
Por:Mirtzi Lima Ribeiro
Histórias, livros, peças e filmes de amores impossíveis e que se fizeram possíveis, que são profundos e inspiradores, chegam a rasgar corações e triturar emoções. Eles são dramas épicos de amor, de paixão e de ódio.
Nessas histórias, como se chocam as vontades? Quais são as comoções? O que desperta o amor entre os pares? E quais são os seus entraves? Impedimentos de família, de classe social, de cunho cultural, de nacionalidade, de distâncias territoriais, de preconceitos, que se apresentam de várias maneiras. Dilemas e barreiras a serem transpostas, exigindo coragem, astúcia, articulação, despojamento, que seriam capazes de solucionar os empecilhos.
Esses dramas da vida foram retratados e imortalizados por nomes famosos da nossa literatura, vindo a se tornar clássicos famosos até hoje, décadas e séculos depois.
Olhares não são mais o motivo para acender a chama do amor, como nos grandes clássicos da literatura, como nos tempos antigos.

Olhares não fomentam mais grandes paixões, capazes de mudar vidas, de inebriar com uma pura e perfeita alegria ao coração, fruto de uma comoção inexplicável, com sensações vindas das profundezas da alma.
Não encontramos mais os casais inspiradores, como Elizabeth Bennet e Sr. Darcy, do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen; Romeu e Julieta, de William Shakespeare; Anna Karenina e Conde Vronsky, de Liev Tolstói; ou como a lenda medieval do amor trágico e proibido do cavaleiro Tristão e da princesa Isolda.
O poeta Homero, em sua “Ilíada”, uma das principais obras épicas da Grécia Antiga, narra acontecimentos da Guerra de Tróia, onde evidencia três grandes amores: do príncipe troiano Heitor e sua esposa Andrómaca, com um amor conjugal ideal; do príncipe de Tróia, Páris e Helena, a esposa do rei espartano Menelau, paixão essa que fomentou a Guerra de Tróia; entre o grego e maior guerreiro Aquiles e a troiana Basiléia, com um amor profundo e intenso.

O filme “Em Nome de Deus” (1988), é um romance histórico, ambientado na França do século XII, que aborda a vida real e o amor proibido entre o filósofo Pedro Abelardo e sua aluna Heloísa, além de retratar os conflitos intelectuais e religiosos da época.
No mundo contemporâneo, poderíamos listar vários livros que inspiraram o campo cinematográfico.
Blade Runner – O Caçador de Androides, lançado em 1982, filme de ficção científica e ação, inspirado no livro “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?” (Do Androids Dream of Electric Sheep?), escrito por Philip K. Dick e publicado em 1968. O amor é entre a replicante
Rachael, que possui memórias implantadas, e o caçador de replicantes, Rick Deckard. A trama do filme original questiona se a capacidade de sentir emoções e ter memórias é o que define a humanidade. Atualmente, há sete versões cinematográficas.
A história de amor de Katniss Everdeen e Peeta Mellark, de Jogos Vorazes (2012), uma abordagem do mundo distópico, se baseia na obra da autora Suzanne Collins.

A inicial trilogia de Matrix (1999 e 2003), com um quarto filme (2021), o amor entre Neo e Trinity é o relacionamento central na trama, sendo ela a força emocional e sua parceira de combate. Esses filmes de cunho distópico foram escritos inicialmente por Lana e Lilly, com base na obra do filósofo francês Jean Baudrillard. Além de enfatizar que amor é conexão, a mensagem também é sobre a busca pelo autoconhecimento, desenvolvimento psicológico e amadurecimento.
Alguns dos livros recomendados ao elenco para leitura foram: “Simulacros e simulação”(1981), de Jean Baudrillard, “Neuromancer” (1984), de William Gibson, “Alice no País das Maravilhas” (1865), de Lewis Carroll, “Out of Control” (1994), de Kevin Kelly, e, “Introducing Evolutionary Psychology” (1999), de Dylan Evans.
Outro par que se consagra pelo profundo amor, está na série Outlander: Claire e Jamie Fraser. A base da série está nos romances da autora Diana Gabaldon, cujo primeiro livro foi lançado em 1991, tendo até o momento nove volumes publicados. Como plano de fundo se apresentam os conflitos históricos na Escócia, os jacobinos, além da colonização nos Estados Unidos.

E aí podemos perguntar… Seria preciso um resgate à essência da vida, de modo a ressuscitarmos o amor verdadeiro? Aquele que brota da alma e cujo veículo de descoberta é o olhar? Seriam os olhos, realmente, quais espelhos da alma, que reconhecem o puro amor?
Precisaríamos, então, retirar as traves dos olhos para enxergar com clareza e perceber através deles? Fiquemos com essas indagações em mente, de modo a trazermos à luz novos pares com amor profundo. Quem sabe se com isso, saímos do superficial e descartável, para adotar valores intrínsecos à alma e às profundezas da cognição e da civilização?
Ao som de La Vie en Rose, de Édith Piaf, rendemos homenagem aos amores que desafiaram o tempo e se tornaram eternos.




