Tempos voláteis

Por: Mirtzi Lima Ribeiro

Se tomarmos uma sequência de vários períodos trilhados pela humanidade, observamos que há fases e fases, que se mostram bem heterogêneas em relação a cada grupo de seres humanos no decorrer de sua história. Além disso, a cada momento observamos a ampulheta do tempo escoar e concomitantemente, percebemos desgastes, exaurimento, escassez e várias questões se tornarem voláteis.

E esse é um cenário que nos move a refletir sobre o propósito da vida ou mesmo se ela é revestida de um desígnio específico. Sob o enfoque espiritual, alguns sábios indicam que viver e realizar-se como ser humano, já é uma finalidade excelsa. Colaborar e comungar com os outros através de ideais elevados e agir em conformidade com isso, já é em si uma missão louvável que está acima da média. Nesse prisma, aqueles que adotarem tais premissas, lograrão êxito na sua existência entre a humanidade.

Não é necessário alcançar grandes feitos e nem mesmo superar outras pessoas. O importante é ascender, tendo a si mesmo como medida de crescimento pessoal e espiritual. Não é o outro, mas, é sobre comparar-se consigo, empreendendo uma viagem ao centro de si mesmo com vistas a efetuar descobertas e redirecionamentos necessários. É saber percorrer as diversas camadas da personalidade, avaliar os danos emocionais vivenciados e as memórias tóxicas daquilo que experimentamos, e, buscar a erradicação de toxinas emocionais que ficaram acumuladas por anos, décadas e às vezes, por uma vida inteira. Esse processo é ininterrupto e precisaria ser efetuado diuturnamente, de modo direcionado e propositadamente.

Dentro desse contexto, criar oásis em meio a desertos emocionais capacitam um indivíduo à sanidade de suas emoções e à esfera de uma mentalidade sadia, aos pensamentos que deve nutrir e à vida que poderá criar ao redor de si.

Em espaços desprovidos de amor, inclusão, pertencimento, reciprocidade e senso racional, que visem à construção de uma cognição adequada e de uma visão de realidade equilibrada, é preciso muitas vezes buscar um suporte profissional abalizado e sério. Há como encontrar ajuda especializada em âmbito construtivo e saudável.

É preponderante criar ambientes emocionais que agreguem aspectos salutares, favoráveis e suaves. Livros, amizades construtivas, ensino e ambientes de pesquisa sobre esses ideários estão disponíveis em todos os lugares: tanto física quanto virtualmente. Entretanto, é preciso identificar quais nichos serão adequados à essa finalidade, porque há muitos embusteiros e vendedores de mentiras sem escrúpulos, de prontidão para empreender emboscadas emocionais e financeiras. Esses são perigosos e estão proliferando como vírus em atmosfera propícia.

Há charlatões, vendilhões do templo, fraudadores e golpistas em muitos lugares, com ares de boa gente, se dizendo bons e verdadeiros. Para esse tipo de gente, as Escrituras Sagradas apontam uma máxima de Jesus Cristo: “Ai de vós, escribas (mestres da lei) e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mateus 23:27).

O que importa em nossa passagem por essa estonteante e exuberante Terra, é perceber a volatilidade do momento em que vivemos, saber que coletivamente em muitos períodos, as trevas dominam. E essas fases sombrias chegam carregadas de características anormais no comportamento, nas acepções, no modo de encarar o semelhante, nas ações do dia a dia, em questões que deixam muitas sequelas emocionais, que magoam, ferem, intimidam, destroem, dilaceram e vilipendiam o outro.

Estamos em uma era tenebrosa, de escândalos, de pessoas usando outras para os fins mais escusos, contanto que atendam às suas necessidades imediatas, sem pensar e sem mensurar o dano e a perda que causam ou podem causar ao outro. Não consideram o outro, porque esse “outro” não tem importância para esses seres nocivos.

É uma época de exceção, em que é fundamental compreender a realidade que temos diante de nossos olhos, e, quando possível, reunir elementos que sejam capazes de reverter o quadro dantesco que vislumbramos à frente da atual humanidade.

A volatilidade transforma pessoas em monstros, onde tirar a vida do outro é trivial, desviar recursos públicos ou de quem não pode se defender de crimes financeiros se tornou hábito, articular golpes e invasões é celebração, desonrar e desqualificar o outro é performance ovacionada pelos incautos, a fé se tornou objeto de crescimento irresponsável de patrimônio pela locupletação criminosa, o amor recebeu uma carga altamente nefasta de utilitarismo, o sexo passou a ser item de consumo inconsciente e pessoas passaram a ser objeto de manipulação.

Ao refletir sobre esse cenário pavoroso, é bom lembrar que ciclicamente, a hora mais escura antecede o crepúsculo do dia, e na sequência, nós iremos nos deparar com um lindo raiar da aurora. Tem sido assim desde que o ser humano pisou sobre essa Terra. E é a nossa esperança, que mentes que divergem do torpor atual, alavanquem tempos mais venturosos. Amém!

 

“Mesmo quando o mundo escurece, há consciências preparando silenciosamente a aurora.”

Curadoria -Gorette Wanderley

 

 

 

Comentários Sociais

Mais Lidas

Arquivo