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Um Baião na festa do Oscar

Por: Flávio Ramalho de Brito
     A revista norte-americana Billboard, criada em 1894 e ainda em circulação, foi durante décadas a “bíblia” da música popular dos Estados Unidos, e porque não dizer de todo o mundo. A partir de 1940, a revista começou a publicar uma lista das músicas que eram mais tocadas e vendidas. Essa relação sinalizava para a indústria fonográfica as preferências e os gostos do mercado consumidor. 

    Durante os 80 anos em que o ranking da Billboard vem sendo divulgado, apenas uma música brasileira conseguiu alcançar o topo da lista da publicação. Apesar do seu grande sucesso nos Estados Unidos, com dois milhões de discos vendidos, Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Morais, somente conseguiu atingir, em julho de 1964, a quinta colocação. O brasileiro que mais se aproximou do topo, com um terceiro lugar, foi Sergio Mendes e sua banda Brasil’66 com a sua versão de The Fool on the Hill, dos Beatles. 

   Mas, no início de julho de 1952, uma música brasileira assumia a liderança da Billboard. Diferentemente de Garota de Ipanema, mantinha seu título em português. Era um baião muito simples, que não tinha, sanfona, triângulo nem zabumba e fora composto, não por um nordestino, mas por um carioca. A música, que era instrumental, havia sido gravada no ano anterior pelo seu autor, o cavaquinhista Waldir Azevedo (compositor também de Brasileirinho e Pedacinhos do Céu), sem maiores expectativas. Foi colocada apenas para completar um disco com duas músicas, sendo a outra a que Waldir Azevedo fazia fé. 
                                    

          O baião, com o título de Delicado, obteve grande sucesso no Brasil, ao ponto de Waldir Azevedo comentar, em uma entrevista dada ao Diário Carioca, que as suas apresentações no Nordeste, na época, causavam grande furor, dizendo que “Quando estive em Campina Grande para a inauguração da Rádio Caturité só faltou sair tiro”. O sucesso de Delicado se alastrou por toda a América Latina, o que fez com que a música chegasse ao conhecimento do maestro e arranjador Percy Faith, que a gravou com a sua orquestra. A gravação de Delicado feita por Percy Faith foi um sucesso mundial. Waldir Azevedo contava que numa excursão que ele fez pelo mundo árabe, ao comprar uma singela caixinha de música, teve a surpresa de estar lá registrado o seu Delicado.

    Mas o que tem a ver o baiãozinho de Waldir Azevedo com a cerimônia do Oscar de 2020? Simples. Um dos filmes que vão participar da premiação é O Irlandês (The Irishman), de Martin Scorsese, com Robert de Niro, Al Pacino e Joe Pesci. E na excelente trilha sonora de O Irlandês está lá, firme e forte, depois de 67 anos, como eu, o Delicado de Waldir Azevedo, na versão da orquestra de Percy Faith que atingiu o topo da Billboard em 1952. Mas essa não é a primeira participação do Delicado no cinema. Em 1954, a música fez parte de Terza Liceo (no Brasil: Onde a vida começa), filme do italiano Luciano Emmer. Delicado teve, nos Estados Unidos, outras gravações além da de Percy Faith, dentre elas uma feita pelo prestigiado band-leader Stan Kenton.
         Waldyr Azevedo – Delicado (gravação de 1952)


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