Ambiente heterogêneo e propósito unificado

Por: Mirtzi Lima Ribeiro

Em que mundo nós estamos? Alguns alcançam significados universais, uma visão abrangente sobre o outro, suas vicissitudes, dificuldades, superações, potencialidades, além de enxergar também, um espaço generoso onde podem caber ampliações e aprendizados. O outro, assim como ele próprio, são percebidos como seres semelhantes em processo continuado de crescimento interior, aptos a realizações venturosas e virtuosas.

Entretanto, ao nosso lado também circulam aqueles que só conseguem enxergar o seu próprio umbigo, e mesmo assim, mantendo um olhar embaçado, míope, fracionado e disforme. Não se reconhecem pelo que são ou por aquilo que incorporaram de nocivo e de facciosismo. Para estes, o outro será sempre uma ameaça, alguém a ser vencido, sobrepujado e desqualificado, contanto que esses vis analistas se sintam superiores.

Assim se formam os grupos de supremacistas, as bolhas ideológicas, os apontadores de erros alheios que usam uma trave nos próprios olhos para não ver o quanto são pedantes, desestruturados, impiedosos, caluniadores, falsos, hipócritas e equivocados. Jesus Cristo já havia descrito esse tenebroso arquétipo do reino humano. Eu não seria tão gentil e os chamaria de inumanos. Mas, Cristo foi magnânimo com esses incautos, dando-lhes a chance para que venha a se regenerar e reeducar naqueles seus comportamentos nocivos no viés de seus ensinamentos.

O ponto chave é que essas criaturas andam por aí empavonadas, se achando a última bolacha do pacote, a única gota d’água no deserto, a carta na manga das jogatinas de cassinos, arrotando ignorância e se autoproclamando como se fossem gente de alto quilate. Mas, mentem, disfarçam sua insensatez e burrice, achando que são o máximo. Alimentam-se do lixo e de desinformação como se fossem verdade ou tivessem qualidade, usando essas distopias para destilar seus ódios vorazes. Vestem-se de modo a esconder seus tentáculos e seus venenos. Mascaram-se para não mostrarem sua verdadeira face, carregada de ressentimentos e de ignomínias.

A grande esperança, então, recai naqueles que foram descritos no início do presente texto, que coincide com aqueles que pensam, que se enxergam com senso de realidade, que não se acham nem abaixo nem acima dos demais mortais e que se aperfeiçoam na generosidade de alma, que originalmente se encontra latente na humanidade, tanto quanto é com uma semente que precisa ser ativada para germinar sob o solo, crescer e se firmar para mais tarde gerar florestas, pomares e dar seus frutos ou flores.

E é esse grupo que tem a capacidade de fazer a diferença: no comportamento, nos hábitos, nas ações particulares e gerais, no convívio e nas transformações necessárias que precisam ser realizadas e alinhadas com o pensamento e um entendimento de vanguarda. Éramos poucos, mas, engrossamos as fileiras de voluntários para empreender as transformações necessárias. Nos alinhamos a quem pensa de igual modo e isso potencializa a nossa força e determinação.

E que pensamento carregamos conjuntamente? Um conceito de vida e de seres humanos sob a perspectiva de que, apesar de sermos diferentes, heterogêneos e com níveis de entendimento difusos entre si, podemos funcionar como irmãos, parceiros cooperativos, como potencialmente aptos a associações proveitosas, de modo que possamos gerar e agregar o melhor que temos dentro de nós em benefício do todo.

Com pessoas que pensam e agem nesse viés construtivo e agregador, que respeitam as diferenças, e cujos diferentes podem abrir leques de entendimentos, ampliando a percepção e as concepções, sempre será possível se engajar, se irmanar, estabelecer parcerias, trabalhar em conjunto, somar e multiplicar as potencialidades das quais dispõem.

Com esse grupo de pessoas, será primoroso compartilhar talentos e forças com o objetivo de alavancar entendimentos, concretizar projetos, com consequências benéficas à sociedade com um número cada vez maior de beneficiados.

São esses indivíduos que forjam o ouro do comportamento e do verdadeiro companheirismo, que visam à união daqueles que mesmo sendo diferentes, que conseguem se complementar mutuamente, estando cada um oferecendo sua capacidade e expertise, sua visão e seu alcance. O conjunto de integrantes desse grupo de mente arrojada e de espírito determinado, moverão o mundo para um patamar mais aquilatado, mais construtivo, mais exigido para a maioria e para o todo.

É isso que o Brasil precisa para os próximos tempos que se avizinham, especialmente com eventos dramáticos provocados pelo fenômeno do El niño às nossas portas. Por esse motivo, o mais importante é ser mais um que se integra ao grupo que neste pleito de outubro, vote em uma bancada progressista e de vanguarda para o Congresso, assim como a reeleição do presidente Lula. Precisamos alavancar mais e mais o nosso país e só assim conseguiremos dar passos nessa direção. O ambiente pode ser heterogêneo, mas, precisamos unificar o nosso propósito.

 

 

“Quando a diferença deixa de ser fronteira e se torna contribuição, o bem comum começa a existir.”

Curadoria – Gorette Wanderley

 

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