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Os desfiles de 7 de setembro

Após a casa arrumada, cadeiras eram colocadas na calçada. Na cozinha, o cheiro de café, novinho, tomava conta do ambiente. Uma cesta de deliciosos pães (comprados nas padarias de Fernando Piaba e Luiz Tomé) já estava à mesa. No fogão, preparava-se um pacote de bolacha branca na manteiga, que eu adorava. Já já, chegariam familiares e amigos, vindos dos sítios e até de outras cidades. Era o tão esperado dia dos desfiles de sete de setembro.

As casas das ruas Antonio Caetano e Joaquim Bezerra, locais onde acontecia o desfile, se enchiam de expectadores. As famílias esperavam, alegremente, e torciam pela passagem de seus parentes pela rua. Os pais, ansiosos e orgulhosos, não queriam perder nenhum detalhe.

As escolas Delmiro Dantas e Miguel Otaviano de Medeiros preparavam-se durante muito tempo. Tudo começava pela escolha do tema. Depois, as professoras definiam os modelos dos trajes e roupas a serem utilizados.

Uma atração à parte era a banda de música. Formada na escola Miguel Otaviano, foi coordenada, durante vários anos, pelos Professores Caetano de Tiu e Olivan. Rivaldo, um de meus irmãos, tocava um tambor, do tipo fuzileiro, instrumento muito grande, que se contrastava com a sua baixa estatura. Lembro-me, ainda, de outros componentes, como Maciel de Mãe Maria, Branca de Pai Velho e Renê de Vital. Nos dias do desfile, a cidade era acordada, às 5:00 horas da manhã, quando da realização da alvorada.

A baliza era uma espécie de madrinha da banda. Destacava-se pelo traje diferenciado e detalhado e, também, pela graciosidade dos passos executados, às vezes, acrobáticos. Fia de Tiu Caetano foi uma delas.

Era tudo planejado e executado com muito esmero. Meses antes, os ensaios já movimentavam a cidade e eram realizados nas ruas onde ocorreria o desfile. Na apresentação, cada professora acompanhava a sua turma, orientando a velocidade dos movimentos e corrigindo o alinhamento dos pelotões. Desfilávamos, com muita alegria, procurando não errar os passos, pois a plateia era numerosa. A satisfação aumentava, quando passávamos em frente de nossas casas, e observávamos o sorriso sincero e orgulhoso dos nossos pais.

No Delmiro Dantas, a minha primeira participação foi representando um índio, cujo traje foi elaborado com penas de galinhas. Juntamente comigo estavam Franco Bezerra e Edilson Nunes. Depois, fiz parte de uma homenagem a Monteiro Lobato, apresentando-me como o Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo, que à época era minha personagem favorita da tv. Em outra ocasião, fiz parte da turma que homenageava o banco Bradesco, recém inaugurado na cidade. No Miguel Otaviano de Medeiros, me recordo da ocasião em que fizemos alusão ao esporte. Desfilamos com as roupas oficiais do time de futebol local, inclusive, as chuteiras tinham que ser as do jogadores (Ribamar me emprestou as dele).

No finalzinho da tarde, em frente à Prefeitura Municipal, ocorria o encerramento do desfile. Um palco era montado num caminhão (normalmente o de Joãozinho de Terninha), onde autoridades faziam seus discursos. Primeiro, era cantado o hino nacional, pelos participantes e, pela comunidade, que já havia se aglomerado no local. Em seguida, ouvíamos falas, entusiasmadas, de Tiu Caetano, Pedro Meneses, Roldão Lopes, Benone Gomes, Antonio Serafim, Joacil Gomes, João Neto, entre outros.

Depois, outro momento era bastante esperado. O registro fotográfico. Todo mundo correndo para João da Foto eternizar aquelas emoções.

O drone de minhas lembranças, continua a percorrer as ruas da cidade, e sempre me vejo desfilando, numa passarela mágica, ao lado de colegas e professores, sob o olhar atento de cada personagem imaculadense, que na plateia, referenciava e aplaudia seus filhos, como num grande espetáculo.

E, mais uma vez, as lágrimas insistem em cair.

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