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Alivio Providencial de Carga

  Por João Vicente Machado

Dizem que quando uma embarcação tem excesso de carga, o bom senso dos comandantes navais recomenda lançar o excedente de bagagens ao mar, para equilibrar o peso e permitir uma navegação tranquila.

Assim também acontece na vida e principalmente na política, pois quando uma “carga é pesada,” necessário se faz eliminá-la, mostrando à opinião pública o “restabelecimento da ordem, doa a quem doer”.  No caso a ordem de classe é claro!

Tem sido assim ao longo do tempo e é uma forma encontrada pela classe dominante, para eliminar o fardo indesejável, mantendo a credibilidade no status quo, como ocorreu com Lech Walesa, Presidente do Sindicato Solidarnosc. do estaleiro de Gdansk na Polônia.

 Lech Walesa


       Walesa foi uma liderança criada pelo Papa João II, polonês de nascimento como ele, que recebeu a missão de desestabilizar o Leste Europeu, começando pela Polônia, país de Karol Wojtyla como já frisamos.

O Sindicato Solidariedade, graças à imprensa oficial do ocidente, tornou-se mundialmente conhecido, simpático e admirado, inclusive por dirigentes sindicais e expoentes dos partidos brasileiros ditos de esquerda, que passaram a renegar o socialismo revolucionário e embarcaram   no revisionismo socialista onde alguns ainda se encontram.

Usavam camiseta com o nome estampado em vermelho: SOLIDARNOSC e exibiam como um troféu de um bom revisionista, admirador do socialismo modernoso que eles inventaram,  para  não desagradar os revolucionários por um lado e torná-lo palatável aos grupos econômicos  e  financeiros por outro lado, eles  que são os verdadeiros donos do poder.

Aqui na Taba Potiguara Paraibana, tivemos alguns casos parecidos, onde uma  liderança carreirista emerge do seio do povo, se notabiliza pelo discurso envolvente, mas submetida ao establishiment com um arrivismo subserviente. Depois de usado torna-se inútil, e incômodo e dispensável, passível de ser retirada de cena e lançada na vala comum do lixo da história, para não “sujar” o ambiente e não comprometer os mentores.

Aqui no Brasil na esteira da  eleição de Bolsonaro veio  junto com ela um grupo de governantes  estaduais reacionários e muito  conservadores, representantes de estados economicamente poderosos, tais  como:  Rio Grande do Sul,  Paraná,  São Paulo  Rio de Janeiro  e  Minas Gerais, que aparelharam esses estados a serviço  dos humores do projeto antinacional de Bolsonaro.

Agora, que o navio do estelionato eleitoral começa a vazar água sob ameaça de adernar, chegou a hora de aliviar a carga  indesejável, lançando o excedente  ao mar do esquecimento, ou entregando-o aos “cuidados” dos tubarões da justiça, para serem punidos exemplarmente, “doa a quem doer.”

Wilson Witzel, um advogado e fiel aliado do ideário bolsonarista, era um  ilustre desconhecido que surgiu dizendo o que o carioca apavorado com a violência  queria ouvir, no estilo Xerife,  prometendo “limpar” o Rio de Janeiro e transformá-lo num  paraíso terrestre.

                         Wilson Witzel -Governador do Rio

Apresentou-se com uma pistola debaixo da toga de Juiz de Direito e com um discurso moralista tornou-se o xerife que embarcava em helicópteros para metralhar indistintamente e com isso ganhou notoriedade e apoio popular para limpar rapidamente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, tornando-a um verdadeiro paraíso terrestre. Essa  atitude beligerante  viraria moda, a ponto de fazer escola  e contagiar muita gente, inclusive a classe pobre que foi terceirizada para fazer o serviço sujo.

Pois bem, ontem foi noticiado que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou o impedimento do governador Wilson Witzel por prevaricação e ao que parece  perderá o mandato. Consta que ele haveria se indisposto com o clã bolsonariano, caindo em desgraça junto ao olimpo, que agora pretende aliviar a carga moral lançando-o ao mar do esquecimento, sem nenhuma boia de salvação e sem o mínimo de reconhecimento pelos “serviços prestados” ao  estabilishment.

A história registra vários casos de punição de serviçais da dominação pelos próprios dominadores aos quais serviam, senão vejamos:

01-Lech Walesa: em entrevista concedida à revista carta maior, em outubro de 2011, Walesa revela que: ”deixou de lutar pelos interesses dos trabalhadores e começou a defender os do capital, enterrando neste caminho toda ideia de solidariedade social.”

Essa sua manifestação, além de outras que proferiu no seu alinhamento com o capitalismo, acabou levando-o à presidência da Polônia e findo um mandato medíocre e já sem utilidade para o sistema, ele foi jogado ao ostracismo. 

Pleiteou o retorno numa eleição presidencial posterior em que pleiteou novamente o cargo de presidente, obtendo apenas 1% dos votos. 

Hoje vive anônimo no porto de Gdansk, ignorado pelos antigos companheiros  purgando o seu equívoco político e pelo que se noticia  entregue ao alcoolismo. 

02-Carlos Frederico Werneck de Lacerda: tinha como pai, o político e tribuno Mauricio de Lacerda, com atuação na cidade de Vassouras no sul fluminense. O pai, por ironia do destino colocou esse nome no filho para homenagear os pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels. 

Carlos Lacerda iniciou-se na política como vereador e teve uma carreira ascendente, passando por deputado federal, até chegar ao Governo do então Estado da Guanabara. 

No início da carreira fez parte do PCB, antes de aderir de mala e cuia à extrema direita, por volta de 1939, já como Deputado Federal e orador talentoso, foi o regente da chamada Banda de Música da UDN, que era o tormento dos governos do PSD/PTB. 

                

                             Carlos Lacerda


É apontado como o principal responsável pelo suicídio de Getúlio Vargas em 1954, e um dos conspiradores civis do Golpe Militar de 1964, do qual foi logo proscrito. Chegou a ser preso e por mais uma ironia do destino dividiu a cela da prisão com o compositor/ator Mário Lago, que houvera sido seu correligionário no PCB. Depois disso jogado no ostracismo pelo Generalato que apoiara, até a sua morte.

03-José Anselmo dos Santos, o famoso Cabo Anselmo: foi um militar infiltrado como espião, que comandou a Revolta dos Marinheiros no período que antecedeu ao golpe de 1964.

Denunciou vários marinheiros que foram presos e torturados e nesse meio envolveu  até a sua noiva que foi presa e depois morta em consequência dos maus tratos a que foi submetida. Depois disso sumiu de cena e  há quem diga que vive escondido,  sob anonimato e chegou até a requerer anistia e equiparação salarial projetada por promoções que não teve e  que lhe foi negada.

Agora sob o signo de Bolsonaro, um admirador do torturador Brilhante Ustra, pode até conseguir seu intento para  continuar nas sombras como mais um lixo da história.

                       

                               Cabo Anselmo

Alea, Jacta Est! A Sorte Esta lançada!

Consultas:Câmara dos Deputadps.www2.câmara.leg.br/BiografiaCarlos Lacerda.

Fotografias:noticias.band.uol.com;jornalggn.com.b;blog.correiobrasiliense.com.br.

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