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Tempos no Grupo Escolar Delmiro Dantas

O ano era o de 1982. Ansiosamente, esperava a hora de ir à escola pela primeira vez. No grande dia, mamãe (Dona Madá) já havia vestido a minha calça azul e uma camisa branca, de tecido. Fiquei mais feliz quando calcei os congas, também na cor azul. Já estava com o caderno (daqueles que tinham o hino nacional escrito), um lápis (com uma tabuada impressa) e uma borracha branca. Penteei o cabelo e coloquei um soldadinho de brinquedo no bolso da calça. Pedi bênçãos a Papai (Seu Pedro Meneses) e a Mamãe. Até que saí de casa, com destino ao Grupo Escolar Estadual Delmiro Dantas. Morava na Rua Nova e a escola situava-se atrás da Igreja Matriz. Fui por um caminho, que pouco conhecia. Passei próximo à rua das Sete Casas, depois pelo açude da Rua e ao longe olhei para o cemitério “velho” da cidade. Depois, observei, atentamente, as casas de Dona Humbertina e de seu Caú Ribeiro.

Cheguei ao pátio da escola. Já havia muitas crianças. Depois fomos arrumados em filas e cantamos o hino nacional. Na sala de aula, conheci a minha primeira professora, Dona Naíde Vieira. E também, fui conhecendo os colegas, que mais a frente, se tornariam amigos. Era um mundo novo. Estava no Preliminar, iniciando o “Primário”.

Em pouco tempo, estava habituado à rotina escolar. Jaime Ramalho, Franco Aldo Beserra de Sousa, Joseane, Jacielbe, Aloisio Gomes, Edilson Nunes, Vilma Dantas...eram (e seriam) alguns dos colegas e amigos pelos próximos 5 anos. Chegávamos cedo para jogar bola (futebol) em frente à escola. As meninas preferiam “matada”, onde cada time procurava acertar o outro, lançando a bola com as mãos. Mas, com o tempo, nos aventuramos em outros locais. Gostávamos de ir ao açude da Rua ( o da imagem, abaixo). Como não sabia nadar, não tinha coragem de tomar banho. Perto da escola havia uma fábrica de cordas (denominávamos de Cordoalha), mas no inicio, tínhamos medo de ir até lá.

A escola era pequena, com 3 salas de aulas. Duas do lado direito e uma do esquerdo, separadas pelo pátio e pela cantina. Nas vigas de madeira do telhado, em cada sala, havia nomes registrados com giz. Eram escritos no fim de cada ano, pelos alunos veteranos. Para os meninos, a farda escolar era composta por uma calça azul, uma camisa branca e um tênis azul. As meninas usavam uma saia azul, substituindo a calça. No ombro da camisa, ficavam umas pequenas faixas de tecido azul, que indicavam a série, como nas roupas dos militares. O Hino Nacional era cantado todos os dias, antes do início das aulas.

Na hora do recreio, na maioria das vezes, era servida uma espécie de mingau com bolacha doce. A equipe da “merenda” era coordenada por Deca, mãe de Glória, uma de nossas colegas. Quando dava, levávamos alguns trocados e comprávamos tubiba (dindin), na casa da Velha Mouca. Albanisa Nunes trazia uma caixa de doces e bombons para vender. Lembro que gostava dos chicletes babaloo, ploc, ping pong, do doce zorro, do chocolate surpresa e das balas soft e gelatti.

A cada ano, uma nova professora. Assim, a minha aprendizagem foi conduzida pelas professoras Naíde, Maria Helena, Vanda Carvalho, Socorro Nascimento e Maura Farias. Cada uma, à sua maneira, tornou-se inesquecível na minha formação. Minha mãe também foi professora e nessa época era a diretora da escola. Sempre lembro-me delas, com muita saudade. No início do ano, recebíamos livros e devolvíamos os do ano anterior. Gostava muito dos de Português, que naquela época chamávamos de Comunicação e Expressão. Recordo-me, ainda, das minhas dificuldades em aprender a tabuada. Um dia marcante foi quando escrevi meu nome pela primeira vez. Ao aprender a ler, os gibis passaram a ser uma grande companhia. Ganhei muitos de meus cunhados Arimateia Ari e Geraldo Benevides. Mas também lia, emprestados, de Elma Serafim de Sousa, de Vilma Dantas e Graças Meneses Dantas.

Os desfiles de Sete de Setembro eram momentos muito esperados. Nos preparávamos meses antes, com diversos ensaios e com a roupa a ser utilizada. O desfile era o grande ápice (a cidade parava para assistir), que se concluía com o registro fotográfico, realizado por Zé da Foto. O dia das crianças, também era bastante esperado pelos alunos, pois as professoras preparavam uma cestinha com doces e pipocas e com muita música. A festa de São João também não passava em branco, normalmente havia a realização de quadrilhas, no pátio da escola.

O tempo foi passando. As amizades, consolidando-se. Os horizontes, ampliando-se. Já esperávamos ansiosamente a chegada do período do Ginásio, que seria em outra escola, a Miguel Otaviano de Medeiros. Era a saída definitiva do mundo infantil… Não precisaríamos usar mais a farda, o caderno seria o de matérias, e o lápis seria trocado pela caneta esferográfica, novos conhecimentos e mais estudos viriam, excursões, novas amizades surgiriam, além, dos primeiros namoros…

O final desta fase foi solidificada com o registro de nossos nomes nas vigas de madeira do telhado da sala da quarta série. Era o adeus. Éramos agora, parte da história da escola, que também levávamos conosco, para sempre. De tempos em tempos, a saudade insiste em se fazer presente. E, lágrimas começam a cair.

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