Os sentimentos como gatilho para enfermidade – LÚPUS

Por: Neves Couras;

Durante o mês de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia promove a prevenção ao Lúpus. Como publiquei no livro “Do Corpo à Alma – Ensaios sobre Espiritualidade e Sentimentos”, abordei a importância do equilíbrio emocional e como sentimentos que, por vezes, se não conseguimos “dominar” podem se tornar gatilhos para algumas enfermidades.

Não falei do lúpus porque, no momento em que escrevi o livro, estava passando por muitas dificuldades de saúde, exatamente causadas por essa doença. Não consegui manter o equilíbrio dos sentimentos, e falar desse problema iria me ferir ainda mais. Eu estava cuidando do meu marido, vivendo os momentos mais difíceis do Alzheimer.
Hoje, um ano e meio depois de sua partida, estou mais tranquila e, neste mês, não poderia deixar de abordar esse tema.

Sim, sou portadora dessa triste doença e gostaria de dividir com os nossos leitores minha experiência com a enfermidade e como a superei. Acredito que, ao falarmos sobre as enfermidades, também podemos ajudar outras pessoas.

Mas, o que é o LÚPUS? É uma doença rara e autoimune; ou seja, o sistema imunológico reage contra as células da própria pessoa, causando danos que podem ocorrer nos órgãos internos (rins, pulmões, coração, cérebro e articulações) ou somente na pele. Afeta mais as mulheres do que os homens e mais adultos jovens do que crianças e idosos. Trata-se de uma doença crônica, na qual é importante o tratamento contínuo e a monitorização para avaliar a atividade da doença. Como a pele é afetada em 80% dos pacientes, o médico dermatologista é frequentemente o responsável pelo diagnóstico (SBD, 2026).

O lúpus eritematoso, “nome completo” da doença, pode se manifestar de formas diferentes, de acordo com o órgão afetado, e isso, às vezes, retarda o diagnóstico. Na pele, frequentemente se apresenta como sensibilidade ao sol, especialmente em áreas expostas, como face, colo e braços. Surgem manchas avermelhadas que podem descamar e até deixar cicatrizes. Em áreas com pelos, como o couro cabeludo, pode causar queda de cabelo.

É comum haver dores nas articulações, mal-estar, perda de apetite e perda de peso. Nos casos em que afeta órgãos internos, pode haver dor e dificuldade para respirar, redução do funcionamento dos rins, desmaios, convulsões e tromboses. Geralmente, o diagnóstico depende da comprovação da agressão ao órgão afetado pelo lúpus e de exames laboratoriais (SBD, 2026).

Essas são as informações oficiais da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
No meu caso, falo com certa dificuldade a respeito, mas meu papel é informar e, hoje, posso falar mais abertamente sobre o meu “gatilho”. A enfermidade apareceu após um grande problema conjugal, que me levou ao desequilíbrio das minhas células.

Naquela época, eu ainda não conhecia os processos relacionados à Espiritualidade e Saúde e não tive, naquele momento crucial, a ajuda direta da Medicina Espiritual para complementar o tratamento do dermatologista, que passou por maus momentos até descobrir o que realmente estava acontecendo comigo. A ele serei eternamente grata por me acompanhar até hoje.

Já disse a ele: “Não invente de partir dessa dimensão enquanto eu viver.” (Uma brincadeira que faço com ele, mas que é pura verdade.)
Após o problema vivenciado, começaram a aparecer os sintomas, alguns dos quais já foram descritos acima. Porém, acrescento: inchaço no rosto, na área do nariz, boca e queixo, além do colo e dos braços. Quanto ao sol, até hoje é difícil me expor sem consequências, assim como ao calor.

Tive queda de cabelo e, por conta do uso prolongado de medicações antimaláricas (que tratam a malária, mas também reduzem a inflamação no organismo), consegui reduzir a inflamação da pele, das articulações e dos rins. Também tomei imunossupressores por muitos anos.

É preciso dizer que tive uma grande ajuda da homeopatia para diminuir os sintomas. Fiquei muitos anos sem nenhuma “crise”, mas, como disse antes, tive muitos problemas que novamente me levaram ao desequilíbrio das células, e a doença se manifestou. Dessa vez com menos sintomas, mas tive que voltar ao tratamento com imunossupressores.

Preciso dizer que isso aconteceu por volta de 1996 e, até hoje, ainda enfrento algumas manifestações da doença, especialmente em períodos em que meus sentimentos são profundamente abalados. Além da queda de cabelo, o lúpus e o tratamento contínuo com medicações fortes, indispensáveis para manter a enfermidade sob controle, acabaram trazendo consequências importantes para minha saúde. Uma delas foi o surgimento precoce de catarata, o que me obrigou a realizar uma cirurgia muito antes da idade em que esse tipo de procedimento costuma ser necessário.

Entre os sintomas, o que mais me incomodava era quando a pele começava a rachar, especialmente na região do queixo, causando prurido intenso e uma espécie de secreção que surgia junto com a irritação. O mesmo acontecia nas orelhas, que também apresentavam essas lesões, liberando um líquido e provocando um desconforto constante.

Com a ajuda da Medicina Espiritual, pude compreender melhor meu adoecimento e alcançar maior controle sobre a doença. Quando recebi o diagnóstico, chorei desesperadamente, como alguém que se vê diante de algo desconhecido e assustador. Porém, aos poucos, com o apoio que recebi e com o tempo, fui desenvolvendo uma resiliência que antes eu não imaginava possuir. Nunca foi fácil tudo o que enfrentei, nem tudo o que ficou marcado em mim, mas a fé, a esperança e a compreensão de que eu precisava fortalecer minha estrutura emocional, como uma espécie de couraça, me ajudaram a continuar. Por muitos anos, inclusive, cheguei a acreditar que a enfermidade já não fazia mais parte da minha vida.

Também agradeço a Deus por o lúpus ter surgido após o nascimento do meu último filho, pois sei que, durante a gestação, essa doença exige cuidados especiais e pode trazer desafios importantes tanto para a mãe quanto para o bebê.
A todos que convivem com essa enfermidade, deixo aqui uma mensagem de encorajamento: é preciso força, mas também é preciso acolhimento. Não podemos perder a fé, mas também não devemos ignorar nossos sentimentos, pois muitas vezes é neles que estão os gatilhos que silenciosamente fragilizam o corpo. O lúpus pode ser devastador, sim, mas não precisa ser uma sentença de derrota. Com tratamento, acompanhamento e equilíbrio emocional, é possível viver, superar e seguir em frente. Que possamos aceitar nossas limitações sem revolta, aprender com elas e continuar caminhando, com esperança e confiança, neste planeta-escola, onde cada experiência também pode ser uma oportunidade de cura.

 

 

 

 

 

 

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Mais informações
https://www.sbd.org.br/doencas/lupus – acesso em 12/02/2026

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