A fé que consola

Por: Neves Couras

Aprendi com os Amigos Espirituais que, quando falamos, o primeiro a ouvir somos nós. Portanto, precisamos ter absoluto conhecimento do que se fala. Nestes últimos tempos, em conversa com meus amigos protetores, tenho perguntado se Jesus está testando a minha fé. Sim, converso com eles, pois sei e sinto que estão ali comigo me ouvindo. Como bons professores, talvez eles me respondam: “pesquise que você achará a resposta”. Afinal, quem nunca ouviu essa resposta de algum professor?

Não sou privilegiada quando digo que converso com eles. Qualquer um de nós pode conversar com seus guias, ou anjos de guarda, como queira chamar.

Voltando à questão da fé. Todos que seguem alguma doutrina ou religião conhecem os ensinamentos de Jesus sobre a fé. Quem não conhece “a fé remove montanhas”? Agora vem o que descobri: não é fácil ter fé.

Em primeiro lugar, somos humanos e temos um pequeno defeito de, muitas vezes, deixar para o outro a obrigação de resolver nossos problemas, ou dar aquele empurrãozinho. Descobri que, para esta fé ser tão forte e realmente acreditarmos nela, faz-se necessário um outro conhecimento: o nos conhecer. A fé verdadeira tem uma força tão grande, mas, como o ímã precisa do ferro para que haja a conexão, a ligação.

Só podemos dizer que temos fé se nosso plantio foi feito com boa semente e foi bem cuidado, pois, assim, vem um outro item: a esperança.

A fé é a certeza que carrego que, como bom agricultor, utilizando todas as práticas de cultivo, contando com todos os outros meios de produção sob controle, terei uma boa colheita. Se fiz tudo certinho diante dos ensinamentos do Pai da Criação, se procuro fazer o bem, se todos meus trabalhadores são bem cuidados como irmãos que somos, acredito que adquirimos alguma coisa que estou chamando de credencial para utilizar da fé e da esperança para nos ajudar.

Passamos por momentos na vida que não sei se somos testados, mas não podemos desistir. Essa é uma palavra que não cabe no dicionário de alguém que convive com Deus. Aprendi que, sem a fé, nada somos, nada conseguimos, mas, se sua fé, por algum sinal de desespero, lhe faltar, ainda temos a esperança, que anda juntinha com a fé.

Olhe para os céus e saiba que tem alguém olhando para você. Sei que, se com a fé e a esperança juntas, nosso eu ainda duvida que somos capazes de superar todos os problemas, olhe para dentro de você, faça uma reflexão baseada nestas palavras de Jesus, ditas há muito tempo:

Em matéria religiosa, cada crente possui razões respeitáveis e detém preciosas possibilidades que devem ser aproveitadas no engrandecimento da vida e do tempo, glorificando o Pai. Quando a criatura, porém, guarda a bênção do Céu e nada realiza de bom em favor dos semelhantes e em benefício de si mesma, assemelha-se ao avarento que se precipita no inferno da sede e da fome, no intuito de esconder, indebitamente, a riqueza que Deus lhe emprestou. Por isso mesmo, a fé que não ajuda, não instrui e nem consola não passa de escura vaidade do coração. (Jesus, Evangelho no Lar).

Que possamos, então, compreender que a fé não é apenas uma palavra bonita repetida nos momentos de dor, mas uma construção silenciosa dentro de nós. Ela nasce quando buscamos fazer o bem, quando aceitamos aprender com as dificuldades e quando, mesmo sem entender todos os caminhos, continuamos caminhando com Deus no coração. Se a fé por vezes parecer pequena, que a esperança nos sustente; e, se a esperança fraquejar, que o amor do Pai nos lembre que nunca estamos sozinhos. Afinal, a fé que consola é aquela que nos aproxima de Deus, fortalece nossa alma e nos ensina a servir com humildade, confiança e amor.

 

🎧 “Há canções que chegam devagar… como a fé que consola sem fazer barulho.”

 

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