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Ode ao Dous de Julho

                   

Há dias passados escrevemos um texto sobre um mazombo português da época do império, amigo de esbórnia de D. Pedro I, de nome Francisco Gomes da Silva, codinome Chalaça. Falávamos também da polêmica sobre a proclamação da independência do Brasil e a nuvem que sempre  pairou sobre os fatos, e as  interrogações que ainda hoje perduram. 

Para o texto de hoje, pinçamos quatro estrofes do poema que  lhe empresta o   titulo, de autoria do imenso  poeta Antonio de Castro Alves, onde ele celebra eufórico, junto com todo povo da  Bahia, a data considerada por eles como  comemorativa da verdadeira independência do Brasil.
Castro Alves
Foi uma luta renhida que estendeu-se de 15 de fevereiro de 1822 até 02 de julho de 1823, ocasião em que os portugueses foram expulsos de Salvador, nove meses após a proclamação oficial da república do Brasil. A data  é considerada com muita justiça a consolidação da verdadeira independência do Brasil como uma  conquista,  nunca como uma dádiva,  fruto obtido  de uma luta heroica  do povo baiano.


Mulheres heroínas baianas juntaram-se aos combatentes e destacaram-se pela coragem, a destreza e a bravura: Maria Quitéria, Maria Felipa, Joana Angélica, alem do Corneteiro Lopes, entre outros tantos  heróis que  são merecidamente reverenciados e homenageados nesse dia. 

Maria Quitéria
Maria Felipa

Joana Angélica










Conheço vários amigos baianos que foram tomados por uma indignação plenamente  compreensível, por não se conformarem com a mudança de nome do aeroporto internacional da Bahia, ate bem pouco tempo chamado  aeroporto internacional dois  de julho, que passou a ser chamado aeroporto Luis Eduardo Magalhães, o que soou como um ato insano que rasgou  a história da Bahia.

Na boa terra houve a mudança apenas no nome do aeroporto, fato que revoltou muita gente e mantém acesa a chama da indignação sempre a sugerir uma campanha que reponha a história, fazendo com que o nome aeroporto retorne  ao nome original. 

Aqui na nossa Paraíba aconteceu algo parecido, porém de maior extensão. 

Por conta de um crime meramente passional, foi mudada  alem   da   bandeira do estado,  o nome da capital de nome Parahyba, em uso há mais de 250 anos.

Há quem diga que no nosso caso tivemos um prejuízo histórico de maior monta e  muita gente tem o propósito de lutar, para  que a nossa história se restabeleça. 



“Era no Dous de Julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia…
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
“Neste lençol tão largo, tão extenso,
“Como um pedaço roto do infinito…
O mundo perguntava erguendo um grito:
‘Qual dos gigantes morto rolará?!…”

“Não! Não eram dous povos, que abalavam
Naquele instante o solo ensanguentado…
Era o porvir – em frente do passado,
A liberdade – em frente à escravidão,
Era a luta das águias – e do abutre,
A revolta do pulso – contra os ferros,

O pugilato da razão – contra os erros,
O duelo da treva – e do clarão!…”

“Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço… e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina:
Eras tu – Liberdade peregrina!
Esposa do porvir – noiva do sol!…”

“Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sagravas a Colúmbia terra,
Sagravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide
Formada pelos mortos do Cabrito,
Um pedaço de gládio – no infinito…
Um trapo de bandeira – n’amplidão!…”

 João Vicente

Fonte de pesquisa

Foto Castro Alves: pt.wilkpedia.org
Foto Maria Quiteria: Criador: Andre Olavo Leite

Foto Maria Felipa: Geledes.org.br

Foto bibliografia Dois de Julho: Biblioteca Virtual Consuelo Ponde

Foto Entrada do Exército Libertador em Salvador: Guia Geográfico- História da Bahia                     


                                      

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1 COMENTÁRIO

  1. A história do Brasil é rasgada e jogada no lixo toda vez que um insano vaidoso assume o poder. Um caso recente aconteceu em Lavras. o
    Ontem o Mercado Público perdeu o nome do seu construtor para a vaidade do prefeito que o substituiu pelo o nome do seu pai, nada contra o cidadão em questão, só não vejo nenhum feito para tamanha homenagem. E assim, estão apagando a memória brasileira. Lamentável.

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