Cá com meus botões

Por: Mirtzi Lima Ribeiro

A expressão “Cá com os meus botões”, é interpretada como um raciocínio de si para si mesmo, ponderações de cunho pessoal que ficam apenas no campo do pensamento e do intelecto de um indivíduo.

Alguns sugerem que esse dito popular apareceu em uma época em que se usavam muitos botões nas roupas. Ao aumentar o tempo para se vestir, ele era um momento propício à reflexão, à uma conversa simbólica com esses botões.

Uma situação pontual fez com que eu me recolhesse, para evitar qualquer tipo de embaraço a amigos que estavam por perto ouvindo os mesmos disparates que eu. Eram palavras e comportamentos de uma pessoa inconveniente, que não demonstrava escrúpulos em desclassificar os outros e sem nenhum pudor em enveredar por assuntos inoportunos. Nesse momento eu fiquei silente e me pus a pensar cá com meus botões.

Em vários episódios que observei ao longo de um ano, eu pude perceber certas nuances no comportamento dessa criatura, com sinais claros de repúdio gratuito e de exclusão aos outros. Essa dita pessoa representa um nicho ideológico que reúne vários atributos negativos: negacionismo, machismo tóxico com misoginia em alto nível, falta de empatia, pensamentos e atitudes de supremacia, endeusamento de si mesma, vontade de estar acima da lei e das normas voltadas à coletividade. Enfim, a criatura é um espécime humano que deixou de ser humano há muito tempo.

E, cá com os meus botões, vendo-lhe os trejeitos e as falas para lá de esdrúxulas, inferi que tudo naquela pessoa revelava recados implícitos provenientes de um status quo de quem havia perdido a noção, não apenas de civilidade, mas de cognição geral, pelos julgamentos parciais e carregados de preconceitos e ódios vorazes.

Ponderei cá com os meus botões, que criaturas assim não são merecedoras de conversas com os nossos botões, porque a desimportância que elas querem atribuir aos outros, é na verdade, o que elas realmente são: insignificantes pela pequenez de alma, pelos egoísmos que preponderam e pela ignorância estonteante ao enfocarem quaisquer temas que requeiram profundidade.

E quer saber mais? Cá com meus botões, desejo que tais criaturas com tanta anomalia de personalidade, se recolham à sua insignificância de caráter, com sua história de vida rasteira e vulgar, por adotarem valores equivocados e abraçarem incondicionalmente a incivilidade com base na mediocridade.

Aqueles que vivem excluindo os outros, querendo que eles sejam invisíveis e inferiores, ou que sejam colocados à margem e preteridos, demonstram que seu foro íntimo é deformado.

E cá com os meus botões, que eles mesmos provem de seu veneno e descalabro, quando suas máscaras caírem, seus escrúpulos nebulosos forem expostos e sua forma bizarra de ser, chegar ao conhecimento público.

Sim, porque quem alimenta esse modo nefasto de ser e de agir, vai se deformando por dentro pouco a pouco. E à semelhança do Retrato de Dorian Grey, devem ter feito um pacto com o demônio, de modo a parecerem gente boa diante dos outros. Mas, um pacto demoníaco como esse não tem vida eterna, tem vida curtíssima.

E foi em relação a pessoas desse naipe, que Cristo chamou de sepulcros caiados: na superfície aparentam bom estado, mas por dentro, estão em avançado estágio de putrefação.

E como ensina a Bíblia, um pouco de fermento é capaz de levedar toda a massa. Isso é um indicativo forte de que a influência de gente assim devasta tudo, modificando pejorativamente o tônus de quem está perto deles e de todo um ambiente que os aceita.

Eles são tão letais que têm a capacidade de implodir e de desfigurar tudo ao seu redor. São Midas reversos: ao invés de transformarem em ouro aquilo que tocam, modificam o que apalpam em matéria fétida e cheia de bolor.

Uma fruta em decomposição, faz apodrecerem com maior rapidez as outras que estiverem por perto. A aceleração e proliferação do mofo e consequente contaminação das demais frutas é um fato irrefutável.

O efeito dominó causado por gente assim é pernicioso, tenebroso e só traz presságios ruins.

Por sua vez, ao se tirar um fósforo da fileira que vem queimando, afastando-o da causa do incêndio, torna-se possível salvar os demais fósforos intocados de eventos malévolos. Isso porque, ao retirarmos o elemento que causa a combustão, elimina-se o poder daquele que pôs fogo em tudo.

Esse tipo de “Nero” simbólico dos tempos presentes são piores que zumbis, são mortos vivos que vivem e se alimentam de necrose mental. Não constroem porque sua índole é destrutiva. Não edificam porque o seu instinto é de promover a ruína.

E como nos lecionou Cristo: deixem que os mortos enterrem seus mortos (Bíblia, Mateus 8:22)! Os que estão vivos pela Luz Divina, por um propósito construtivo e cooperador, não têm nem devem estabelecer nenhum tipo de parceria com mortos de alma.

 

“Há um tempo em que a maior demonstração de sabedoria deixa de ser responder. Passa a ser seguir adiante.”

Curadoria — Gorette Wanderley

 

 

 

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