Um chamado à consciência e à responsabilidade coletiva diante da violência que ainda ameaça a vida e a dignidade das mulheres.

Por: Neves Couras
Confesso que esse tema causa em mim uma espécie de necessidade, seja por ser mulher, seja por ser mãe, irmã e amiga. Além do mais, sou completamente contra a morte causada por qualquer razão que não seja a natural, ou por doenças que venham levar o paciente a sua finitude. Não dá para aceitar que em pleno século vinte um as mulheres estejam sendo violentadas e mortas por serem mulheres. Simples assim.
Se vocês homens, não suportam ver uma mulher em um lugar que, na sua cabeça não pertença a ela, se você não consegue ver uma mulher sendo ícone e protagonista de alguma história e por essa razão vocês sentem a necessidade ou o prazer em mata-las, você não é humano.
Não vou usar o clássico argumento de perguntar se não tem família, questionar de quem nasceu? Não foi de uma mulher? Será que no momento da ira ou do planejamento desse nefasto ato, você não imagina que ali poderia ser uma filha, irmã ou mesmo sua mãe, vivenciando tão covarde ato? Por que uma mulher não merece ser tratada como um ser humano ainda que não seja, mãe, irmã, ou filha de alguém? O simples fato de existir lhe concede o direito à dignidade a vida plena.

Se esse fosse um Artigo Cientifico eu deveria mostrar com mais detalhes as razões que poderia levar um homem e sua saúde mental para praticar tal ato, poderia dizer que é algum mal funcionamento do cérebro, um distúrbio de personalidade, Narcisismo, Psicopatia… mas tudo se resume ao machismo que está entranhado nesse mundo que vivemos, onde os homens mais ilustrados, estudados, ricos e tudo mais se igualam aos seus pares de outras castas em uma crença fundamental: mulheres não são iguais. São inferiores, devem obedecer e ser propriedades. Brinquedos de uma criança mimada que não sabe dividir.
Nos primórdios da humanidade, e já escrevi sobre isso, as mulheres foram consideradas deusas apenas pela capacidade de gerar uma vida. Quando a Divindade escolheu uma mulher para gerar seu próprio filho, é que nós temos algo a mais para dividir e para contribuir com a humanidade. Não estou me colocando, ou nos colocando como seres acima de todos, apenas somos mulheres, iguais.
Já vivemos submissas a um patriarcado, fomos objeto de troca para se contrair matrimônios para que guerras fossem evitadas. Terras fossem conquistadas, e tantas outras coisas. No entanto, as estatísticas desse inicio de ano são brutais. E por que? Além dos homens que brincam de matar homens, crianças e idosos apenas pelo gosto de matar, mas não se pode falar em guerra, apenas conflitos.

Por todas essas razões que resolvi escrever a você, homem. Nessa luta e nesta matança precisamos de vocês. Não acredito que vocês, sejam todos violentos e insensíveis. Precisamos que vocês se juntem a nós com sua força sua generosidade e com o amor que todos nós seres humanos possuímos. Não nascemos para matar. Nascemos para construir um mundo que envolve tantas nuances, a ciência, o bem estar, a Natureza bela e que faz parte de nós.
Neste momento gostaria de ser uma escritora importante, não por ser importante, mas como autoridade que eu poderia vir a ter, esse texto lindo por todos os homens e que ele fosse repetido e discutido nas rodas de conversas.
Sei que não sou. Mas se você que tiver acesso a esse teto, passe apenas para outro homem. Assim, acredite, nossa missão estará se cumprido.
Vamos dar um sim à vida das Mulheres?

Para prolongar a reflexão deste texto, sugerimos ouvir “Respeita”, de Ana Cañas — uma canção que ecoa a urgência do respeito, da dignidade e da humanidade nas relações entre homens e mulheres.




