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MARQUISE BRANCA – A vedete caririense.

                                            

Marquise Branca

   Por: Cristina Couto.

A década de 1920 ficou conhecida como Anos Loucos, época de mudanças de valores, da libertação da mulher e das festas grandiosas. Os costumes e vestimentas mudaram completamente, os ritmos africanos influenciaram a música ocidental, o cinema passou a ser o lazer das multidões, os filmes eram mudos e legendados que faziam a narração e o diálogo; a projeção era acompanhada de música ao vivo. Por isso, toda sala de cinema tinha espaço para uma pequena orquestra, ou, no mínimo, um piano.

A sociedade dos anos 20, além da ópera ou do teatro, também frequentava os cinematógrafos, que exibiam os filmes de Hollywood e seus astros, como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. As mulheres copiavam as roupas e os trejeitos das atrizes famosas e o rebolado das dançarinas e seus trajes ousados provocavam alvoroço em suas apresentações.

No Brasil e no Cariri cearense não poderia ser diferente; o gosto pela cultura sempre foi uma característica dos caririenses. As cidades da região passaram a construir aparelhos culturais (cineteatro) com a finalidade de acompanhar o novo tempo. Em Lavras da Mangabeira, o então prefeito, Cel. João Augusto Lima contratou o pompeuense, Isaías Moreira, um mecânico-eletricista, para instalação da tela de cinema e o palco do teatro, oferecendo aos lavrenses as inovações do mundo artístico. 

Naquela década de inovação e inversão de valores tudo se transformava em alegria e festa, surgem às manifestações culturais de rua, e em 1925, acontece o primeiro carnaval de Juazeiro, organizado por Floro Bartolomeu da Costa. No Bloco das Bananas uma menina com pouco menos de 15 anos se destacou pelo seu jeito descontraído e pela fantasia criativa e chamativa, Albertina Brasileiro era seu nome de batismo. 

                       

Albertina desde criança já mostrava talento para as artes cênicas. E, em 1927 chegou a Juazeiro a Companhia de Teatro Conceição Ferreira, que traria nomes afamados no Brasil e na América do Sul. Como: Conceição Ferreira, Affonso Moreira e Aluísio Campelo, este último casou-se com Irma Brasileiro, irmã de Albertina.

O talento como atriz, o trejeito no rebolado e figurino exuberante levou Albertina Brasileiro para os palcos profissionais. Encerrada a temporada no Juazeiro ela seguiu viagem com a Companhia. Seu cunhado deu-lhe o nome artístico de Marquise Branca. As apresentações teve sempre Marquise como atração principal. 


Sua fama corria longe e nos anos que se seguiram Marquise Branca se apresentou em toda região do Cariri e no Estado Do Ceará. Foram muitas suas apresentações no Cineteatro de Lavras, atraindo muitos expectadores para verem seu requebrado, as nuances de suas pernas e sua doce voz que cantava músicas apaixonadas e saudosas. Como: Lencinho Branco: que será, será.  

                                

(Clique aqui)https://youtu.be/XWO9qMsVg3E

Essa famosa bailarina apresentou-se muitas vezes em Lavras, atraindo os homens para ver o espetáculo. Era grande a expectativa na cidade, os homens ficavam curiosos para verem a saia rodada e as belas pernas da atriz; as esposas enciumadas também não tinham outro assunto. Marquise Branca mexia com os corações. 


Hoje, em reconhecimento a grande e talentosa vedete, o prédio do antigo matadouro de Juazeiro foi preservado e transformado em Teatro e tem o nome de Teatro Municipal Marquise Branca.

Em 2014, ouvi o relato da memorialista Neide Freire  que muita saudade reviveu seus doces momentos da infância na cidade que ela tanto amava. Com o olhar e o pensamento distante puxou um longo suspiro de saudade e comentou:

Ainda criança e curiosa ficava sentada no chão e ao pé da máquina de costuras de minha mãe, ouvindo as reclamações das esposas ciumentas e incomodadas com a presença de Marquise Branca em Lavras. Era um verdadeiro alvoroço e o comentário da pequena cidade. (Freire, 2014).

As tardes em companhia da amiga Neide não tinha preço, seus relatos fecharam muitas lacunas na história de Lavras. Sua despedida da vida foi uma grande perda para nós lavrenses que a conhecemos de perto e desfrutamos da sua amizade. A ela se aplica o provérbio chinês: Quando um homem morre é como se uma biblioteca inteira se incendiasse.


Fonte: Revista do Cariri: Cultura e Arte.

Raimunda Neide MoreiraFreire, nasceu em Lavras da Mangabeira, 23 de maio de 1924, filha de Isaias Moreira e Laura de Oliveira Moreira. Professora, poetisa, memorialista e escritora. Membro Efetiva da Academia Lavrense de Letras, Primeira Ocupante da Cadeira Nº 3, que tem como Patrono Filgueiras Lima e como ocupante atual João Vicente Machado Sobrinho. 

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9 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia! Nasci em Lavras e ali vivi 19 anos. Durante este período nunca ouvi falar da artista Marquise. Tomei conhecimento da sua história a aproximadamente, 8 anos atrás em uma das minhas idas a Lavras via Juazeiro do Norte quando Cristina Couto me mostrou o teatro que levou o nome da Marquise Branca. Bela história resumida da Marquise. Parabéns!
    Émerson Férrer.

  2. Muito bom este trabalho. Eu não conhecia esta bailarina. A Cristina Couto é uma grande pesquisadora. Parabéns para ela.
    Dra. Gláudia Mamede.
    Presidente da ACCLARJ.

  3. Boa noite Cristina, excelente matéria, vice tem o dom de escrever, a gente se sente como se estivesse vendo os acontecimentos. Ó brigado por relembrar minha saudosa e meu querido avô e padrinho. Fique com Deus. Freire Filho.

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