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No Reino do Faz de Conta

O pai da literatura infantil brasileira, sem dúvida nenhuma foi Monteiro Lobato. Ele conseguiu ao longo do tempo e com a sua narrativa lúdica, conduzir os seus leitores infantis como nós fomos, ao reino do sonho e da fantasia.

Cada criança que lia Monteiro Lobato, construía na própria mente o seu mundo grandioso, povoado por entes fantásticos, representados por personagens folclóricos de cada região brasileira, que ainda hoje habitam no íntimo de cada um de nós.

As preleções do Visconde de Sabugosa, eram de fato parábolas de sabedoria. Elas nos ensinavam o nacionalismo verdadeiro que pulsa dentro de cada um de nós. O establishment, além de olvidar os anseios e interesses da maioria da população, sempre combateu sistematicamente o que consideram um “mau exemplo” e ainda hoje insiste em negá-los.

Nos idos da década de 1940 o governo brasileiro contratou uma consultoria estadunidense para analisar a perspectiva de existência de petróleo  no nosso subsolo. O tão ansiado combustível fóssil  seria o inicio da construção do nosso parque industrial e a porta de entrada para o desenvolvimento  e  para o Brasil conquistar a nossa  soberania.

Ao encerrarem as pesquisas para as quais foram contratados, elaboraram um longo relatório negando qualquer  possibilidade de existência do chamado ouro negro, em quaisquer das nossas regiões.

A conhecida e intransigente insistência de Monteiro Lobato em afirmar que no Brasil havia petróleo, acabou levando-o à prisão, acusado de heresia e  difusão de notícias falsas.

A partir de então, o governo do general Eurico Gaspar Dutra, passou a jurar de pés juntos que não havia nenhuma perspectiva da incidência de petróleo em todo solo brasileiro, em obediência às conclusões a que chegara o império do norte,  apagando  a chama da vela do nacionalismo  acesa por por Monteiro Lobato.

A vitória eleitoral de Getúlio Vargas para o seu segundo governo em 1950, reacendeu a chama da esperança nacionalista apagada por Dutra e, encorajou nosso povo a apoiar as ações de governo voltadas para a construção de um país independente, desenvolvimentista, nacionalista e altaneiro.

Vargas, que já tinha na sua  mente do estadista que pensa no próximo século, a ideia do lançamento  das bases da da nossa industrialização, provavelmente deve ter fundamentado a sua tese desenvolvimentista  inspirado nos escritos de Monteiro Lobato, principalmente no livro O Poço do Visconde, publicado em 1937.

Nesse livro Monteiro Lobato reafirma enfaticamente a existência de petróleo no nosso subsolo e faz uma demonstração ilustrada de todo processo de prospecção, extração e refino de petróleo em solo, desde o poço até a torre de craqueamento.

A obra de Monteiro Lobato certamente estimulou o nacionalismo latente que nunca faltou a Getúlio,  que  o fez lançar à nação, no início da década de 1950, o grito popular nacionalista: O Petróleo é Nosso!

A campanha ganhou às ruas e deu o respaldo popular que  Vargas precisava para criação de uma  empresa estatal pública, genuinamente  brasileira, denominada Petróleo do Brasil, a nossa Petrobras.

Pobre Visconde de Sabugosa! mal sabia ele que em 2016 haveria um golpe parlamentar no Brasil e que  a partir de então teria início o desmonte e a pilhagem da petroleira dos seus sonhos, que vem sendo vítima da mais insidiosa campanha difamatória do atual governo, caixa de ressonância das forças  conservadoras do atraso, mais  uma vez com o apoio da mídia venal.

O Visconde certamente surpreender-se-ia  com o entusiasmo dos seus discípulos  infantis, ao vê-los crescer e ajudar a fortalecer  a Petrobras  a descobrir mais  petróleo, além das prospecções do  continente, estendendo-se também  às  águas profundas.  Deve ter exultado ao assistir o surgimento de uma tecnologia endógena para dar continuidade à prospecção em solo e  ingressar definitivamente na plataforma submarina e nas camadas  do pré-sal.

Nos anos de 2021 e 2022 os vendilhões da pátria estão numa corrida frenética para liquidar de vez com a Petrobrás, em conluio com o poder legislativo, contando com  a indiferença do judiciário e o olhar leniente dos donos da Petrobrás que é o povo desinformado.

Paralisaram, esquartejaram e foram vendendo uma a uma as refinarias da empresa mesmo com a escalada sem controle dos preços dos combustíveis e derivados, aos gritos histéricos de: Pátria Amada Brasil!

A ação nacionalista de Vargas  consolidou as bases do nosso parque industrial, que também vem sendo gradualmente destruído pelos entreguistas de hoje, levando o Brasil ao caminho de volta para a velha e atrasada república bananeira.


Por tudo quanto temos visto em termos de desmonte e destruição daquela que já foi a segunda maior petroleira do mundo, podemos afirmar que em termos de entreguísmo,
“Só mudaram mesmo as moscas, o pirão que alimenta o apetite do liberalismo professado pelos grupos econômicos e financeiros é o mesmo!”

Agora, como sugere o título desse artigo, estamos em pleno Reino do Faz de Conta!

O sonho e a fantasia do passado vêm se transformando em pesadelo. Cada ação do governo do faz de conta que aí está instalado por uma farsa golpista, revela que o único propósito que têm em mente, é entregar o controle da nossa economia em mãos de grupos econômicos e financeiros internacionais. Esse  foi o trabalho sujo realizado pela fatídica  Operação Lava – Jato.

Indiferentes e descomprometidos com a nação, não têm interesse de implementar  políticas públicas inclusivas, custeadas pela receita do petróleo, para atender as  necessidade de uma população crescente, desprotegida e a cada dia mais empobrecida. Só têm olhares para o capital, movidos pela ideia fixa da plutocracia.

Por isso e para isso, imantaram o governo no polo magnético dos intelectuais orgânicos a serviço establisment e somente a ele servem como vassalos,  com o uso de toda superestrutura do estado burguês.

O HISTÓRICO DESMONTE DA PETROBRAS
Pedro Augusto Cunha Pinho, angolano de nascimento é um gestor político, ex deputado do parlamento europeu, hoje deputado do parlamento português.

Diz Pedro Pinho:

“Criada em 03 de outubro de 1953, a Petrobras antes mesmo de existir, já unia contra si os inimigos da nacionalidade brasileira, do nosso Estado Nacional. E, o que pode ser um interessante estudo psicológico, com um bordão na acusação que os liberais, em seus farisaísmos, sempre usaram: a corrupção. Não me deterei em análises, mas é pertinente e faz parte da criação da Petrobrás a Revolução Popular e Militar que uniu o Brasil em 1930 e comemora também em outubro seu aniversário: 90 anos.” (detalhe nosso: o artigo foi escrito em 06 de outubro de 2020.)”

O introito do artigo de Pedro Pinho, revela  algo mais sobre a revolução de 1930. Ao que se sabe pelo que aprendemos na  história oficial, a dita revolução  teria apenas  decretado  o fim na política de alternância de poder entre as oligarquias rurais de São Paulo e de Minas Gerais, a chamada política do café com leite.  Ela contudo foi além, trazendo no seu ideário, aquilo que  poucos sabem e a historiografia  oficial esconde, que era a ideia de  criação da Petrobras.  Entretanto pelo que   revelam as entrelinhas, também fazia parte do ideário revolucionário, a polêmica  questão do petróleo, no consenso entre líderes  políticos  e  militares nacionalistas.

Os militares de então, sentiam na pele  a necessidade de uma fonte de energia para as atividades de defesa de país potencialmente poderoso e a forma de energia emergente disponível à época era o petróleo. Pelo visto a Escola Militar do Realengo formava oficiais mais nacionalistas do que os atuais.

Os derrotados de 1930, ( segundo Pedro Pinho ):

“se uniram na pseudo revolução de 1932, pois seus aliados o coronelismo agrário, sucessor do escravismo rural, os financistas ingleses, os mercadores estrangeiros, estavam perdendo poder no Brasil de Getúlio Vargas. Alzira Vargas do Amaral Peixoto, filha, confidente e biógrafa do seu pai, assim se refere ao movimento: não era nem uma revolução, nem constitucionalista, nem paulista.”

Pelo visto o livro de Monteiro Lobato publicado em 1937, forneceu a fundamentação teórica que subsidiou a vanguarda do movimento nacionalista e os induziu a  utilizar  como palavra de ordem na campanha   vitoriosa: O Petróleo é nosso!

Qual seria então a forma usada nos dias atuais  para demonizar, desclassificar e reduzir  a Petrobras até atingir o ápice da condenação pública? A mesma velha e surrada  campanha desde os  anos de 50 do século passado, desde a sua fundação até o momento atual! é a tal história: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Vejamos o que ainda nos ensina  Pedro Pinho:

“o economista de extrema direita Roberto Bergamini que assume ser um liberal e não se envergonha de iniciar seus escritos com citações de Roberto de Oliveira Campos. Ex-seminarista escreve novo artigo com o título: “os 67 anos de corrupção da Petrobras”.

“Segundo ele Bergamini constrói seu artigo com noticias da imprensa, mas não cita o pai de todas as maquinações midiáticas contra a Petrobrás: Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, o Chatô”.

Dizem que Chateaubriand foi muitas vezes mais poderoso e mais perigoso na sua época  do que foi  Roberto Marinho depois.
Chatô era  Dono de um império jornalístico de amplitude nacional, Os Diários Associados e  Mantinha a seu soldo  o jornalista David Nasser, o Turco, como ideólogo de todo consórcio e escriba oficial do seu principal veiculo escrito, a revista O Cruzeiro.

Para se ter uma ideia sobre Chatô, vejamos o que divulgou Paulo Henrique Amorim de saudosa memoria no seu Conversa Afiada:

“Assis Chateaubriand, que comanda o linchamento midiático de Getúlio, tem um encontro com o General Mozart Dornelles, subchefe do gabinete Militar da Presidência da República, de quem era amigo pessoal desde a revolução de 30, quando se conheceram, Mozart combatente e Chateaubriand jornalista. É Mozart quem procura Chateaubriand, sem Getúlio saber, e pergunta porque tanto rancor, tanto ódio nas campanhas das televisões, das rádios e jornais fortíssimos da rede dos Associados de Chateaubriand em todos os estados e de sua revista ilustrada O Cruzeiro, que vende meio milhão de exemplares por semana.”

“Chateaubriand não faz cerimonia, faz seu preço: Mozart, eu sou o maior admirador do presidente, eu adoro o presidente. À hora que ele quiser eu tiro o Carlos Lacerda da televisão e entrego para quem ele quiser…… é só ele desistir da Petrobras…”

É nitidamente claro  que a cantilena de corrupção na Petrobrás é muito mais antiga do que imaginamos. As acusações de agora foram  difundidas com a mesma intensidade no passado,  prova que esse é um projeto de dominação. Teve como caixa de ressonância do passado o velho Chatô   e vem tendo continuidade  há muito tempo, pelos sucedâneos de Chatô, que são os Marinhos et caterva.

Como é sabido, mesmo enfrentando tempestades, a Petrobrás cresceu e cresceu muito, chagando a ser a segunda maior petroleira do mundo. Superou e em muito as gigantes do petróleo dos Estados Unidos, a Texaco a Shell e a Exxon Mobil Corporation, as quais sempre tiveram o olho gordo sobre a Petrobrás.

As forças conservadoras e entreguistas do passado  conspiraram tanto que acabaram levando Vargas ao suicídio.

A conspiração foi liderada por Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda e a Banda de Música da UDN, David Nasser e a parte conservadora das forças armadas. Todas essas forças políticas hostis se conjugaram contra o presidente Vargas, por tudo quanto ele representou para a nação, pelo seu nacionalismo e principalmente pela audácia em criar a Petrobras, que continuou a crescer e a despertar a cobiça do imperialismo estadunidense.

Todavia, e pelo seu inquestionável desempenho, a Petrobrás  resistiu a todas as tentativas de desmonte e a bem da verdade foi protegida até pelos generais golpistas de 1964.

No século XVIII o velho liberalismo econômico surgia através de Adam Smith, para dar suporte ao capitalismo nascido da revolução burguesa da França. A partir de então passaria a nortear a economia mundial até os dias atuais.

Como tem a crise cíclica na sua essência, vez por outra o capitalismo  necessita de uma repaginação. Com nova indumentária reaparece na década de 1980 na Escola de Chicago, disfarçado e sob o manto do Consenso de Washington, surge para combater o Estado de Bem Estar Social e se contrapor ao Keynesionismo, política econômica que retirou os Estados Unidos da grande crise capitalista de 1929.

Segundo seus mentores, Milton Friedman e Friedrich Hayek,

“o estado forte é oneroso e limita a liberdade econômica.” Nesse caso era preciso fazer o caminho de volta de John Maynard Keynes.A emergência deste novo conceito mundial resultou na revisão das políticas de energia no Brasil, principalmente na indústria de petróleo e gás natural.”

O governo Fernando Henrique Cardoso-FHC foi o responsável pela adesão do Brasil aos postulados do Consenso de Washington, sendo o último país latino-americano a se render ao neoliberalismo e a todos os seus postulados. O grande laboratório latino-americano foi o Chile de Pinochet.

“Os neoliberais defendem que a economia deve ser baseada no livre jogo das forças do mercado. Segundo eles, isso garantirá o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país”

O governo FHC sancionou a Lei 9478 de 06 de agosto de 1997, aprovada pelo Congresso Nacional e que dispõe sobre: a política energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de politica Energética e a Agencia Nacional do Petróleo e dá outras providências.

Nos artigos 3° e 4° da Seção I do Capítulo III, está definida e amparada em lei a quebra do monopólio do petróleo, preservada desde 1953.
A partir de 1997 a Petrobras se transformou numa Empresa de Capital misto e, pelo menos ate agora, tem como o maior detentor de suas ações o governo brasileiro.

Assis Chateaubriand mesmo pós mortis foi vitorioso: Requiescat in Pace!

Algumas indagações nos são suficientes para desnudar a trama armada para desligar os instrumentos respiratórios que mantêm a Petrobrás nessa agonia de morte. Tanto pelo fato dos combustíveis e derivados estarem submetidos a uma escalada de preços nunca vista desde a sua fundação, quanto pelos motivos que têm levado a Petrobrás a trocar de gestores como quem troca de roupas e ter tido 04 Presidentes em apenas 60 dias. Se eles fossem feitos de Barro não daria tempo nem enxugar:

01– Considerando que uma empresa de economia mista tem em seu organograma um Conselho de Administração que delibera e uma Diretoria Executiva que gere a empresa;

02– Considerando que a acionista majoritária detém 51% das ações e o conglomerado de sócios minoritários detém os 49% restantes;

03 Considerando que na governança da empresa os sócios minoritários têm direito a indicação de 49% dos cargos tanto do Conselho de Administração como da Diretoria Executiva, perguntamos:

Toda essa alegada corrupção interna corporis estaria grassando sob o olhar complacente da banda privada da empresa que detém 49% do capital

Os corruptos da empresa só existem na banda pública, sob o olhar complacente e omisso da banda privada?

Então só nos resta concluir que: ou a banda privada é omissa, ou ela participa também da corrupção.

 

 

 

 

Consulta: O Poço do Visconde, da obra de Monteiro Lobato;
Neoliberalismo – Toda Matéria (todamateria.com.br);

Fotografias: Nascimento de Monteiro Lobato celebra Dia Nacional do Livro Infantil – Fundação Editora Unesp;
Revolução de 1930 – História do Brasil – InfoEscola;
https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/01/19/apos-quase-50-anos-da-inauguracao-edificio-sede-da-petrobras;
O poço do Visconde – Monteiro Lobato – LIVRO – Editora Datum;
Famosos Que Partiram: Assis Chateaubriand;

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