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As catástrofes mineiras dos últimos tempos

Quando o assunto é barragem, a imagem que se forma na nossa retina é sempre grandiosa e nos leva a pensar num paredão de concreto com 65m de altura como é o caso da grandiosa barragem do lago de Itaipu. Todavia o conceito de Barragem é bem mais amplo, tanto no tocante ao seu porte, quanto à sua utilidade.

Por definição, uma barragem é o barramento de um curso de água corrente ou não. O seu objetivo é, basicamente, a regularização ou acumulação de água para: abastecimento humano ou animal, irrigação, geração de energia elétrica, aquicultura, navegabilidade, turismo, lazer etc.
Portanto, o porte de uma barragem é muito variado e vai desde a pequena barragem geralmente de terra, com uma acumulação mínima de 2.136.637m3, como a barragem de Marés na Parahyba, até as mega barragens espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

Entre as barragens de grande porte, como é o caso da barragem do Castanhão no Ceará, com capacidade de 6 bilhões de m3, que tem múltipla utilidade como: abastecimento de água para uso humano e animal, irrigação, aquicultura, turismo e lazer.

A barragem do Castanhão é o grande pulmão hídrico do estado do Ceará, portanto requer cuidados ambientais especiais.

As duas mega barragens brasileiras de múltiplas finalidades, são as que formam os lagos de Itaipu com capacidade de 29 bilhões de m3 e a de Sobradinho com capacidade de 32 bilhões de m3.

São números grandiosos que dificultam o nosso entendimento e precisamos nos valer do comparativo para facilitar o  nosso raciocínio.
Então,  podemos afirmar que, numericamente, a Barragem de Sobradinho, equivale em volume de água a 5,33 Castanhões e a 16 Orós.
Equivale ainda à capacidade de acumulação vários lagos da Usina Hidrelétrica de Furnas que está na moda e que motivou esse artigo.

Quem tem intimidade com a atividade de mineração, sabe que o volume de água necessário para lavar a ganga impura do cascalho da extração do minério é muito alto.
Destarte é comum a construção de Barragens de Terra para acumular a água de lavagem de minérios e através do processo de decantação natural, permitir o lançamento do liquido excedente nos cursos de água.

Tudo isso no papel é formal, é bonitinho, é legal, é sustentável e seguro. Porém não é isso que acontece na prática e os exemplos de sucessivas tragédias em Minas Gerais, confirmam a nossa afirmativa. Evidenciam  ainda, a falta de monitoramento na construção e operação das barragens, que vez por outra nos surpreendem, como foi os casos das tragédias  de Mariana e Brumadinho.

No caso da Barragem de Mariana, o impacto socioeconômico e ambiental aponta para a necessidade de um horizonte de 100 anos para a recuperação plena do Bioma. Todo Vale do Rio Doce foi impactado, afetando inclusive o estuário do Rio no litoral capixaba. O Rio Doce Passou de uma hora para outra de um rio vivo à condição nada desejável de Rio Morto. Foram mais de 40 milhões de toneladas de rejeitos lançados no Rio e em decorrência, toda população ribeirinha foi direta ou indiretamente afetada. Quase 300 mortes físicas, sem falar na morte espiritual dos sobreviventes. “O pior é que o caso ainda não foi julgado nem os culpados foram punidos”. Comenta-se inclusive que o conservadoríssimo governador Zema estaria influenciando para atrasar as indenizações.

Outro episódio catastrófico também ocorrido em Minas Gerais, foi a ruptura da Barragem de Brumadinho, ocorrido a posteriori à calamidade de Mariana, em 25 de janeiro de 2019.
A responsável direta pelo desastre ambiental de Brumadinho é uma subsidiária da Vale, empresa nacional  privatizada, de nome Samarco. O saldo trágico e imediato foi de 270 mortes físicas imediatas, (on line) afora a morte de grande parte do bioma. Se tudo isso não bastasse, há algo que não tem preço que é o elã e a esperança de toda população ribeirinha, tanto do Córrego do Feijão como dos cursos d’agua subsequentes.

O  impacto ambiental,  foi indiscutivelmente alto tanto em termos local  como espacial. O Córrego do Feijão é afluente do Rio das Velhas, maior afluente do Rio São Francisco, daí à Barragem de Três Marias e por fim o curso de todo Rio São Francisco, num verdadeiro jogo de dominós.

Dá para perceber que um desastre como esse pode trazer metais pesados até o estuário do Rio São Francisco, atingindo os estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, além dos estados do Nordeste Setentrional através do PISF.

Outro episodio chocante foi o recente  desmoronamento de rochas no lago de Furnas. Como tudo tem uma causa, o desmoronamento citado tem uma componente erosiva que apesar de ser um fenômeno natural, pode ser monitorada e ter seus efeitos  minimizados através de manutenções preventivas e preditivas.

A todo esse rosário de tragédias, somou-se a catástrofe, perfeitamente evitável ocorrida no  sitio histórico de Ouro Preto. Um deslizamento de encostas preteritamente desmatadas, foi a causa determinante de um prejuízo impagável à história e à arquitetura brasileira.
O pior de tudo isso é está em curso um  jogo de empurra-empurra que pavimenta os caminhos do esquecimento e da impunidade.

O povo brasileiro não pode mais permitir essa baderna ambiental consentida portanto propositada,  lembrando que “nem tudo que reluz é ouro” e que “Deus perdoa sempre, o humano perdoa algumas vezes e a natureza não perdoa nunca”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Esse artigo é informativo e nós queremos crer que tenha tido utilidade.
    O Fed Back que temos são os comentários, mas como existe um sistema de espionagem instalado para censura prévia, nós somos um dos comtemplados com a censura.
    Já perdemos articulistas colaboradores por pressão.
    Todavia, a última coisa que poderão fazer é calar-me. Adelante!

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