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Francisco Gomes da Silva – Chalaça

Por: João Vicente Machado
De origem tratava-se de um  português filho de uma relação extraconjugal de um nobre da corte, de nome Francisco Rufino de Sousa Lobato que foi Barão e Visconde.

Acossado pela mulher ele deportou  a amante para a África e terceirizou a criação do menino Francisco a um protegido seu  a troco de dinheiro, fazendo-o registrar o garoto como filho legítimo.

O menino Francisco, depois de uma passagem pelo seminário de Santarém, aprendeu quatro idiomas que falava fluentemente, ajudado por uma caligrafia impecável  que virariam instrumentos de trabalho e o ajudariam nas suas peripécias  para o resto da vida.

Sabedor da fuga da corte portuguesa para o Brasil, ele que não era vocacionado para o sacerdócio e estava prestes a virar padre, brigou com o reitor do seminário e  fugiu em seguida, sendo  preso durante a fuga e acusado de espionagem. 

Prestes a ser executado, conseguiu fugir dirigindo-se ao cais de Lisboa e junto com o pai adotivo o ourives da corte, Antonio Gomes, conseguiu se infiltrar numa das embarcações que conduziriam em torno 15 mil portugueses que fugindo  de Napoleão  se lançaram ao mar com destino ao Rio de Janeiro, onde desembarcaram em 1808.

Chalaça caiu na gandaia e nas noites boêmias e  não tardou a se aproximar de D. Pedro I que também era “do ramo” e terminaram virando amigos inseparáveis. 

Nesse modus  vivendis não  tardou a se aproximar do Palácio da Quinta da Boa Vista e por intermédio de D. Pedro I ganhou um cargo de Moço de  Reposteiro bisbilhotando e prestando  “servicinhos reservados”, ao Príncipe Regente.


Como ainda hoje acontece, inclusive aqui na taba paraibana, o fuxico no âmbito da corte também  era intenso e era usado como instrumento de trabalho. Nesse ambiente que lhe era familiar o Chalaça não tardou a ser nomeado Juiz da Balança da casa da moeda e virou o amigo mais intimo  de D. Pedro I.

Ele que já não tinha a simpatia de D. Carlota Joaquina que observava e reprovava seus métodos, foi flagrado pelo próprio D. João VI, completamente despido em companhia de uma das damas de honra da corte, tendo como consequência a sua expulsão do palácio com ordens expressas de ser mantido a 10 léguas de distância,  até o seu verdadeiro pai que era Visconde  interceder   por ele junto a D. João VI e  conseguir reabilitar lhe.

O Chalaça que era aventureiro por excelência, logo se envolveu em outro imbróglio, desta feita com o Príncipe D. Pedro I, ao manifestar a intenção de acompanhar a comitiva de D. João VI de volta a Portugal. Ele tinha o espírito mazombo tão  bem definido por Machado de Assis em Dom Casmurro. Ou seja, desejava amealhar fortuna e retornar a Lisboa.

O Príncipe sentiu-se traído pelo companheiro de farras e esbórnias, mas como dependia dele para escrever seus artigos, preparar seus discursos alem prestar-lhe “outros serviços” junto às belas  mulheres, onde a mais sedutora e fascinante delas  era Maria Domitila de Castro Canto, que viria a se tornar amante oficial de D. Pedro com o título nobiliárquico de Marquesa de Santos. Com todos esses   predicados o Príncipe resolveu incluí-lo na comitiva  que empreenderia viagem à  São Paulo, que culminou com o polêmico grito de independência.

A Marquesa viria a morar no Rio de Janeiro e logo foi nomeada pelo próprio D. Pedro I como dama de honra da Imperatriz Leopoldina que engoliu a desfeita    a contragosto e  calou-se para evitar um escândalo maior. 

Depois e à medida que o envolvimento aumentava, foi confortavelmente instalada numa casa a poucos metros do Palácio Imperial.


O Chalaça com o auxilio da Marquesa de Santos trabalhava para desestabilizar e desprestigiar o estadista  José Bonifácio de Andrada e Silva,  espécie de conselheiro de  D. Pedro I e  posteriormente tutor de D. Pedro II, que  era  um empecilho aos  interesses do grupo palaciano.



O  Chalaça organizou um gabinete particular com poderes de ministério que era chamado à época de: Conselho Secreto, Camarilha Palaciana,  entre outros adjetivos à semelhança do Gabinete do Ódio hoje instalado no Palácio do Planalto, e em outros Palácios da federação, com a história se repetindo como farsa.
Com a morte da Imperatriz Leopoldina D. Pedro I teve de se desfazer do entourage palaciano,  pois nenhuma lorde europeia o aceitava  como esposo pela sua fama de promiscuo. O Chalaça ainda foi à Europa pedir a mão da princesa filha do Rei Luís Felipe de Orléans e foi escorraçado,    até que o Visconde de Barbacena conseguiu a aceitação da corte austríaca e de lá ele trouxe D. Amélia de Leuchtenberg.

Deportado e doente o Chalaça morreu em Lisboa em 1852.

Toda essa narrativa é uma prova inconteste que os mudaram as moscas, mas o pirão é o mesmo, e Karl Marx mais uma vez tem razão quando afirma que “a história só se repete como farsa”

Referências; bandeirantes e pioneiros, Viana Moog;o elogio do viralatas, Eduardo gianneti;dom casmurro machado de Assis, cronologia: google 
Fotografias:UOL;jornalopção.com.br

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5 COMENTÁRIOS

  1. Anosas intenção foi mesmo provar que Marx tinha razão, a história só se repete como farsa. E a gente enxerga que em duzentos anos quase nada mudou. E nem poderia pois o estado é o mesmo.
    Repito, mudou-se as moscas mas o pirão é o mesmo!

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