O que devemos fazer?

Por:Mirtzi Lima Ribeiro

É possível refletir e extrair algumas lições de uma frase que circula na web, que diz: “Eles me insultaram em 70 linhas e apenas os erros gramaticais me incomodaram.”

Por essas palavras, podemos entender que diante de críticas, insinuações maldosas ou levianas, não devemos nos importar com a intenção do agente dessa ação, muito menos nos desestabilizar diante da situação.

Houve quem dissesse que o enlevo, a ideia elaborada ou algum devaneio que uma pessoa transformou em versos, em letra de música, em texto ou livro, não eram bons.

Isso já aconteceu comigo também. Entretanto, também houve quem de meus textos ou versos se tornasse fã e visse neles admiração e encanto, inclusive muitos que lidam com o segmento da cultura e das letras, a exemplo de críticos literários tanto na minha terrinha quanto alhures.

A que pessoas deveríamos dar crédito, então? Terei maior confiança naqueles que analisam e vivenciam esses meandros com proficuidade e seriedade profissional, assim como também ao meu próprio juízo de valor quando revestido de isenção.

No decorrer da vida, houve também quem não atribuísse valor e validação às minhas lutas e esforços profissionais e pessoais. Tive algumas portas fechadas, como quase todo mundo teve algum dia, porém vi inúmeras oportunidades se apresentarem gratuitamente à minha frente.

 

Já fui menosprezada, abusada com palavras e atitudes. Já sofri deselegâncias e até injúrias, maledicências e até acusações infundadas. Já me negligenciaram, preteriram, relevaram, assim como em algum momento traíram a confiança que eu havia depositado nessas pessoas. Já perdi e já ganhei. E atire a primeira pedra quem nunca sofreu com algo assim!

E apesar de tudo isso eu não tive a capacidade de odiar ninguém, passando a desenvolver maior e mais acurado discernimento, de modo a identificar com mais clareza os sinais que indicam dubiedade de caráter além de escassa retidão em quem tentou aproximação com intenções escusas.

Sempre me indaguei sobre quais seriam os possíveis motivos que levariam alguém a trair a confiança depositada, a enganar os outros sem remorsos, a falar mal de alguém de modo injusto ou inoportuno, a menosprezar ou a desqualificar gratuitamente.

Entendi que não nos cabe procurar saber nem perscrutar as intenções ou motivos de terceiros. Mas uma coisa é certa, muitas circunstâncias deselegantes se originam de quem está nas proximidades de nosso convívio e por pessoas conhecidas, movidas por ciúmes injustificáveis, inveja, egos feridos e rancores esquisitos que podem surgir dentro delas próprias sem motivo aparente.

O ponto é que cada pessoa está impregnada de suas próprias histórias, até mesmo aquelas não resolvidas e as mau administradas. Isso carrega um peso enorme quando a pessoa reage inconscientemente e com ressentimentos que acumulou na vida, sem ressignifica-los, sem processá-los e sem tratá-los.

Há alguns provérbios orientais mostrando que ao nos recusarmos a receber algo inapropriado, ele volta ao remetente. E é isso que devemos fazer: nos poupar de modo sereno, entendendo que a atitude do outro revela muito sobre ele do que sobre nós.

Ao invés de permitir que aquilo nos atinja, é preponderante dizer a si mesmo: isso não é comigo, a pessoa está se referindo às suas próprias mágoas, ressentimentos, neuroses, egoísmos, mesquinharias ou desarrazoamento.

Há uma historinha sobre reprocessar aquilo que nos endereçam de modo pejorativo. Conta-se que duas vizinhas viviam em pé de guerra. Certo dia Maria quis pregar uma peça maldosa na vizinha Francisca.

Enviou-lhe uma embalagem de presente vistosa, mas contendo uma grande poção de esterco com um bilhete: “Esse é um mimo para selar nossa paz”. Francisca recebeu o pacote, para só depois perceber que se tratava de esterco.

Ela não se fez de melindrada, usou-o como adubo em suas plantas. Semanas depois enviou flores silvestres de seu jardim para essa vizinha, com um bilhete: “Estas flores eu lhe ofereço em retribuição ao seu presente. Elas são o resultado do adubo que você me deu.”

Então, qual deve ser nossa atitude diante de gente que nos oferece esterco?O que devemos fazer?

Essa é uma bela analogia a ser posta em prática. Afinal, a inteligência emocional sempre será o melhor direcionamento.

🎧 “Há dores que o tempo não apaga.
Mas há sabedorias que somente ele é capaz de ensinar.”

— ao som de Resposta ao Tempo

 

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