
or:José Nunes
Há professores que se tornam basilares na vida das pessoas, fundamentais na construção da cidadania, assim como foi Aristóteles que educou um magote de alunos. O professor é um utopista, assim como são os profetas que plantam sonhos ou o agricultor que espera o resultado das sementes. São artistas que trazem uma auréola que os identifica portadores de luzes.
Tivemos professores e os temos que aderem ao ensino como sacerdócio, porque impulsionados por uma força estranha do bem servir.
A começar pelos primeiros anos de vida, é junto aos professores que encontramos caminhos que conduzam a formação cidadã. Pelo menos deveria ser assim, porque existem tantas crianças sem acesso às escolas.

Percebia a extensão da alegria nos olhos de minhas tias professoras quando encontravam ex-alunos, com sorriso de felicidade por que galgaram posições sociais a partir da base recebida na escola quando criança.
Preparei este preâmbulo antes de falar da professora Marinalva Freire da Silva, que ganhou um bonito perfil biobibliográfico organizado pelo poeta Luiz Fernandes da Silva e pelo professor Rafael Francisco Braz, que sabiamente denominaram de “Uma trajetória admirável”, que retorno alguns anos depois. Sempre Marinalva como monga beneditina contemplativa, desde os tempos quando apresentado por dona Glauce Burity. O livro ajudou a confirmar minha intuição.

Como costumo ler o livro para depois retornar ao prefácio – é uma forma de releitura da obra -, deparei-me com palavras esclarecedoras do professor Manoel Matusalém Sousa lembrando a forma de vida que Marinalva abraçou, porque é uma pessoa que escuta a voz de Deus, a voz da razão para construir com diligência seu projeto de vida, que se estende para outros.
Os autores do perfil, um primo e um ex-aluno dela, afirmam logo no capítulo segundo que “ela sempre escuta uma voz que lhe fala no fundo do coração ou de sua razão”. Foi aí que conclui minha identificação de que se trata de uma monja professora. Seu jeito compenetrado, nos encontros socioculturais mais escutando que verbalizando, apontava para esta maneira de ser.

Marinalva me fez lembra outra professora, igualmente artesã do silêncio, Maria Valéria Rezende que assimilou os ensinamentos do profeta Dom José Maria Pires, que foi ao encontro dos desamparados que vivem nos rincões da Paraíba, como profetiza invisível, levando saberes e conectando as crianças para se tornarem cidadãos conscientes de seus deveres e seus direitos.
Marinalva cedo se tornou aquilo que sempre gostou de ser: professora. Mestra que “percebe, vê e ouve tudo, mas segue calada como se nada soubesse”. Num exercício de paciência, as soluções chegam à forma que somente os místicos entendem.
Quando se escrever a história dos grandes mestres do ensino na Paraíba, Marinalva Freire será capítulo à parte. O livro de Luiz Fernandes e Rafael Braz ajudará na construção deste perfil porque escrito com simplicidade e contém palavras de ex-alunos que mostram a presença marcante nas salas de aulas. Por isso se tornou uma pessoa admirável.

“Há mestres que fazem do cotidiano um gesto extraordinário. O tempo passa, mas a luz que acenderam continua encontrando novos caminhos.”
Curadoria – Gorette




