Somos peregrinos

Por: Mirtzi Lima Ribeiro

A jornada nessa zona temporal do espaço-tempo no planeta Terra, começa quando acoplamos nossa consciência nas estruturas de carbono para nos tornar sementes.

No decorrer do processo subsequente, invariavelmente esquecemos a grandeza e a abrangência do nosso campo consciencial para nos confinarmos no experimento de uma vida material. Ao descer várias dimensões, o esquecimento é inevitável: embora o cérebro seja um equipamento fantástico, se limita às sinapses neurais e materiais.

Ao adentrarmos na matéria, nos transformamos em semente que será fertilizada para dar lugar a outra metamorfose: se tornar embrião, depois feto e na sequência, um novo ser físico.

A nossa face emoldurada e formada por elementos palpáveis é apenas uma extensão ou uma exteriorização de nosso eu verdadeiro, de nossa consciência, que chegou a um plano concreto, com maior densidade, que é esse plano material.

Na verdade, em um patamar excelso, nos níveis acima dessa terceira dimensão onde a vida está materializada, somos uma unidade com o todo e integramos um oceano de consciências. Essa é a realidade do “somos um” ensinado tanto pelo Cristo como por todos os mestres que desceram à essa esfera de existência de maior densidade.

Eles alcançaram realidades de múltiplas dimensões e mundos, através de vislumbres, de visão e de traslado consciencial. Os símbolos e arquétipos são veículos potentes para ter esses alcances.

A vida aqui na Terra borbulha e é fecunda, é bela e diversa, com incontáveis variedades que desafiam nossos sentidos e extasiam nossos olhos, como uma cópia material dos muitos mundos sem fim, nos domínios imateriais e rarefeitos, onde somos imortais.

Nas escalas de níveis dimensionais, ainda há segredos, mistérios, maravilhas e insondáveis realidades. Somos aqui apenas uma pequena fração da imensidão que nos cerca e do que realmente somos. Uma gota do vislumbre dessas outras realidades é uma benção para quem está encapsulado em um corpo de terceira dimensão.

A mente precisa alçar voo, se soltar das amarras e sentimentos pesados de modo a ter os primeiros alcances de realidades sem fim. As mesquinharias humanas, as banalidades ególatras do individualismo raso precisam ser removidas e transcendidas.

Liberdade é sair desse burburinho restrito para poder tocar na superfície desse imenso oceano de consciências. Liberdade é ter curiosidade, é aprender os diversos domínios nessa esfera de compreensão e levá-la ao campo consciencial unificado, contribuindo com o todo. Esse é o nosso papel e a nossa missão.

Entretanto, tal proeza só se fará possível após saneadas as excentricidades e artimanhas emocionais pesadas. Apenas assim será facultada a abertura ao campo de entendimento da nossa verdadeira grandeza imaterial.

É um êxodo da ignorância para a compreensão, do ódio para o amor, das quinquilharias emocionais para a abundância de alma, da ideia de que estamos separados para a real unicidade. É a saída da inconsciência para a consciência plena e para experimentarmos o paraíso perdido revivificado no dia a dia.

Divinizar a matéria é alçá-la a um patamar mais elevado do que o atual emaranhado de egoísmos, vaidades, insanidades, torpores e mesquinharias tacanhas, vícios, tentativas de vilipendiar os semelhantes, mentiras, dissimulações, de reagir negativamente e de causar danos.

O calvário é uma maneira de nos libertar da falsa sensação de poder e controle subjacentes a esse mundo permeado de densidades.

Transformar-se é duro, difícil, requer coragem, demanda esforço e carrega sofrimento, mas o resultado da vivência desse processo é que nos conduz ao que realmente somos no núcleo de nosso ser, aos mananciais ígneos da alma, capaz de remover as vendas e abrir nossos olhos da compreensão.

Para que serve esse campo experimental no qual viemos parar? Decerto, serve para aprender e para termos domínio sobre o que é mais forte nesse âmbito sobre o lado humano: o campo instintivo, emocional, psicológico e mental. A utilidade das informações e vivências é enriquecer o campo consciencial unificado, aprimorar-se, transformar carvão em diamante. A vida aqui é uma fração, um fragmento da eternidade e de mundos sem fim.

Aqui somos peregrinos e nos cabe aprender durante o trajeto da peregrinação, chegar ao destino prontos para as novas etapas em mundos sem fim, em um eterno agora, em ciclos sem fim.

🎧 Sugestão de escuta:
Jornada da Alma – Marcus Viana

Esta leitura pede silêncio… e uma trilha que toque o invisível.

 

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