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Início João Vicente Machado Recordar é viver, diz um velho ditado!

Recordar é viver, diz um velho ditado!

No dia 27/03/2022  tivemos a gratíssima satisfação de receber juntamente com Gorette, a minha companheira de vida e de ideias, um amigo dos tempos de antanho. Isso  depois de quase um ano de comunicações esporádicas, limitadas apenas ao uso do telefone e  o motivo foi a obediência obrigatória, de  forma disciplinada, às limitações que nos foram impostas, tanto pela crise sanitária da covid 19, como por outras patologias que nos afligiram.

Sabemos que a vida nos presenteia com amizades e companhias. Umas boas outras nem tanto, mas algumas delas nós decidimos a preservar, por serem amizades sólidas, pautadas pelo respeito mutuo e o companheirismo, predicados essenciais para a convivência harmônica.

Foi exatamente o que aconteceu conosco e  em dose dupla.  Nos ligamos inicialmente através do liame da convivência na faculdade de engenharia,  onde tudo se iniciou. Lá nos bancos escolares da vetusta  escola politécnica de Campina Grande a nossa  inesquecível  Polí. Conhecemos  e convivemos com vários  colegas, mas nem todos  viraram nossos  amigos até os dias atuais. Destaco dois deles que foram o meu companheiro de apartamento José Vilmar de Oliveira, o velho China e  Marinaldo Gonçalves.  China  hoje tem residência   em  Barra Mansa no estado do Rio de Janeiro e já nos visitamos algumas poucas  vezes mas  continuamos irmãos. Com relação a Marinaldo, a nossa convivência não foi diária mas terminou por ser   consolidada e depois amadurecida  através da nossa convivência profissional  na Cagepa, onde ele desembarcou por  oficio.

Lá  ele   encontrou a sua companheira de vida, que era  também  nossa colega de trabalho além de  amiga. E por ser muito romântico ele dedicou a ela uma música que marca a vida de ambos. Falo de  Morgana Longo que veio a se tronar  esposa de Marinaldo.

Morgana, nós houvéramos conhecido  desde o seu ingresso na gerencia regional das espinharas que é a  sede regional da CAGEPA em Patos onde trabalhava. De lá tínhamos migrado. para assumir a gerência regional da Borborema,  órgão regional da CAGEPA  em Campina Grande e em todo compartimento da Borborema.

As determinações de isolamento impostas pela  pandemia da covid 19, a virose do século, ralhavam conosco e nos impunham limites que terminaram  se ampliando  de forma exagerada, nos  obrigando ao afastamento, pelo aumento das exigências prudenciais de isolamento.

Passada a tempestade, até que enfim  veio a bonança e Marinaldo nos sinalizou com uma visita que foi anunciada através de um áudio. Dizia ele que depois da missa que assistiria  numa igreja próxima à nossa casa, viria a ter conosco em companhia da esposa Morgana Longo.

Na sua forma sucinta e objetiva de  falar, não forneceu maiores detalhes e nós que não temos muita intimidade com os ritos eclesiásticos, tivemos de nos valer da experiência religiosa de Gorette, para estimar a hora aproximada de chegada do casal. Por volta das 11h do domingo e como  não apareceram  nem deram mais notícias, concluímos que algo acontecera e que e não mais  viriam.

Confesso que devido ao aprisionamento covidiano, tanto eu como Gorette estávamos ansiosos por uma conversa de larga amplitude e,  quando já lamentávamos  a possível desistência do casal,  eis  que eles chegaram e fomos  recebe-los à porta.

Depois do fraternal abraço de boas vindas ao casal de amigos, nos sentamos para dividir a conversa  de forma pedagógica, tal qual uma criança que divide um doce para melhor  degustá-lo, Tempo curto para muita conversa tem que ser  assim!

Iniciamos o bate papo por uma revista aos fatos pretéritos  vividos em Campina Grande, quando ambos ainda éramos alunos da saudosa Escola Politécnica, da então Universidade Federal da Paraíba-UFPB.

A nossa vetusta e saudosa Escola Politécnica, a inesquecível Polí, foi o embrião do que é hoje a atual Universidade Federal de Campina Grande-UFCG. A sua reconhecida qualidade contaminou positivamente  a UFCG que extrapolando  as fronteiras do município  estendeu seus tentáculos até pertinho da minha Lavras da Mangabeira. Esbarrou nos  limites entre o Ceará e  terra que ensinou a Paraíba a ler, a nossa  querida Cajazeiras.

Temas como o desfile de nomes dos colegas, os detalhes do encontro que ele participara recentemente com alguns deles, o inevitável obituário que com o passar do tempo foi engrossando e  sendo mais frequente,  vez por outra nos trazendo a noticia do passamento de alguns deles, como foi o caso mais recentes e marcante que foi o passamento  do inesquecível Carlos Anselmo, que por ser um dos mais jovens  se foi bem mais cedo.

Esgotada a preliminar entra em cena a rotina de vida da Campina Grande da época, que passou a animar a nossa conversa.  As noitadas que só ela tinha não poderia faltar além da  inevitável lembrança do futebol e do quem me quer do domingo à noite na Maciel Pinheiro, esses  que eram os  maiores divertimentos da Rainha da Borborema da época.

Na gafieira de Zé Garçom eu não conheci a sua performance, mas no chamado esporte das multidões, Marinaldo foi um ás, um exímio jogador. Vi-o jogar inicialmente na seleção da Polí que era um forte  time. Contudo e segundo a narrativa do contemporâneo Jobedis  Magno de Brito Neves, , ele era habituée das peladas do Bairro da Liberdade, onde morava. Era amigo pessoal  da família de atletas profissionais liderada por Zé Preto e onde pontificou o nacionalmente conhecido Assis Paraíba.  Quase era levado  para o profissionalismo, uma carreira efêmera como sabemos, mas acabou optando pela engenharia elétrica.

O futebol profissional perdeu um craque, é verdade, mas a engenharia ganhou um excepcional técnico que ocupou desde a superintendência da antiga SAELPA, à Diretoria Regional da Eletronorte em Rondônia além  da da Eletrobrás em Teresina no Piauí.

Esse bate papo saudoso,  terminou nos aproximando da atualidade, quando o destino nos juntou novamente, dessa feita no convívio  do oficio  profissional.

O primeiro afastamento da turma da Polí, ocorreu ainda nos bancos escolares.  Na separação por cursos   ele seguiu para a  engenharia elétrica e nós enveredamos  pela engenharia civil. Todavia, em que pese ser a Polí uma escola ainda de poucos alunos,  nós nos conhecíamos a todos  pelo nome e pela série: Herivelto Bronzeado, Cleópatra, Marinaldo, Agrimon, Silvia Barbosa, Zeca Lopes de Andrade, Marcos, Ione,  etc compunham a turma de engenharia elétrica. Enquanto isso: João Vicente,  Antônio Inácio, Aloisio Lucena, Amâncio, Heitor Viana, José Érico, Edvan, Geraldo Mário, Ângela Fechine, Gracinha Azevedo, Roberto Agra, Mariângela, Roberto Loureiro, Cristina Tejo, Tiú, José Alencar Luna, Memeu, Miltão, Sólon, Edvan, Denga, Quintans, Pirrita, além do primeiro escrito que é o locutor que vos fala, todos  compunham a turma de engenharia civil.

Quando a Polí abriu as porteiras e fez solta desse lote de recém formados, houve a inevitável debandada e como diz o nosso matuto sertanejo, o tempo abriu e fechou. Sumiram!

Vez por outra víamos um ou outro colega, tínhamos notícias de outros tantos, até quando Herivelto Bronzeado, o nosso Xerife, diplomata e exímio mediador de conflitos, chamou o feito a ordem e definiu a  realização de um encontro festivo anual em Campina Grande. Como o encontro é sempre no período junino, a ideia era realizar O MAIOR ENCONTRO DO MUNDO. Como a turma era mesmo da fuzarca e ainda hoje quer manter a performance jovem , os encontros se sucederam atraindo colegas do Oiapoque ao Chuí, para depois fenecer abatidos pela pandemia e se transformar em memória viva.

Com relação a Marinaldo já havíamos nos encontrado antes, quando o destino cruzou as nossas rotas e de repente nos vimos lado a lado servindo ao mesmo governo operoso e austero do governador Ricardo Coutinho.

Sede da Cagepa em Joao Pessoa

Ele chegando à CAGEPA para assumir a Diretoria Comercial e nós, saindo da CAGEPA à disposição da AESA, para assumir a presidência daquele órgão de gestão de águas. Por força do oficio estávamos sempre em contato.

A estatal CAGEPA  do início do governo Ricardo Coutinho, estava num nível de endividamento desafiador a ponto de inviabiliza-la como empresa. Depois de uma luta renhida com o integral apoio do governador, conseguimos aprovar  junto a assembleia legislativa, a contratação  de um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal. O valor seria o suficiente para liquidar toda dívida pulverizada contratada junto a pequenas empresas, verdadeiras agiotas, com o objetivo de  concentrar  num órgão financeiro oficial público, com juros módicos,  fugindo de  juros  escorchantes.

Além dos juros do empréstimo serem  bem mais módicos, ainda havia a vantagem de  uma carência de dois anos para aliviar o caixa e permitir o início do equilíbrio financeiro da empresa.

Contudo, o efeito inercial do déficit, mesmo decrescente, ainda perdurava sob o efeito inercial. Então  numa decisão  corajosa e nacionalista, o governador Ricardo Coutinho passou a injetar  recursos do orçamento do estado durante quatro anos do seu governo para recuperara definitivamente a CAGEPA, até  que conseguimos alcançar o necessário e tão sonhado  equilíbrio financeiro e até a obtenção do primeiro  superávit.

Daí em diante, através da adoção de uma gestão austera e da blindagem da empresa à interferência da politicagem nefasta, a recuperação foi num crescendo até chegarmos a essa CAGEPA que temos hoje, com superávits robustos e com capacidade para a realização de pequenos e até médios investimentos. Esperamos que não tenha mudado e assim ainda esteja!

As figuras de destaque nessa operação de salvamento foram em primeiro lugar o governador Ricardo Coutinho e em segundo lugar a diretoria da CAGEPA com destaque para o papel exercido pela diretoria comercial.  Ao  diretor comercial de então, Netovitch Maia Duarte coube o papel de quebrar paradigmas antigos, extirpar vícios, cobrar a dívida astronômica para com a empresa, tanto de órgãos públicos como privados, além de  elaborar um plano de ação estritamente voltado para o binômio custo x beneficio, visando  aumentar o faturamento da empresa.

Com a chegada de Marinaldo e com o terreno aplainado por Netovitch  veio a modernização e a intensidade dos procedimentos. A adoção de métodos de gestão por objetivo foi o gatilho e não pensaram duas vezes para se integrar e se entregar de corpo e alma ao trabalho. O processo de informatização intensificou-se, o ciclo do faturamento foi encurtado e os resultados começaram a surgir.  A   sua capacidade laboral  e a sua inventiva, incentivou e motivou  todo pessoal da diretoria  comercial que respondeu com uma dedicação impar. O trabalhador que sempre sonhara com uma CAGEPA laboriosa, eficiente e eficaz via nessa gestão revolucionária, a garantia de que a situação aflitiva e incerta vivida em gestões passadas estavam superadas.

Alguém já disse  que o exemplo arrasta e foi o que aconteceu com toda empresa numa salutar epidemia que se alastrou por todos os setores, desde a área técnica até a área administrativa, sob a batuta de cada diretor de área.
Foi implantada em toda empresa um modelo de gestão por resultado, definindo objetivos e indicadores de desempenho, chegando ao ponto de avaliar mensalmente e à distância, desde o gerente comercial até o coordenador da agencia local mais longínqua.

As unidades locais foram todas informatizadas, permitindo o monitoramento das ações de todos os atores e figurantes, mesmo  à distancia.

Em dezembro de 2019, com a consciência do dever cumprido, já cansado de uma intensa labuta e  como houvera planejado,  solicitou sua aposentadoria,  seu desligamento da empresa, deixando atrás de si um eficiente sistema de gestão bem montado, que exige do sucessor apenas a continuidade e os necessários ajustes.

Hoje, muitas pessoas talvez não conheçam a verdadeira guerra travada nos bastidores da política para que  a CAGEPA estivesse viva.

Temos dito e reafirmado que é na  CAGEPA que se pratica a medicina preventiva no estado da Paraíba, sendo portanto  a verdadeira secretaria de saúde do estado. A outra secretaria, localizada na Av. Pedro II,  é de fato a secretaria curativa  da doença!

Os que fazem o dia a dia da CAGEPA e o povo da Paraíba, devem ao governador Ricardo Coutinho, à diretoria da cagepa   e   especialmente ao engenheiro  Marinaldo Gonçalves, essa ação histórica de transformsção e  salvação de um patrimônio público de essencial importância. Todos SãO  dignos do nosso reconhecimento.

Concluímos nos apropriando da frase título de um livro de autoria de um famoso escritor pernambucano, Paulo Cavalcante: “O Caso eu Conto Como o Caso Foi!”

A música que escolhemos a seguir tem muito a ver com a saga do homenageado. A sua determinação, a sua tenacidade, o seu comprometimento, e o seu espirito público.

 

 

 

Consulta: Arquivo memorial de João Vicente Machado;

Fotografias:https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/10/11;https://www.cagepa.pb.gov.br;https://www.facebook.com;http://museudoesportedecampinagrande.blogspot.com;https://www.cagepa.pb.gov.br;

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