
Por: Neves Couras
Durante toda a nossa existência, muitos de nós vão deixando para depois muitas coisas que planejamos fazer. Deixamos que elas fiquem no campo das ideias, achando que teremos todo o tempo do mundo à nossa disposição.
Outros, talvez por serem jovens, acham que ainda têm muito tempo e até fazem contas: “Tenho 20 anos, minha avó morreu aos 80, então tenho pelo menos mais 60 anos. Por enquanto, quero me divertir, viajar e, depois, pensarei no futuro”. É bastante comum os jovens, e até os mais velhos, pensarem assim. E não estão de todo errados, mas, se derem sorte, o depois há de chegar.
Quando estudamos os textos religiosos, somos lembrados de que o passado ficou para trás e não sabemos se teremos o futuro. Eles ainda acrescentam que o maior presente que temos é o dia de hoje e que nem sequer sabemos se viveremos as próximas 24 horas.

Os textos podem parecer um pouco negativistas em dizer que não é certo que o amanhã chegará, mas não é isso.
Cada um tem uma ideia sobre essa partida. Eu tenho inúmeros exemplos. Um deles é o de meu pai. Ele almoçou, deitou-se depois do almoço para o seu cochilo e não acordou mais. Quantos planos ele ainda tinha e postergou? Inclusive, o casamento da neta, que aconteceria um mês depois.
Esses exemplos nos servem para pensarmos: e se soubéssemos quando iríamos partir?
Estava assistindo a um filme por estes dias quando surgiu um ator já idoso, que não era um dos personagens principais, interpretando um médico com uma vida financeira aparentemente bem equilibrada. Um médico que passou a vida estudando e preocupado com seus pacientes.

Ele foi fazer exames de rotina e, em um dos resultados, foi identificado um câncer em estado muito avançado. O colega médico foi claro com ele: estava com um câncer que lhe permitiria viver, no máximo, mais um mês. Aquele homem sóbrio, cheio de etiquetas, continuou trabalhando e atendendo sem pressa, como se nada estivesse acontecendo em sua vida.
A dieta passada pelo médico ainda estava sendo seguida “ao pé da letra”. Na história, outro amigo vai visitá-lo e lhe oferece uma bebida e um charuto dos quais ele gostava muito, mas ele se recusava a beber e a fumar. O amigo olha para o médico e diz: “Está esperando o quê?”.
Ele toma aquela bela dose da bebida, saboreando-a gota a gota. Acende o charuto, deita-se no sofá, muito feliz, e ali mesmo encerra sua missão na Terra. Claro que aqueles dois prazeres não aceleraram seus últimos dias de vida. E ele se foi. Morreu com um sorriso que transmitia paz e felicidade.

Quantos de nós estamos postergando uma viagem, a oportunidade de viver um grande amor e tantas outras coisas que estamos deixando para depois? Inclusive eu.
Pensemos nisso, pois Deus nos criou para sermos felizes, mas, muitas vezes, passamos por um armazém, colocamos grandes fardos sobre nossas costas, e eles nos impedem de sermos felizes. É preciso lembrar que a única garantia que temos é o dia de hoje.

“A vida floresce para quem decide habitá-la por inteiro.”
Curadoria Gorette Wanderley




