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A volta do malandro Chico Buarque

O malandro Chico Buarque foi a Lapa para homenagear “a nata da malandragem” e viu as coisas mudadas, “agora já não é normal o que dar de malandro regular profissional” e para não perder a viagem, ele expressou nos versos de suas canções outros tipos de malandragem, aquele que até trabalha, o malandro profissional com gravata e aparato federal com seus nomes exibidos nas colunas sociais. O que não é normal.

E na tentativa de resgatar a malandragem que já não existia mais, eis o malandro Chico Buarque outra vez deslizando nas pontas dos pés como quem pisa nos nossos corações, pisando com leveza nas letras de suas canções, enchendo nossos ouvidos com suas melodias e lavando nossa alma com a sonoridade poética dos seus versos entre parangolés e patrões; expressando os sentimentos mais íntimos e mais sigilosos das prostitutas, dos travestis, dos cafetões e até dos coronéis, porque, na realidade Chico Buarque como todo malandro ele é o barão da ralé e andando assim de víeis, driblando as mudanças sociopolíticas e culturais do Brasil, com todas as dificuldades e perseguições ele sobreviveu em meio “as aves de rapina,” rolando os dados, marcando lances e saindo vencedor no final da partida.

Muitas foram às marés que Chico Buarque enfrentou, balançando e rompendo ondas, depois que a poeira assentava o Malandro Chico voltava aos palcos e transformava a praça num grande salão, arrastando a multidão a cantar e dançar exaltando a vida, enfeitando as letras de suas canções conseguiu transmitir aquilo que nós pensávamos e que queríamos ouvir e dizer. Foi ele a voz dos emudecidos, o alento dos perseguidos e a força dos guerreiros.

O malandro transita, negocia e resolve as paradas com golpes da sua navalha, Chico Buarque o grande malandro da música negocia e resolve os percalços da vida com sua caneta e seu violão, além, é claro, da sua genialidade. A caneta e o violão são verdadeiras armas na mão de Chico Buarque, e como disse João Bosco em uma das suas canções: “Quando ele fere, fere firme e dói que nem punhal,” inventando seu próprio pecado, sem medo das mudanças, sem se afobar que nada é pra já, provando que quem espera nunca alcança, porque, apesar de você – Tudo vai passar.

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