
Por: Mirtzi Lima Ribeiro
Eu estava sentindo falta de ouvir a música do mundo místico, New Age e Ambient, Word Music, Música Celta, Pop Orquestral, Canto Gregoriano, sentindo os acordes das flautas, harpas, cravo, arranjos relaxantes, a acústica propositalmente ordenada para abrir nossa intuição, assim como também, me deleitar com o coro de vozes líricas em plena harmonia com os instrumentos. Isso tudo compõe o sagrado, o excelso, que nos faz levitar e se erguer em níveis profundos de contemplação e de percepção.
Hoje, me pus a ouvi-las e senti-las, acionando os sentidos internos, formando um campo de energia mágico, sensação que toca a poucos seres humanos na atualidade. Entretanto, essa música interage com aqueles que são necessários ao processo de transmutação de energias em um mundo tão denso, tão petrificado com a ignorância e o endeusamento ilusório de si mesmo.
Cada acorde, tom e melodia harmoniosa (vibração sutil e refinada), alçam as pessoas sensíveis a oitavas de luz acima do modelo comum, acima da mesmice, acima da tolice humana, encaminhando-lhes a um estado de consciência alterado e acima do padrão geral, sem nenhum uso de medicamento, chá, erva ou psicotrópico.

A melodia e a vibração das esferas de luz, possuem esse poder transcendental de nos curar por dentro, de nos elevar a patamares de equilíbrio e de imersão saudável, benfazeja, bendita e poderosamente envolvente.
Somos muito mais do que pensamentos, desejos, ansiedades, sensações, sentires, quereres, mais que as dúvidas que nos povoam, mais do que o medo que nos engessa, mais do que o burburinho danoso das maledicências humanas que nos afligem, mais do que as artimanhas e artifícios que costumeiramente presenciamos no dia a dia, mais do que qualquer evento, sentimento ou idealização. É maior que as carências, que a escassez, que a maldade, que o abandono e que as nossas fraquezas.
Nós, seres humanos, fazemos parte do universo e literalmente somos constituídos dos mesmos componentes que estão nele. Embora todos os elementos químicos forjados no interior das estrelas e nas explosões das supernovas – tidos como poeira das estrelas –, estejam no nosso organismo, a exemplo do hidrogênio, carbono, oxigênio, ferro, cálcio. Cada planeta, estrela e elemento cósmico tem emite seu som, sua vibração específica (a NASA já evidenciou esse fato). Entretanto, nós somos muito mais do que isso, muito mais do que esses elementos podem exprimir.

Temos uma centelha de vida e inteligência que está em nosso íntimo, que nos move, que nos capacita a alçar voos muito maiores que o campo material em si. Somos e temos nosso corpo imaterial, etéreo e imortal, algo para além da compreensão restritiva do intelecto ou do que conhecemos como ciência, que ainda engatinha e vive tateando as superfícies da vida. Assim como também, somos uma consciência coletiva, repleta de memórias, arquivos que podem ser acessados a qualquer hora e lugar. Um rico conhecimento, que poucos conseguem alcançar nesse éter, nessa nuvem, nesse computador invisível do campo das consciências.
A ciência humana, embora necessária e pungente, avança a passo lento, não tendo avançado como já deveria, exatamente porque muitos ainda esbarram na negação do todo, do hólon (algo que é simultaneamente uma parte de um todo maior e um todo em si mesmo), bem como se negam a aceitar fenômenos que só há pouco tempo começaram a ser estudados através das ciências de vanguarda, no viés do meta-pensamento e de pressupostos sistêmicos.
Enquanto ainda tocarmos de modo tênue apenas a ponta do Iceberg, não avançaremos como civilização, não teremos acesso aos meandros de grandezas acima dessa nossa esfera de terceira dimensão, não estaremos capacitados a ingressar em mundos com mais de um sol, cuja radiância e magnificência estão além da compreensão da maioria da humanidade atual. Seríamos, inclusive, desintegrados antes mesmo de vislumbrar essas realidades, tal a potência dessas dimensões.

A pequenez da compreensão de muitos os impede de avançar. Arrotam incredulidades e desdenham do desconhecido, ignorando o que precisa ser descoberto, desvendado, compreendido e percebido, com o objetivo de uma interação e integração promissora.
Mas, só avançaremos como população a níveis mais rarefeitos, quando conseguirmos seguir o caminho da música das esferas, vislumbrarmos o que os grandes e exímios musicistas de todos os tempos alcançaram. Eles ascenderam através da música, dos tons e semitons que elevam as vibrações mentais, emocionais, atemporais e fenomenais. A música harmoniosa abre acesso a múltiplas realidades.
Relembremos o filme Cocoon (1985), que nos remete à história de alienígenas pacíficos do planeta Antarea que retornam à Terra para resgatar casulos submarinos que gerariam seres de seu mundo. Nessa história, a linguagem musical é o mote da comunicação. Isso porque a música é matemática, é geometria sagrada e é um ponto de evolução da ciência e do amor.

Havemos de nos lembrar, também, do filme Contato (1985), concebido com base no livro homônimo de Carl Sagan. Ele foi lançado em 1997, embora seu embrião tenha iniciado em 1985 e ganhado texto adaptado para o cinema em 1989. No elenco estão Jodie Foster, Matthew McConaughey, James Eoods, Tom Skerritt, entre outros ícones.
Em Contato, um sinal vibracional da Estrela Vega é captado, uma mensagem é decifrada e o ponto principal é que o pensamento humano em geral acessa apenas registros lineares que não são capazes de compreender a linguagem que chegou em disposição geométrica assim como não tem o potencial de interagir com outra forma de sentir o tempo.
Outro filme mais recente, Interestelar (2014), trabalha com conceitos de astrofísica, buracos negros, dilatação temporal, vibração, assim como expõe as limitações humanas. Nessa película, a ciência, o campo emocional e o intelectivo se mesclam, apontando para saídas no viés da empatia, do amor e da confiança nos processos atemporais e em uma ciência viva e dinâmica. A luta pela sobrevivência dispara gatilhos que apenas o amor poderá desvendar.

Digno de nota é que os cientistas mais renomados do mundo, até o momento, compreendem que os conceitos de espiritualidade não podem nem devem ser ignorados, abandonados ou suprimidos. Nisso, Albert Einstein rejeitava a ideia de um Deus punitivo ou recompensador, mas, definia Deus como pura harmonia, ordem e leis matemáticas interpostas a priori.
Outro exemplo é o físico e astrônomo brasileiro, o carioca Marcelo Gleiser, que ganhou destaque internacional, sendo o primeiro latino-americano a vencer o Prêmio Templeton (conhecido como o “Nobel da espiritualidade”) em 2019.
A frase “Para os crentes, Deus está no princípio das coisas. Para os cientistas, no final de toda reflexão.”, é do físico alemão Max Planck, ganhador do Prêmio Nobel e um dos fundadores da física quântica. Essa assertiva aponta para a interface entre a busca espiritual e a investigação científica. Enfim, todas as coisas estão conectadas embora tenhamos a ilusão da separação e do individualismo.

E você deseja avançar? É hora de abandonar os egos inflados de um conhecimento que ainda engatinha para abraçar conceitos mais avançados, investigar sem negar, compreender sem se vangloriar de premissas humanas ainda tão rasas e limitadas. As ciências tenderão a se abraçar. A música, a espiritualidade e a ciência, se constituem em uma trilogia, que em unidade nos dá pistas para o próximo passo.
Ainda há tempo para alcançar um novo nível de consciência e de percepção. Para tanto, deve-se manter a mente curiosa e investigativa, sem negar o desconhecido. É hora de abrirmos a mente para um nível de compreensão mais arrojado.

“Há melodias que não explicam o universo. Apenas nos fazem lembrar que sempre fizemos parte dele.”




