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Envelhecimento – Apenas uma reflexão

Sentada em minha varanda, comecei a observar as folhas de uma planta que, com o vento, caiam rapidamente. Ao observar o cair das folhas, muitas de uma vez, e rapidamente a planta ficou totalmente desfolhada. Alguns dias depois, comecei a sentir um forte perfume que antes não identificara no jardim. Sai procurando, e esta planta, pra minha surpresa, soltou vários cachinhos, como se fossem cachinhos de uvas verdes. Ao me aproximar, me surpreendi com um perfume que jamais sentira. Imagine vocês, a planta é uma pitombeira. Vocês sabiam que ela deixava no ar, tanto perfume? Eu não sabia.

Mas o que isso tem a ver com velhice ou juventude, você deve estar se perguntando, não é? Voltando ao cair ou ao soltar-se das folhas da pitombeira, imaginei, naquele momento, minha vida. Cada folha que caía, poderia ser um ano que se passara. Que cada folha daquela, como cada ano que passa, presencia, em nós, tanta coisa. Algumas maravilhosas, outras nem tanto. O passar dos anos, como o cair das folhas, pode nos deixar só os galhos despidos. E, naquele momento, eles simbolizavam os meus pais, que partiram antes de mim, mas permaneceu o galho que os representeavam. Os irmãos, que ainda estão juntos num galho só. Os amigos, espalhados por vários galhos. Alguns muito distantes, outros mais próximos, mas todos nós, presos uns aos outros, pelos galhos e pelo tronco. A vida. Em poucos dias a planta estava novamente repleta de folhas novas, e muito cheias de vida. Os pendões de flores, agora, além do perfume, abrigam várias abelhas, fazendo seu trabalho. Que Beleza a Vida!

No vai e vem dos pensamentos, naquela observação, que continua, porque agora vou lá todos os dias dar bom dia a essa pitombeira, comecei a imaginar que dependendo de quem olhar, podemos estar só com os galhos sem as folhas ou podemos estar prestes a nos encher de pendões de flores. Poderemos atribuir à nossa vida a mesma força que a pitombeira teve e tem de se renovar. Pena não ter fotografado os galhos sem as folhas, mas irei fotografar como ela está agora.

Diferentemente de nós, que já nascemos tendo como única certeza, nessa vida, a morte, para alguns, para mim desencarne. Sim. No momento que terminar minha missão aqui, assim como a pitombeira, meu corpo – as folhas, irão, mas ficarão os galhos que podem representar as minhas ações. Poderei voltar, como as folhas, para aquele mesmo tronco – família, ou quem sabe, outro tronco por perto.

Mas nos falam tanta coisa da velhice, não é mesmo? Das dores, das doenças, das perdas, do cansaço, do esquecimento, da saudade, da falta de apoio, da falta de respeito, da falta de amor.

Tudo isso é verdade, podemos sentir tudo isso: Mas que bom, eu viver hoje! Sabe, estava pesquisando umas coisas em jornal de 1945, e tinha uma manchete que dizia mais ou menos assim: Acidente no Rio de Janeiro. “Carro invade uma casa e mata uma velhinha de 45 anos.” Veja mesmo, hoje, aos quarenta e cinco anos, aos 65, aos 70, ou aos 80, com a ajuda da bendita Ciência, temos os medicamentos para a nossa pressão arterial, para diabetes, para transplantes de órgãos, e tantas outras coisas mais. Nos esquecemos até de falar do “Milagre” da Ciência que em tão pouco tempo descobriu a vacina para o COVID-19 e tantos, que tiveram tempo de chegar até ela, sobreviveram. Falo da Ciência com muito respeito e, mais ainda, dos homens e mulheres de Ciência que sabem que existem vários cientistas na Espiritualidade trabalhando para os avanços da Ciência, para poupar mais vidas.

Não sou contadora de casos, mais os que eu conheço como bom exemplo, tenho que contar. Conto o milagre, mas não conto o Santo. Pois bem, como diria o Grande Ariano Suassuna. Tenho uma tia, que completou agora em 05 de setembro, 95 anos. Ela se queixando de tontura, pois é a única queixa dela, do ponto de vista da saúde. Levei ao otorrino, ele explicou que não era labirintite, é um probleminha no labirinto que em função da idade acontece. Como de praxe, o Neurologista pediu uma tomografia. Ao analisar o exame, ele olhava pra mim, olhava pra ela… Comecei a imaginar: aí tem coisa. Imaginei isso, porque em nossa família a doença de Alzheimer ataca quase como dor de cabeça. Assim, o médico começa a me perguntar: – Ela tem Pressão Arterial Alta? Não. Ela tem Diabetes? Não. Ela já fez alguma cirurgia? Não. Ele foi ficando meio sem o que dizer, aí disse que o exame apresentava algumas alterações que trazem os problemas cognitivos que pra idade, o que é mais que natural.

Enfim, olhou pra mim e disse: – Vamos passar umas vitaminas pra ela, não é? Respondi: ótimo.
Ela não se dando por satisfeita, perguntou e eu não tenho nada? Ele respondeu: “Como eu, a Senhora tem Velhice. Claro que ela não gostou. Mas o médico explicou que éramos como um carro, que com o passar dos anos, as peças iam se cansando, e algumas podíamos repor outras não. As rugas do rosto dela, era como a lataria do carro, perdera o brilho e já apresentava algumas alterações, mas nada preocupante. Deixando de lado o caso, vamos nos socorrer da Ciência para trazer algumas explicações mais eficientes.

Cientificamente falando. Vou tomar emprestado as palavras de Dr. Décio Iandoli Junior, que me socorre sempre nos momentos que preciso explicar algumas coisas que como economista não sei, mas ele sabe explicar divinamente.

As teorias biológicas explicam algumas características do envelhecimento mas o processo é bastante complexo, multifatorial e ainda não completamente conhecido. Os avanços na compreensão dos mecanismos biológicos subjacentes ao envelhecimento já possibilitam a identificação de interações entre diversas teorias; porém, os estudos científicos sobre o tema permitem a constatação de que a complexidade etiológica do fenômeno representa um grande desafio.

As teorias biológicas do envelhecimento têm sido classificadas de várias formas, sendo frequente a apresentação em dois grupos: teorias programadas e teorias estocásticas (só pode ser expresso em termos probabilísticos). As teorias programadas levam em consideração a existência de “relógios biológicos” que regulam o crescimento, a maturidade, a senescência e a morte. As teorias estocásticas consideram a identificação de agravos que induzem aos danos moleculares e celulares aparentemente aleatórios e progressivos.

De uma forma ou de outra, irá chegar o dia de nossa partida desse plano para outro.” Com exceção do suicida, todos os casos de desencarne (morte), são determinados previamente pelas forças espirituais que orientam a atividade do homem sobre a Terra.

Algumas questões eu gostaria de abordar sobre o envelhecimento. A primeira, é reconhecer a dádiva dos céus, em permanecermos na terra o maior tempo possível. Enquanto estamos por aqui, além do aprendizado e da apreciação dos bons momentos, e se, não forem bons, a possibilidade de tirarmos excelentes lições e nos tornarmos mais sábios, se não, nesta existência, na próxima. Ainda se faz necessário lembrar que retornamos ao planeta para nosso crescimento espiritual, até que “nos tornemos anjos”. Sabemos que em nossa cultura, não somos preparados para o dia de nossa partida. Mas podemos, ao mesmo tempo que vai avançando nossa idade, parar, não para olhar para trás, mas refazer o caminho de forma a não nos tonarmos um peso para nossa família. Mudar de atitude, procurarmos ser mais amáveis, dar valor a cada minuto de nossa existência, não com coisas vulgares ou com vícios que venham prejudicar a nossa saúde, mas revermos nossas atitudes.

Neste momento, sei que existem casos e casos, mas segundo o Evangelho de Jesus, quem são nossos próximos? Os que convivem conosco. E, nesta convivência, para quem ainda não despertou, lembra de quando Jesus disse: “reconcilia-vos a caminho”, essa orientação, é pra todos que estão envolvidos no processo de aprendizagem. Um dia, nossos pais, hoje, idosos, nos carregaram no colo, passaram por muitas provações para que nos possibilitassem ser o que somos. Agora, é nossa vez de retribuir. Como dizia um Médico Espiritual em nossos trabalhos: A gratidão é um sentimento que só os grandes seres possuem. Exercitemos essa oportunidade.

A velhice foi rotulada de “a melhor Idade”. Acreditem no sentindo mais profundo e espiritual, é mesmo a melhor idade.

E assim, voltando à Pitombeira do meu jardim. Saibamos aproveitar as estações da vida para nosso aprendizado e para nosso crescimento. Viver é uma dádiva dos Céus!

Assim como nos explicou Emmanuel “Cada existência e cada pessoa tem a sua dificuldade particular, simbolizando ensejo bendito.

Analisa a tua vida, situa teus aguilhões e não te volte contra eles.”

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