
Por:Rui Leitão
As inverdades, com objetivos políticos, são propagadas por seres humanos robotizados, que não têm o cuidado de analisar o conteúdo das mensagens que recebem e se apressam em replicá-las. Essa potencial ferramenta para manipular debates nas redes sociais antes era colocada em prática com o uso de perfis automatizados. Atualmente não há mais a necessidade de assim procederem. Os robôs foram substituídos por pessoas que se disponibilizam a exercer a tarefa anteriormente atribuída às redes de robôs organizadas especialmente para essa finalidade.
Usuários humanos reais assumiram a incumbência de promover movimentações políticas que não correspondem com a verdade dos fatos, em desfavor da realização de debates construtivos, transparentes e plurais, sobre temas de interesse coletivo da sociedade. A automatização da comunicação em massa passou a ser feita por indivíduos que decidiram aderir a essa estratégia política, sem perceber que não estão sendo programados para essa ação.

Inocentes úteis digitais na tática do marketing político planejado se prestam ao serviço de divulgar notícias inexatas, com o propósito de alterar percepções da realidade. A intenção é causar um efeito manada, formando bolhas de opinião.
Essas pessoas robotizadas cumprem automaticamente a orientação de outras no uso da “inteligência artificial”, provocando polêmicas e contribuindo deliberadamente para que se instale um clima de beligerância social. Não se constrangem em serem identificados. São soldados cegos dispostos a tudo para alimentar teorias da conspiração, por mais absurdas que sejam.

É muito triste ver alguém abrir mão da faculdade de pensar por si próprio para defender ideias das quais nada entende, mas foi convencido a admiti-las como lógicas, racionais. Obedece resignadamente à vontade dos outros.
Ouve o galo cantar, mas não sabe onde. Toma emprestados pensamentos alheios e os reproduz imediatamente na internet. Vive num sonambulismo autômato. A alienação da própria consciência em favor de aliciadores políticos.
Os seres humanos robotizados, por orientação de seus líderes, tentam transformar teorias em dogmas irrefutáveis.
Agarram-se à nova verdade que lhes foi imposta, adotando uma mentalidade servil, submetidos às pressões de terceiros. Exercem militância política sem prévia reflexão. Comportam-se por estímulo de outros. Quando um grita, o outro repete. Acostumaram-se a fazer parte do “rebanho”.

Ao finalizar essa reflexão, transcrevo trecho de um discurso de Chaplin que vem bem a calhar sobre essa submissão mental a que muitos se sujeitam: “Soldados! Não se submetam aos brutos, homens que desprezam vocês, escravizam vocês, que controlam as suas vidas , que dizem a vocês o que fazer, o que pensar e o que sentir! Esses homens adestram vocês, impõem dietas, tratam vocês como se fossem gado, usam vocês como bucha de canhão.
Não se submetam a esses homens antinaturais, homens-máquinas com mentes de máquinas e corações de máquinas! Vocês não são máquinas! Vocês não são gado! Vocês são homens! Vocês têm o amor da humanidade nos corações. Vocês não odeiam! Só os que não são amados odeiam”.

“Pensar por conta própria continua sendo um dos atos mais corajosos da liberdade.” ✨




