A você que ama o Brasil

Por: Neves Couras

Este texto é um pouco diferente dos que tenho escrito para este espaço. Peço que parem um pouquinho para que, pelo menos, estas palavras os façam refletir.

Em primeiro lugar, durante a maior parte da minha vida como funcionária pública, ocupei cargos em comissão. Ou seja, eram cargos que, de certa forma, costumam ser ocupados por indicação política. Mas fui indicada para ocupá-los por minha competência.

Apenas uma vez trabalhei para um candidato, até o dia em que ele me pediu para fazer parte de sua equipe de divulgação política. Nesse mesmo dia, pedi afastamento do meu cargo. Nunca misturei as coisas. Política pública é uma coisa; política partidária é outra.

Faço essa introdução porque, desta vez, falarei, ainda que indiretamente, de política partidária. E falo a partir do lugar de quem sou: uma mulher nordestina, que já se expôs aqui sem vergonha de sua origem, de sua história e das dificuldades que enfrentou. Porque ser pobre nunca foi, nem jamais será, motivo de vergonha para ninguém.

Quando Fernando Collor se candidatou, eu dizia que o Brasil iria se arrepender se o elegesse. Mas a eleitora dele mais ferrenha, e que eu não consegui convencer do contrário, foi minha mãe. O argumento dela era “incontestável”:
— Minha filha, ele é lindo!
Pronto. Não cabia mais nenhum argumento.

Resolvi escrever este texto falando de política por algumas razões, e espero que prestem atenção a cada uma delas:
• Para administrar o Brasil, o candidato precisa ser coerente, realmente conhecer política internacional e, acima de qualquer coisa, defender nossa pátria;
• No momento em que o mundo vive, precisamos ter um dirigente não só de coragem como de experiência;
• Não precisamos de candidato que adotou alguém de outro país e que, como se estivesse brincando de barraquinhas juninas, corre de um lado para outro para se vender e alcançar sua vitória. Depois, esconde-se, como se buscasse a saia da mãe para se proteger;
• Nós, brasileiros, já passamos por muita coisa. O Brasil hoje é um país respeitado, e seu presidente tem a sabedoria e a humildade de buscar, com dignidade e sem se vender, o que for melhor para nossa soberania;
• Alguns dizem que ele roubou. Onde estão as provas?

Assisti a uma entrevista de Lula que me fez chorar de emoção. Sabe por quê? Passei por algumas coisas pelas quais ele também passou. E, ali, naquele momento, senti que quem passou pelo que ele passou e chegou a ser presidente de um país com a dimensão do Brasil tem que ser muito capaz para olhar para todos nós não como se fôssemos sua plateia, mas como seus iguais, que merecem respeito e dignidade.

Quando ele disse, na entrevista, que havia dias em que, na marmita que levava para o trabalho, só havia feijão e arroz, e que a marmita da segunda-feira era a melhor, chorei. Chorei por me lembrar de que, quando morava em Brasília, no domingo nosso almoço era feijão, arroz, maionese, farofa preparada por meu pai e uma bela galinha de capoeira, comprada na feira do Guará, pois morávamos bem perto.

Na segunda-feira, minha marmita era deliciosa. Mas, em outros dias, mesmo que a mistura fosse boa, a marmita azedava, e eu ficava sem almoço. Ainda não havia marmitas térmicas.

Quando tinha dinheiro, eu comia um quibe e tomava um guaraná pequeno. Quando não tinha, era esperar chegar a noite para jantar. Quando vi aquele homem falar das coisas que eu vivi, das dificuldades que tivemos, e que hoje chega a qualquer país do mundo com altivez e respeito, entendi: esse é o meu candidato.

Gostaria de dirigir-me às mães deste país, principalmente às nordestinas. Em nosso país, somos 104,5 milhões de mulheres, 51% da população. Somos nós as grandes economistas de nossos lares. Mesmo aquelas que não têm a necessidade de controlar os gastos de casa sabem, como qualquer contador, quando e quanto podem gastar a cada mês, para não sobrar mês e faltar dinheiro.

Podemos não entender de economia internacional, mas sabemos quando e por que o gás, a gasolina e os alimentos aumentam.

Outro orgulho que tenho desse presidente foi quando vi um de nossos trabalhadores aqui do sítio pedindo para sair mais cedo, pois ia para a universidade. Hoje, esse mesmo rapaz já tem doutorado em uma universidade pública da Paraíba. São incontáveis os que ainda moram por aqui, na região quilombola, com curso superior e exercendo sua profissão.

Por conta do preconceito e de tanto falarem que os cotistas não sabiam de nada, eu quase acreditei. Um dia, meu filho, que fez Direito, foi monitor de uma turma em que havia muitos cotistas. Eu, levada pelo preconceito, perguntei:

— Meu filho, como é o desempenho desses alunos?
Ele me respondeu:
— São os melhores alunos da turma.

Minha gente, isso é luz em nossas vidas. Não voltemos ao tempo em que não podíamos exercer o direito de sermos o que somos, nem falar o que quiséssemos falar. Sejamos livres. Precisamos lutar por isso.

“Há sonhos que começam em uma sala de aula e terminam transformando uma geração inteira.”

— Gorette Wanderley

 

 

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