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Requiescat para a Lava Jato

                                

A Operação Lava Jato, que foi deflagrada em 14 de março de 2014 no âmbito da chamada Republica de Curitiba, teve inicio com o propósito declarado de apurar e punir atos de corrupção envolvendo dinheiro público e “deixou de existir” na segunda feira passada, 1° de fevereiro de 2021.

A chamada força tarefa que a  foi vitrine de lançamento do Juiz Sergio Moro e do Procurador Federal Deltan Dallagnol, foi incorporada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – Gaeco do Ministério Público Federal – MPF.

“O anúncio ocorre na mesma semana em que o Ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal – STF, suspendeu o sigilo das conversas entre procuradores da operação Lava Jato e o ex – Juiz Federal Sérgio Moro obtidas na operação Spoofing” e causou um grande mal estar, principalmente no circulo dos atores principais da peça espetaculosa: o ex Juiz Sérgio Moro e  o Procurador Federal Deltan Dalagnnol.

A intenção de coibir corrupção, onde quer que ela ocorra, tem um grande apelo popular e a concordância quase unanime da população, de forma que, em sã consciência, ninguém pode ser contrário a apuração de ilícitos e a consequente punição dos culpados, desde que no processo seja  concedido o  amplo direito de defesa aos acusados e que se esgote todas as instâncias, até o  transita em julgado.

Malgrado, a Operação Lava Jato, nos moldes em que foi conduzida, revelou bem a posteriori, que a pretexto de combate à corrupção, foi montada uma estratégia, para interferir na eleição para Presidência da República, ocorrida em 2018, passando pelo impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, a assunção de Michel Themer e a inviabilização a qualquer custo  de um dos candidatos, com reais perspectivas de vitória. Lula teria de ser preso e considerado réu em tempo Record, mesmo que atropelasse todo rito processual do direito positivo. A trama contou com amplo apoio da imprensa oficial, com a indiferença dos órgãos superiores do judiciário e, o apoio de uma dedicada  milícia digital, regiamente estimulada.

O resultado foi a eleição em segundo turno do deputado Jair Bolsonaro, que teve um tapete vermelho, estendido por um Juiz parcial, a quem caberia apenas julgar e  que estranhamente, passado o processo eleitoral,  acabou virando Ministro da Justiça do Presidente eleito e segundo o que foi depois noticiado, com o compromisso de ser nomeado como Ministro do Supremo Tribunal Federal. 

Essa operação que foi atropelada por denuncias ainda não apuradas, que sugerem um acordo pré – pactuado  se constituiu num incesto.

As revelações pós-eleitorais da trama nebulosa, com fortes indícios de acumpliciamento, clareiam toda nuvem de dúvidas que ainda possam pairar sobre a lisura de toda operação Lava Jato, colocando-a muito mal perante a opinião pública.

                     Sede do MPF do Paraná

As acusações de que foi alvo o Presidente Lula, até o presente momento nos parece que não teve nenhuma prova documental juntada aos autos como prova documental.

Foi baseada em inquéritos policiais no âmbito da Policia Federal, encaminhados ao Ministério Publico Federal sob a direção regional  do  Procurador Federal Deltan Dalagnnol, o qual, pelos áudios divulgados, recebia instruções do Juiz Sérgio Moro de como encaminhar o curso do processo. no que aparenta algo orquestrado, adredemente preparado.

Chegou até a montar uma apresentação cinematográfica utilizando um píer point espetaculoso em forma de mandala, para no final cunhar a frase cínica que proferiu, após ser questionado sobre a ausência de  provas documentais: ‘Não Temos provas, mas temos evidências”

O direito positivo em uso no Brasil, ao contrario do direito anglo saxão que é consuetudinário, exige provas documentais e não evidências.

                           Pier point espetaculoso de Dalagnnol

Todas as provas testemunhais presentes no feito foram obtidas através de delações premiadas de pessoas acusadas, incursas nas acusações e parte  do processo. 

Ao invés de um ato voluntário, as delações somente foram levadas a efeito e efetivadas, em condições psicológicas precaríssimas, com os presos abalados pela comoção da reclusão e numa concordância  obtida com viés impositivo, já que a  prisão somente é relaxada com a celebração do contrato de delação premiada. 

Nessas condições é impossível um depoimento isento que não seja maculado pela ânsia de liberdade de um depoente pressionado.

Duas acusações foram destaques na imprensa e serviram de pretexto para o pedido de prisão de Lula: o Sitio de Atibaia e o Triplex do Guarujá.

No caso do Sitio de Atibaia, Lula foi acusado de receber R$ 1 milhão de propina pela reforma de um Sitio pertencente a Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar amigo de Lula, avaliado na época em R$870 mil.

Houve até uma foto de uma “embarcação luxuosa” que depois foi apresentada como um bote de alumínio barato usado pelos bombeiros. 

O Sitio de Atibaia

                              

Com relação ao triplex do Guarujá, depois comprovadamente pertencente à OAS, trata-se no dizer de Ciro Gomes, de um apartamento cafona, numa praia cafona, que qualquer pessoa da  classe média baixa paulistana pode adquirir. Dois apartamentos por andar, de acabamento modesto avaliado em R$800 mil.

                                                                                       “Um Apartamento Cafona, Numa Praia Cafona”

580 longos  dias de prisão impostos a Lula, que foram   do dia 07 de abril de 2018 a 08 de novembro de 2019. 

                                                                     O interior Do “Luxuoso” Triplex do Guarujá

Nesse intervalo ocorreu a eleição para Presidente da República em 07 de outubro, no ano de 2018 em primeiro turno e em 28 de outubro de 2018 em segundo turno, com a vitória de Jair Bolsonaro e o resto o mundo todo sabe.

O fato é que a espalhafatosa Operação Lava Jato chega ao seu final, sem um único voto de pesar da mídia comprometida, silente, que durante todo tempo do  seu desenrolar, fez parte do corso jurídico-policialesco das prisões matinais. Avisada  previamente pelos arautos da república de Curitiba, dava plantão em frente as residências dos acusados que saiam  presos e algemados, como se bandidos prévios fossem, sem uma queixa registrada, sem uma denuncia formal, sem terem sido sequer citados. Presos preventivamente para prevenir ninguém sabe o que  e, nas masmorras permaneciam até que o seu desespero os obrigasse a sinalizar a decisão de prestar uma  delação premiada.

Essa prática fez escola, espalhou-se pelo Brasil e hoje invadiu os Gaeco dos Estados brasileiro e muitos representantes do Ministério Público Estadual,  à procura de notoriedade, repete a mesma receita de  moer reputações de muitos acusados, sem lhes conceder sequer  o direito ao contraditório..

Jair Bolsonaro, beneficiário direto dessa pantomima jurídico-policialesca, declarou ainda no mês de outubro de 2020, que acabou com a corrupção no governo, dando a entender que a operação Lava Jato não mais  faria sentido no seu mandato.

“É um orgulho e uma satisfação que eu tenho em dizer para essa imprensa maravilhosa que nós temos, que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a lava jato porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude,  é obrigação. Fazemos um governo de peito aberto. Quando indico qualquer pessoa,  para qualquer local, eu sei que é uma boa pessoa tendo em vista a quantidade de criticas que ela recebe em grande parte da mídia” ( não me cobrem pela qualidade  da citação, ela é de Jair Bolsonaro).

A “imprensa maravilhosa” da época estava sendo mandada pelo próprio Bolsonaro para a PQP na semana passada. Sinal dos tempos!

Outro que esta muito  preocupado com o desenrolar dos fatos e desejoso de mantê-los debaixo do tapete é o Procurador Federal coordenador da Lava Jato na República de Curitiba,  Deltan Dalagnnol. Ele manifesta-se contrário a revelação das conversas entre ele e Sérgio Moro onde, entre outras coisas, pede a Deltan Dalagnnol para fazer “contacto direto” com autoridades do Estados Unidos e colocar procuradores em relação a um processo da Lava Jato. estadunidenses para “trabalhar”em cima de uma ação da Justiça

Que trabalho seria esse? no dizer do personagem de Miriam Pérsia na novela Tiêta do Agreste, “Mistéeeeerio? 

Que tipo de “trabalho” seria esse?  junto ao STF? MIstéeeeeerio!

A marcha da quarta feira de cinzas, musica e letra do poetinha Vinicius de Morais, expressa muito bem o artigo que acabamos de escrever.

 

Consulta:www.portal360.com.br;www.portalvermelho.com.br;

Fotografias:www.poder360.com.br;www.correiobrasiliense.com.br;www.portalvermelho.com.br;

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2 COMENTÁRIOS

  1. É uma
    Delícia a leitura desse blog. Além da qualidade das informações e do conhecimento expresso nos artigos. Tudo é feito com uma visão ampla da existência humana e com doses generosas de poesia e musicalidade.

  2. Esse artigo sobre o lavajatismo que se instaurou no país, nos ajuda a compreender como chegamos a ser governados pela milícia carioca e como a manipulação e instrumentalização de duas das instituições mais relevantes para a democracia, o MP e o judiciário desenvolveram um método de criminalizar as esquerdas e destruir suas lideranças.

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