter o discurso entreguista que caracterizou o grupo político que nos governou recentemente.

Essa designação de facções criminosas como terroristas, na verdade, busca justificar ações unilaterais norte-americanas, envolvendo monitoramento financeiro, sanções econômicas e operações conduzidas por agências de inteligência estrangeiras em nosso território. Trata-se de um ataque direto ao princípio da autodeterminação dos povos, ancorado em vínculos ideológicos e interesses eleitorais transnacionais. Seus efeitos podem ir muito além do universo criminal, criando sérios riscos à segurança nacional e à economia brasileira.
Portanto, a eleição presidencial nos impõe a responsabilidade patriótica de decidir a quem entregaremos o destino do país. Afinal, vamos optar por um projeto que continue em defesa da democracia e da soberania, indicando com firmeza que o Brasil não está à venda, ou apostaremos na alternativa que insiste em fragilizar as instituições internas para alimentar o discurso entreguista e a resistência à democracia?

“Existem momentos em que a História observa em silêncio. E espera que um povo esteja à altura de suas próprias escolhas.”




