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A Sagrada Família – O HOMEM JOSÉ

Em nosso artigo da última semana, demos nossa contribuição para que o homem observe a necessidade de se cuidar, dando ênfase, dado ao mês de novembro azul, ao câncer de próstata. Essa tomada de decisão, além de ser uma demonstração de auto amor, é também uma demonstração de amor pelos que ama. Em nossas reflexões, procuro trazer temas que contribuam com o nosso melhoramento como ser humano, mas, acima de tudo, que possamos seguir, os ensinamentos de Jesus, para que nos tornemos almas melhores.

Seguir os ensinamentos de Jesus, que se baseiam praticamente em “amar como eu vos amei”, ou seja, o amor incondicional, não é uma tarefa das mais fáceis. Falar e praticar. Eis a questão. Deixando um pouco de lado a questão do câncer, no homem ou na mulher, enfermidades que se apresentam, do ponto de vista espiritualista como forma de equilibrar nosso caderninho de créditos e débitos, gostaria também de, nesta reflexão de hoje, falarmos um pouco sobre um homem, como chamávamos a tempos atrás, o Chefe de uma importante Família.

Na maioria de nossas casas, a energia do Natal já vem despontando. A árvore, já pode estar sendo preparada, a ornamentação e iluminação preparados, a preocupação da compra dos presentes muitas vezes influenciados por uma pesada mídia que faz questão de bater fortemente em nós com mensagens subliminares para que compremos presentes, roupas novas e preparemos mesas fartas regadas a bebidas de qualidade, para se comemorar a “chegada do Papai Noel”.

Na verdade, o Natal passou a ser comemorado para a chegada do bom velhinho com sua sacola cheia de presentes. Os filhos, também influenciados por esta mídia, já esperam também seus presentes, claro, dados pelo bom velhinho: gordo, branco e de barba branca.
Será que não estão faltando alguns personagens nessa festa? Ou mesmo, será que a história é essa mesma? Pois bem, resolvemos falar um pouco mais dos personagens dessa família, que o mundo cristão intitula como “A Grande Família” – José, Maria e Jesus. Como me referi anteriormente, vamos trazer algumas informações sobre o Chefe dessa Grande Família – José. Tão pouco se conhece e se fala sobre ele. Como se fosse apenas uma figura decorativa nesta família, cujos membros mudaram a história da humanidade. É claro que não me refiro  apenas a Jesus – mas aos seus pais. Focarei em José como uma forma de reiterarmos nossas reflexões sobre os homens que nos cercam.

Para falar desse Homem, José, bebo da fonte de Miramez, através da psicografia de João Nunes Maia e de Edward Healy Thompson que escreveram a obra “Vida Gloriosa de São José.

Em primeiro lugar, vamos conhecer o José que pela escrita de um Espírito que fala, na verdade, de Maria, mas, introduz em sua vida o José seu companheiro, muito desconhecido de todos nós.

Miramez nos conta ser José-Bem-Jacob de família de camponeses e fazia parte da linhagem de Davi. Do ponto de vista de elevação Espiritual, já muito a havia conquistado. Era um varão que trazia no coração a bondade, a justiça e, nos seus atos de vida. Profissionalmente, dedicava-se à carpintaria que desenvolvia com muita habilidade. Fora um excelente filho e fazia questão de cooperar nas atividades da casa de seus ancestrais.

Desenvolveu atividades que o levaram a conhecer um pouco sobre doenças e as tratava com ervas e orações. No templo de Jerusalém, José prestava serviços no imenso pátio, assistindo os frequentadores com todo amor e carinho. Era grande conhecedor de ervas curativas desde menino, tendo sido iniciado por sua mãe que, além de possuir o dom de curar, aprendera com um velho terapeuta as misturas certas de plantas e o momento exato da colheita. No trabalho que desenvolveu com os essênios (um grupo asceta do movimento judaico antigo) na cura dos enfermos, lhe abriu novos caminhos para desenvolver trabalhos para o bem comum. José já era conhecido pelos sacerdotes do templo de Jerusalém, como homem bom e cumpridor de seus deveres espirituais. Era admirado como homem justo, simples e trabalhador.

Segundo o autor Espiritual, José fora escolhido pelos Sacerdotes do Templo de Jerusalém para ser esposo de Maria, exatamente por estas qualidades. De acordo com os costumes da época, e por ter Maria, assim como ele,  algumas qualidades que não se via na maioria das moças.

Ao ser comunicado pelos sacerdotes que Maria se tornaria sua esposa, José, além de muito sensibilizado, ficou muito preocupado, pois não tinha aproximação com Maria. Após noites de insônia, resolveu procurar a Fraternidade dos Essênios, onde vivera, e falar com um de seus Mestres – Pai Muni, ancião que vivia no Monte Carmelo, em quem José depositava muita confiança desde sua entrada na referida Fraternidade. Maria também tinha ligações com a Fraternidade e sua família também tinha a mesma confiança que José em Pai Muni. Seus pais também, assim como Maria, ficaram preocupados com o casamento com alguém que ela mal conhecera. Mas, Maria teve a mesma intuição de José e pediu a seus pais para procurarem o mesmo ancião para se aconselharem a respeito do assunto.

Apesar da longa distância de Jerusalém até o Monte Carmelo, o caminho era agradável. José não via a hora de chegar para falar com o iluminado ancião. Ao vê-lo, Pai Muni já foi perguntando a José:
“-Quais ventos te trouxeram por estas bandas, antes do dia acertado para tua volta?
-Pai Muni, peço sua benção.
-Levantando a destra em sua direção, o velho disse com alegria no coração:
– Ela lhe é dada, em nome do Todo Poderoso, meu filho! Sentindo-se aliviado José pediu licença para dizer o motivo por que estava ali.

José passa a relatar os acontecimentos e que ficara muito preocupado com a decisão dos Sacerdotes do templo de Jerusalém sob a liderança do Sumo Sacerdote, para que se casasse com uma moça que ele ainda não conhecia.

Antes da chegada de José, o Iluminado já havia “visto” o cenário futuro sobre a chegada do Messias e disse a José: “O nome dela é Maria, a linda moça de Nazaré, não é?” José com o coração tomado de emoção, respondeu que sim, e continuou a falar com José: – “meu filho, se as cogitações superiores lhe escolheram, não deves recusar a mão desse anjo, que veio a Terra somente para amar. Conheço a menina, que já faz parte do meu coração e que Deus a abençoe sempre. Se Deus está te apontando para ser o companheiro de Maria, deixa desabrochar em teus sentimentos as flores da alegria! Se esqueces que, para tanta felicidade, o mundo vai te cobrar caro, encontrarás somente espinhos nos caminhos por onde passares. Prepara-te! prepara-te! E continua o Ancião:

“Em momento algum dá vazão aos sentimentos inferiores, porque a beleza que irás observar por fora, naquela moça, é muito maior por dentro. Ela será a luz do teu caminho eternidade afora”. O sábio ancião ainda orienta José para não se tornar vaidoso por ter companheira tão jovem e de tamanha beleza, mas que ficasse feliz pela misericórdia recebida, de modo que os seus passos sirvam de muitas experiências para a tua alma.

Nosso leitor deve, estar se perguntando, porque trazer tantas informações advindas do mundo espiritual para falar de José? Em primeiro lugar, para desmitificar a figura de um homem que recebe por esposa uma mulher que na linguagem de hoje, “engravida de uma criança, cujo pai ele sabe não ser ele”; em segundo, para demonstrarmos a grandeza da alma desse José, que tão poucos conhecem. E, pela sua fé e sua generosidade, sabia que ao aceitar aquele enlace, não teria uma vida de facilidades.

Quantos homens, na situação de José, seriam tão dedicados e submissos à sua fé, a ponto de confiar naquele Ancião, e se entregariam para uma vida, que ele mesmo não tinha ideia do que viria, mas ao mesmo tempo, se entrega e se torna o ‘Pai de jesus”. Cuidando dele sem importar a questão da filiação de seu filho. Imaginamos nos dias atuais, quantos Josés teriam a mesma posição e a mesma dignidade diante daquela mulher? Nossa visão do que representa o homem José, na história dessa família que mudou o mundo, é de homem com profundas marcas, traduzidas pelo seu amor a Deus. E, como pai de Jesus, um exemplo para ser copiado e, porquê não, admirado.

Falamos até agora do José, esposo de Maria, na nossa visão Espírita, mas se faz necessário trazer também ao nosso leitor, a visão de José para Igreja Católica. Para não nos alongarmos muito, reproduziremos as recomendações aos fieis no culto a São José pelo Papa Leão XIII na sua terceira encíclica sobre a devoção do Rosário:

É tão sublime a dignidade da Mãe de Deus que nenhuma outra coisa maior pode haver. Mas, porque entre São José e a Santíssima Virgem subsistiu o vinculo do matrimonio, não há duvida que ele mais do que ninguém se aproximou da excelsa dignidade pela qual a Mãe de Deus sobressai imensamente a todas as naturezas criadas.

Se Deus deu a São José por esposo à Virgem, certamente lhe deu para que fosse não somente companheiro de vida, testemunha da virgindade, protetor da honestidade, mas também participante da sua excelsa dignidade, mediante o vínculo conjugal.

Igualmente é ele o único que se avantaja a todos os homens em sua dignidade augustíssima, porque foi por disposição divina, guarda do Filho de Deus e, na opinião dos homens, tido por seu pai”.

Para concluir, trazemos ainda o significado, segundo a Igreja Católica da representação dos lírios e do cajado de São José: “O cajado com os lírios por sobre o trono de José representa a virtude da pureza, tão cara ao santo e à Virgem Maria.

Procuramos trazer, neste pequeno espaço, a grandeza de José, aquele que acolheu e amou o filho de Deus e a sua escolhida para a mãe do Salvador, o chefe de uma família que, desde o princípio foi afligida por grandes percalços, e na qual José foi a rocha em que Jesus e Maria podiam se apoiar. Ainda mais, trazer um grande, talvez o maior, exemplo de um homem que sabendo de seu destino o acolhe, e acolhe com grandeza ser esse “coadjuvante” fundamental na história de Jesus e de sua mãe.

Hoje foi José, mas nosso intensão é de trazer a reflexão para o significado não só da Grande Família, mas do que representa a família em nossos dias. Lembrando que ao retornarmos, seremos cobrados: “o que fizeste dos filhos que te confiamos?”. Como estamos conduzindo nossas famílias? Será que o Natal será lembrado por nós, apenas pela noite com uma ceia, e distribuição de presentes, ou lembraremos que estamos comemorando o nascimento de um Homem que mudou a História da humanidade entre antes e depois dele?

Reflitamos, o ser humano está precisando mudar seus conceitos, o bem material é importante, mas precisamos lembrar que, na viagem que faremos de volta, em nossa malinha só constará o resultado de nossas ações e nossos verdadeiros sentimentos.

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