
Por:Neves Couras
É tempo de nova eleição. Esse período é, para todos nós, um período de alegria, ou deveria ser, afinal, estamos exercendo nosso direito de votar. Para muitos, esse direito é coisa banal; para outros, esse direito demorou a chegar. Eu, por exemplo, completei 18 anos morando em Brasília, exatamente durante a Ditadura. Não votávamos. Meu primeiro Título de Eleitor só consegui tirar em 1976, aos 20 anos, aqui em João Pessoa.
A democracia, pela qual muitos morreram e lutaram para que existisse, deveria ser mais valorizada. Afinal, é a oportunidade que temos de escolher os homens e mulheres que irão nos representar. O presidente da República, nosso representante maior, aquele que nos representará no âmbito nacional e internacional, precisa ser escolhido com bastante critério. A Presidência da República não é a presidência do grêmio de nossa escola ou de um time do interior.

Eu quero ser bem representada; quero alguém que, em primeiro lugar, me represente bem em eventos fora do Brasil e que, aqui, saiba tomar decisões que deixem o Brasil orgulhoso; que cuide de nosso povo e do Brasil, essa grande Pátria. Ele deve trabalhar para que sejamos destaque em todas as instâncias em que precisemos de alguém que, além de saber falar, seja humano e altivo, defendendo o Brasil e o nosso povo onde quer que ele se encontre.
Escolherei um candidato ao Senado que tenha trabalho para mostrar e saiba do seu papel junto ao Parlamento.
É bom lembrar que o Senado participa das questões de governo, apoiando e criando leis que possam beneficiar o povo, e não tirar de quem já tem pouco. Cara bonita e querer vencer no grito não bastam. Muito menos entrar para fazer conluio para, como dizia a música de Luiz Gonzaga, ficar no “um pra mim, um pra tu, outro pra mim”. Se o leitor acha isso bonito, ah, coitado!

Vamos para a instância que realmente representa o povo: os deputados federais, que, junto aos senadores, atuam no Congresso. Para melhor explicar: o Senado representa os estados e o Distrito Federal; os deputados federais representam o povo. É assim que funciona a democracia.
É uma assembleia em que estão aqueles que realmente deveriam defender o povo. Nas reuniões com as comunidades, prometem tudo. Quando chegam lá, porém, as emendas e as leis que precisam ser aprovadas muitas vezes não o são, porque passam a defender, em primeiro lugar, seus interesses pessoais, e não sua região e seus eleitores.

Nas duas instâncias do Congresso, depois de eleitos, ou seja, depois que colocamos esses homens e mulheres lá por meio de nosso voto, muitos tomam chá de sumiço. Esquecem tudo o que prometeram e passam pelo eleitor em cujas costas antes batiam como se tivessem visto um ET. Correm de nós como o diabo foge da cruz.
Não vamos vender nosso voto! Sei que, para muitos economicamente vulneráveis, é a oportunidade de conseguir um milheiro de tijolos, alguns sacos de cimento. E depois?
No último dia de convenção em João Pessoa, tive a oportunidade de ver alguns possíveis eleitores correndo desesperadamente para pegar seus ônibus. Muita gente havia sido convocada para encher um lugar espaçoso e, assim, permitir que os candidatos demonstrassem poder.

Perdoem-me a comparação, mas pareciam desesperados, suados, muitos já descalços, com os calçados nas mãos, visivelmente quebrados. Outros pareciam com vergonha de estar naquela multidão. Já tiravam as camisas que foram obrigados a vestir para fazer número naquele lugar.
Afinal, o que representamos para esses candidatos? Boiada? Eleitores úteis para que, depois de eleitos, esses candidatos se aliem a bancadas com títulos vergonhosos para um Congresso: Bancada da Bala, do Boi e tantas outras?

Ao povo fica a lembrança de que votou, mas ele se esquece de em quem votou. Exigir alguma coisa? Não pode mais: seu voto já foi pago.
Caro leitor, nosso voto é um dos direitos mais sagrados que temos nas mãos. Não o desperdice.
A democracia precisa ser respeitada e cuidada com muita responsabilidade.
Sejamos fortes e resistamos à troca de nosso voto por qualquer caixa de fósforos.

“Democracia não é apenas escolher quem governa; é jamais permitir que alguém escolha o preço da nossa consciência.”
Curadoria – Gorette Wanderley




