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A era da incerteza

  Por: João Vicente Machado
 
    O título acima não é meu. Ele é de autoria de John Kenneth Gralbraith que tornou famosa uma produção elaborada e produzida por ele para a BBC de Londres em 1973, logo após o escândalo de Watergate. Era um seriado que posteriormente viraria livro e em 1986 já estava na 5ª edição, revelando a enorme aceitação da obra, cuja leitura eu recomendo.

    O programa começou a ser gravado logo após aquele escândalo famoso, o qual terminaria levando Richard Nixon a renuncia da presidência dos Estados Unidos para evitar um impeachment.

    Gralbraith foi um economista, filósofo, diplomata, político, professor universitário, escritor e consultor.

    Nascido no Canadá em 1908 e falecido em Cambridge em 2006, sofreu forte influência de John Maynard Keynes e em menor intensidade de Karl Marx. 

  Em 1 937 tornou-se cidadão dos Estados Unidos e como conselheiro econômico e amigo do Presidente John Kennedy, terminou sendo nomeado para a embaixada da Índia entre 1961 e 1963.

  O seu denso currículo dispensa a necessidade de mais apresentações que provem que Galbraith não era comunista nem filiado ao PT. 

John K. Galbrith
     Logo no inicio do seu famoso livro, o autor nos chama a atenção para a seguinte assertiva: “seria melhor não fecharmos os nossos olhos demais diante da ideia de interesses escusos. As pessoas têm uma tendência pertinaz de proteger seus bens, de justificar o que desejam possuir. E por isso sua tendência é de ver como certas as ideias que servem a esse propósito. As ideias podem ser superiores aos interesses escusos. Mas com muita frequência podem também ser produto de interesses escusos”.

    Nunca vi tanta semelhança com o que nós assistimos nesse final de semana que passou, aqui no nosso Brasil e que o movimento inercial espalhou até o dia de hoje.

    Quando Montesquieu propôs a separação dos poderes em executivo, legislativo e judiciário, o fez para retirar de uma mão única, toda força de mando que era a prática absolutista do século XVII e que ocorreu na França, Espanha e Portugal, pra citar os mais importantes. 

    Nessa época o andar de baixo não suportava mais o peso do andar de cima e ameaçava derrubar a torre da exploração. Então foi mais fácil ceder parte dos anéis para preservar os dedos e isso a burguesia sempre repete.

    Esse foi o cenário da Europa medieval e serviu de paradigma até os dias atuais onde os poderes exibem fraturas expostas e contradições irreconciliáveis escondidas pelo manto de instituições democráticas.

    Aliás, no Brasil parece que tudo ocorre de forma retardada. O escravismo, modelo econômico que vigoraria como hegemônico até o século V d.c foi utilizado no Brasil colônia pela coroa portuguesa, para viabilizar e economia agrária de forma preconceituosa e cruel contra a raça negra, plantando um preconceito racial ainda hoje reinante.

    A proposta de Montesquieu, juntamente com o iluminista Jean Jacques Rousseau, era um governo “único” composto por  três poderes ditos independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário  ilustrado na figura seguinte:
   A rigor essa divisão tripartite acomoda interesses até o ponto em que eles são conciliáveis.  Absorvem e mantêm a superestrutura do estado capitalista abrigando nas suas entranhas o poder ideológico e o poder coercitivo, ou seja, o que constrói o fetiche e o que impõe à força o domínio de classe.

    Assistimos no final de semana passado e continuamos pelo  efeito inercial a  assistir  o presidente da república agredir as outras duas instancias de poder, as quais não esboçam nenhuma reação de protesto exigindo respeito e limites às ameaças veladas de retrocesso, que vêm se tornando cada vez mais frequentes. 

    É a isso que estamos vendo, que chamam de democracia?
Estamos vivendo uma nova era da incerteza, ou continuando a anterior?

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