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O maestro do silêncio

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Por: Emerson Monteiro;

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No intervalo entre noite e madrugada, ao suave perfume das primeiras flores, antes mesmo do cantar dos primeiros pássaros, bem ali se dá o acorde dessa sinfonia dos que vivem as consciências. Albores de derradeiros sonhos riscam os céus. Vazio absoluto sacode a natureza, pondo-a definitiva neste algo maior que todas as grandezas. Isso, apenas voos rasantes de imaginação, luzes que apagam os derradeiros mistérios noturnos e refaz de desejos o movimento à busca do Sol.

Nesse mesmo jogo de sombras desfeitas nascem traços de toda fisionomia do Universo. Vem de dentro dos bichos, das árvores, das nuvens a deslizar desde Nascente uns espectros ainda adormecidos das horas que passaram. Quando, só então, vêm os seres humanos, a tanger seus fantasmas que agora despertam ao fervor das horas mornas da madrugada que desaparece pouco a pouco.

Conquanto à força de tantos instrumentos, iguais, porém, a ausência de som que permanece pelas encostas e várzeas ora úmidas do orvalho que se foi. Há tal que seja um fruir espontâneo que invade o tempo, enquanto as pessoas conspiram, no instinto de vencer um outro dia logo à frente. Persiste, sim, estranho caudal de notas infinitas pelas entranhas do mundo em volta. Alguém impassível que rege, assim, o revirar dos acontecimentos durante as existências enigmáticas presentes no instante inevitável dos seres.

Pura aparência de quem busca o que seria inexistente perante o trino impaciente dos pássaros, ruído insistente reconstrói o passado nas formas e objetos, cores e harmonias.

Às vezes me pego a recontar emoções doutras épocas, de filmes, peças teatrais, apresentações musicais, diálogos, romances, a invadir os tecidos do meu pensamento e trazer sinais entre os dedos das lembranças. Quais partes tão agarradas em mim, entes autossuficientes que correm pelos campos da memória com tamanha desenvoltura, que chego a considerar vivam eles e eu apenas acompanho seus significados. Disso reúno deles roteiros completos do busco cumprir no decorrer de tudo em volta, tais a obedecer notas soltas de uma melodia silente, abstrata.

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