
Por:Bodão Ferreira
Quando o céu fica nublado
Mesmo aumentando o mormaço
Se lê na nuvem o traço
De esteio terminado
Vendo o tempo carregado
Para desaguar Imensidão
Luz e som, raio e trovão
Rasgam o firmamento em véu
O tempo fechado no céu
Abre caminhos no chão
Chuva chega no terreiro
Cantando alto na entrada
A terra quente e molhada
Espalha no mundo o cheiro
A roupa do cajueiro
Muda para a nova estação
E o final do verão
Muda as cores do pincel
O tempo fechado no céu
Abre caminhos no chão
O céu escuro ilumina
O mundo todo com um raio
A chuva “caio ou não caio”
Começa caindo fina
E o som se dissemina
Do assombroso trovão
Abrindo todo o portão
Para a vida em seu papel
O tempo fechado no céu
Abre caminhos no chão
Chuva é roça garantida
E assim, comida na mesa
Água chegando é certeza
De segurança na vida
É ver a serra florida
No meio da cerração
A cisterna em louvação
Cheia, ouvindo o xexéu
O tempo fechado no céu
Abre caminhos no chão
Mata nua se vestindo
Com os tons mais lindos das cores
Galhos, folhas, frutos, flores
Pelo brejo colorindo
Bem te vi canta sorrindo
Enquanto fura um mamão
As abelhas sem ferrão
Fazem da flor o melhor mel
O tempo fechado no céu
Abre caminhos no chão

“Trilha sugerida: bendito tradicional do sertão, cantado para chamar e agradecer a chuva.”




