
Por:José Nunes
O cronista Carlos Romero, que fisicamente nos deixou em janeiro de 2019, foi merecedor de uma justa homenagem patrocinada pela Academia Paraibana de Letras no dia 20 de março o mesmo ano. Homem justo e de imutável caráter, durante mais de sete décadas viveu para a literatura, sobretudo a arte de escrever crônicas, deixando um legado recomendado como modelo.
A vida e a obra de Carlos Romero são passadas a limpo em livro que este escriba fez brotar, num esforço compartilhado com inúmeros escritores que também manifestaram igual admiração por este homem justo e honesto.
Ele nasceu em Alagoa Nova, em 1924, ali vivendo no frescor da brisa brejeira apenas durante quatro anos, mas o tempo suficiente para beber a aragem embriagadora que grudou na sua pele para nunca se afastar mesmo residindo na Capital da Paraíba. Lembrando-se do seu mundo, tornou-se um pastor de nuvens e um admirador de montanhas. Ele sabia que as montanhas guardam energias solares. Tornou-se um observador de nuvens porque compreendia que são reveladoras do mistério cósmico.

Revendo a contabilidade de nossa amizade, construída no abraço e na sinceridade ao longo de décadas quando eu, aprendiz de repórter e ele, consagrado jornalista, aproximei-me dele para aprender um modo diferente de viver. Lembro-me do que Nathanael Alves dizia: “Esteja sempre perto de quem tem algo de bom para lhe oferecer, e carregue consigo sempre um livro”.
A ideia de preparar um perfil biográfico sobre Carlos Romero surgiu depois do falecimento do seu corpo. Logo em seguida de sua passagem, procurei Germano Romero, filho de Carlos, com a proposta do livro, tendo este concordado e, aí, passei a trabalhar o texto que, em menos de um mês estava pronto. Como proposta, acrescentei muito do que foi escrito a respeito deste homem fazedor de amigos.
Não se trata de algo definitivo, mas o livro serve de ponto de partida para quem desejar estudar a obra deste cronista. Segui o mesmo modelo de obras semelhantes por mim produzidas, pois tem como finalidade mostrar aos jovens leitores quem são certos autores paraibanos. Essa é minha contribuição para a história da literatura paraibana.

O livro contém textos enriquecedores para o conhecimento do trabalho do cronista Carlos Romero, alguns foram pulicados na imprensa e nas redes sociais nos últimos dias por amigos e admiradores.
Sobre a escolha do título do livro, motivaram-me dois poetas: Fernando Pessoa e Cecília Meireles. Mesmo que não fosse um guardador de rebanhos, Carlos foi um pastor amoroso, uma pessoa que amava a natureza, curtia o silêncio como prazer central de sua vida. Além da música clássica, ele se deleitava em contemplar as montanhas e as nuvens, como quem buscava respostas para inquietantes perguntas sobre ao que transcende o nosso conhecimento.
Para uma experiência mais sensível, sugerimos a canção “Joia Rara”, de Tom Oliveira — onde som e palavra se encontram na mesma paisagem de nuvens e memória.




