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Quase enterraram vivo um Mestre do Frevo.



Bom Jardim, município do agreste de Pernambuco. Anos finais do século 19. Numa sala silenciosa e triste velava-se o corpo de uma criança que acabara de falecer. Colocado num pequeno caixão forrado de morim azul, conforme mandavam as tradições nordestinas da época, o “anjo” jazia rijo e inerte. De repente, para assombro daqueles que se encontravam no local, o menino tornou, pedindo comida, como se estivesse estado, nas últimas horas, apenas em um sono profundo e reparador. O espanto e o pavor dos presentes se transformaram, logo em seguida, em incontido contentamento. O fenômeno que ocorreu poderia ter sido o que a literatura médica chama catalepsia ou algo do gênero. A alegria pelo “renascimento” do menino parecia prenunciar a música que, anos depois, ele iria produzir, a maior parte dela destinada a ser tocada na mais alegre das festas brasileiras: o carnaval. A criança renascida, que chamava-se Levino Ferreira da Silva, carregaria o episódio da sua “ressurreição” para o resto da sua vida, através do apelido que lhe colocaram: Vivo.

Levino Ferreira, ou Vivo, como ficou conhecido, nasceu e cresceu em Bom Jardim, Ainda menino, aprendeu os rudimentos musicais e fez suas primeiras composições. De componente da banda de música local passou, em pouco tempo, a seu regente. Suas habilidades musicais levaram-no a ser requisitado como mestre de banda das cidades vizinhas. Depois, mudou-se para Limoeiro, onde foi regente da banda da cidade. Levino Ferreira em Bom Jardim, e depois em Limoeiro, também teve atividade na imprensa local, editando jornais nas duas cidades. Em 1936, transferiu-se para Recife e foi contratado pela PRA-8 Rádio Clube de Pernambuco. Na capital pernambucana, continuou trabalhando como músico e professor de música e ingressou na Orquestra Sinfônica de Pernambuco como solista de um instrumento que tinha poucos conhecedores na cidade, o fagote.



Desde o tempo em que morava no interior, Levino Ferreira, o Mestre Vivo, já fazia seus primeiros frevos, mas foi com a sua mudança para Recife que despontaram as suas músicas mais conhecidas, que o levaram ao patamar dos maiores nomes do gênero, como Nelson Ferreira, Capiba, José Gonçalves (Zumba), irmãos Valença, dentre outros. Levino Ferreira também compôs peças sinfônicas que foram elogiadas por Villa-Lobos e Guerra Peixe.

No carnaval de 1950, Mestre Vivo lançou duas músicas que podem servir como amostra da sua obra: Lágrimas de um Folião e Último Dia. Músicos, pesquisadores e críticos musicais escolheram Último Dia como o melhor frevo feito no século passado. Há cinquenta anos, Mestre Vivo derrotou, mais uma vez, a morte. Tornou-se, com a sua música, imortal.

Se você conseguiu ler este texto até aqui e não quiser passar por ignorante quando lhe falarem de Levino Ferreira, o Mestre Vivo, assista aos vídeos curtos colocados em seguida pois, tenho certeza, não vai se arrepender:

Lágrimas de um Folião – Spok Orquestra, Otávio Bastos, passista.



Último Dia – Maestro Spok, sax, e Quinteto da Paraíba.

Flávio Brito
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