
Por: Neves Couras
Estamos na semana que, segundo o Cristianismo, carrega diversos significados. Enquanto católica — e já faz muito tempo que deixei de ser — não compreendia algumas coisas pregadas pela Igreja.
Cresci em uma família muito religiosa. As lembranças que tenho da Semana Santa são na casa de meu avô paterno. Nossa vivência era mais intensa lá, no sítio. Lembro de uma vez em que peguei a vassoura para varrer a casa, e meu avô quase me alcançou para me dar uma bela surra, pois, segundo ele, na Quinta-feira de Trevas não se varria a casa.
Outra tradição: as tias com nome de Maria tinham um dia em que não tomavam banho. Coisas para as quais, não só pela idade, mas depois também pelos estudos, eu não encontrava razão — verdadeiras “crendices”.
Uma das paredes da casa era coberta de quadros de santos e, na Semana Santa, todos eram cobertos.
Bem, depois de muito estudo sobre as religiões, encontrei a razão para alguns ritos, mas nunca os aceitei.
A Páscoa, para o Cristianismo, celebra a Ressurreição de Jesus; mas, para nós, espíritas, Ele deixa a carne e parte em espírito, após ter vindo cumprir sua missão de tentar ensinar aos homens a necessidade do amor e do perdão.

Chamamos isso de desencarne, uma vez que, cientificamente falando, não se conseguiu provar que Ele partiu com seu corpo. Há muito a ser dito a respeito desse ato, mas acredito não ser essa a questão que queremos abordar.
Para o Judaísmo, a Páscoa representa a passagem, a libertação do povo hebreu de anos de escravidão.
Com meu pequeno conhecimento sobre tantas coisas ditas a respeito de Jesus, e com tantos estudos feitos por antropólogos, arqueólogos e outros homens de ciência, nada há de absolutamente certo sobre o Cristo e sua partida da Terra.
O que acredito fielmente é que Ele foi um grande ser e, como aprendemos no Espiritismo, o mais perfeito que já pisou a Terra. Do que não tenho dúvidas são seus ensinamentos de amor e dedicação ao ser humano, suas energias e seu magnetismo para curar e ensinar como deveríamos nos tornar homens de bem.

Nos tempos de hoje, e nesta semana especificamente, tenho “conversado” muito com Jesus. E Lhe pergunto:
— Senhor, sabemos que nenhuma folha cai de uma planta sem que tenha a Sua permissão. Por outro lado, sabemos que a Terra está passando por um período de transformação, e os que não estiverem com suas energias voltadas para o bem estão sendo “convidados” a deixar este planeta e retornar a lugares de muita dor e sofrimento.
Confesso que há dias em que não consigo assistir aos jornais, com notícias de uma matança deliberada para demonstrar poder ou causar dor. Quantas mulheres e crianças estão sendo mortas nos últimos meses, comprovando que, em matéria de ensinamentos de amor, caridade, respeito e dignidade, ainda estamos na “alfabetização”.
Sei que teria muito mais a dizer, mas peço aos nossos leitores que, independentemente de sua religião — ou mesmo da ausência dela —, lembrem-se de que fazer o bem e ser bom não dependem de crença, mas de índole e do reconhecimento de que, um dia, prestaremos contas de tudo o que fizemos.

Nesse contexto, rogo apenas que, ao celebrarmos o sofrimento do Cristo, possamos refletir sobre sermos seres melhores, mais amigos, mais solidários e que, pelo menos uma vez ao dia, dirijamos nossos pensamentos aos Céus, pedindo que a dor de tantas mães e famílias dilaceradas pela guerra, pela falta de emprego, de casa para morar e de alimento à mesa seja aliviada.
E que cada um de nós, com nossas mesas fartas de deliciosos pratos e bons vinhos, possamos lembrar daqueles que não têm nada para colocar à mesa no Domingo de Páscoa.

Rogo ainda a Deus para que os homens de poder possam sentir que seus “poderes” nada são diante dos ensinamentos de nosso irmão Jesus.
Que todos possam ser felizes e mais humanos. Chegou a hora de pensarmos no que Jesus veio nos ensinar.
Paz e Bem!
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