
Por: Ramalho Leite;
O bananeirense Santos Estanislau Pessoa de Vasconcelos, nasceu no dia 13 de março de 1860. Além de patrono do Fórum da Comarca de Bananeiras é também patrono da Cadeira 30 da Academia Paraibana de Letras e denomina a principal avenida do Bairro de Oitizeiro, nesta Capital. Seus primeiros estudos ocorreram na cidade natal e, foi dos poucos da sua época, que se destinaram aos colégios do Recife, sem passar pelo Liceu Paraibano. É da turma de 1879 da Faculdade de Direito do Recife.
Casou em primeiras núpcias com Maria Brandina da Câmara Bezerra com quem partiu para o Estado do Pará. A dor da viuvez o fez retornar à Parahyba onde exerceria a promotoria em Bananeiras, Pilar e Campina Grande, além da magistratura em Mamanguape. O tabelião José Pessoa da Costa contraiu matrimonio com a sogra de Estanislau-Dina Maria. Desse consorcio nasceram Maria Amália e Ana Zaíra que viriam a ser, mais tarde, ambas, esposas do ilustre magistrado que, já regressara ao Pará, dando continuidade a sua carreira na Justiça Estadual. Seus três casamentos, portanto, foram com três irmãs, todas nascidas em Bananeiras. Da ultima esposa, Ana Zaira, vinte anos mais nova que ele, teve sete filhos.
No Estado do Pará, foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Chaves e depois das Comarcas de Baião e de Cametá. Afastou-se na magistratura e passou a exercer o cargo de Chefe de Polícia. Sua atividade na judicatura paraense, por quase cinquenta anos, o levaria ao cargo de desembargador e presidente do Tribunal de Justiça a partir de 1901. O paraibano Epitácio Pessoa chegou a lhe oferecer uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o que foi recusado em função do seu apego às terras do norte onde fizera brilhante carreira como professor e jurista.

Santos Estanislau deixou enorme descendência e livros publicados na área jurídica. É de sua lavra “Anotações da Reforma Judiciária à Lei 455 de 01/06.1896”, “Apelações de Terceiros” e “Casos Forenses”. Sobre esse ultimo o antigo mestre Samuel Mac-Dowell escreveu: “O livro do desembargador Santos Estanislau é uma valiosa contribuição para o cultivo do sentimento jurídico; é forte contingente de um homem de ciência e de coração, para a realização pratica da Justiça em uma sociedade…”
Recentemente, em agosto do ano passado, cinco novos desembargadores tomaram posse no Tribunal de Justiça do Pará. Um deles- Álvaro Norat de Vasconcelos é bisneto de Santos Estanislau e por ocasião do discurso de posse, lembrou o bisavô e leu trecho de uma carta que recebera de herança, escrita pelo ilustre bananeirense ao seu filho primogênito, José Estanislau: “Meu filho, tenho a te dizer que além da importância do cargo que assumo, o que mais conta é ser honesto e procurar tratar igualmente a todos, esta é a principal função da Justiça.”
E o bisneto revelou que para chegar ao mais alto posto da sua carreira, durante 37 anos, vinha cumprindo os ensinamentos do bisavô, que hoje resolvi homenagear contando um pouco da sua história.





