
Por: Bodão Ferreira
O café, o lanche, almoço e a janta
Que chega em nossa casa, em nosso prato
É resultado do manejo e do trato
Da labuta diária de quem planta
Quem garante a colheita adianta
Ainda mais se tiver boa invernada
Pois, sem chuva e sem a camponesada
Não chega um pé de alface em nossa mesa
Se renova a esperança camponesa
Quando a terra pela chuva é molhada

Quem guardou as garrafas de sementes
Da colheita do inverno passado
Fez coivara e destocou o roçado
Nos meses que impera o sol bem quente
Enfrentou o mormaço frente a frente
Com a foice, o facão e a enxada
Com área de lavoura preparada
É preciso a mão da natureza
Se renova a esperança camponesa
Quando a terra pela chuva é molhada

A rama, o caroço e a maniva
Viram batata, milho e macaxeira
Mandioca, feijão, guandu, cideira
Fava, gerimum e o que mais se cultiva
Viram juntos uma farmácia viva
Biblioteca diversa e encrementada
A fava sobe o milho carregada
Levando sua bage em tirolesa
Se renova a esperança camponesa
Quando a terra pela chuva é molhada

Bem depois da flor a manga desponta
O mesmo ocorre com o urucum
O cajá, o caju o ariticum
Para a chuva, a vinga se apronta
No momento em que a raiz se encontra
Com a água recém aterrisada
A mensagem da folha enviada
Completa a informação e dá certeza
Se renova a esperança camponesa
Quando a terra pela chuva é molhada

O balaio vazio pelo aceiro
Do roçado se enche facilmente
Com o que se encontra pela frente
Durante o tempo de inverno brejeiro
Só pelos arredores do terreiro
Tem Banana, mamão e manga-espada
Maxixe e quiabo numa braçada
Deixam o balaio cheio de beleza
Se renova a esperança camponesa
Quando a terra pela chuva é molhada





