
Por: João Vicente Machado Sobrinho;
“Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.”
Esse verso de autoria de Eduardo Alves Costa foi inspirado na força poética e revolucionária de Vladimir Maiakovski e atravessou o tempo como um aviso que insiste em não ser ouvido. Ele não trata apenas da violência explícita, mas da violência endêmica naturalizada. Aquela que avança lentamente e vem sempre disfarçada de legalidade, de moralidade ou de preocupação humanitária.
A acintosa e deplorável agressão dos Estados Unidos à Venezuela, deve ser compreendida sob essa chave simbólica. Não se trata de uma guerra declarada, mas de uma guerra quase sem bombas, travada por meio de sanções econômicas, bloqueios financeiros, isolamento diplomático, manipulação narrativa, além do sequestro inédito de um Presidente eleito pelo seu povo.
É um cerco silencioso, devastador, que continua a produzir sofrimento social, enquanto se apresenta travestido de defesa da democracia.

Este ensaio se propõe a fazer a leitura da ofensiva contra a Venezuela como parte de uma longa tradição imperial, inaugurada na América Latina com a Doutrina Monroe e atualizada no século XXI por mecanismos mais sutis, porém não menos cruéis.
À luz de Maiakovski e Eduardo Alves Costa, busca-se compreender como o silêncio internacional e regional é capaz de transformar a exceção em regra — e como a flor arrancada hoje de um jardim alheio anuncia o saque futuro de todos os jardins.
O verso de Eduardo Alves Costa — herdeiro direto do grito poético de Vladimir Maiakovski — não é apenas uma metáfora da opressão. É um diagnóstico histórico. Um retrato cruel da forma como a violência política se instala, não pelo choque imediato, mas pela normalização progressiva do abuso, sempre acompanhada pelo silêncio daqueles que acreditam não ser o próximo alvo.

A agressão sofrida pela Venezuela, até o momento com algumas bombas e disparos, surge como se fosse um novo rosto para a agressão, fazendo uso indiscriminado de: sanções laterais como arma política, bloqueio de ativos, estrangulamento no suprimento e comercialização do petróleo através de pirataria, para no conjunto, catalisar o colapso induzido. Trata-se a rigor de uma guerra híbrida, em que o confronto militar direto foi substituído pelo sofrimento da população civil.
A percepção que podemos ter nessas atitudes intempestivas e arrogantes de Donald Trump, é que a vetusta Doutrina Monroe é um passado que nunca passou. Nesse contexto, a Venezuela não é uma exceção — é uma continuidade histórica. Desde a Doutrina Monroe, proclamada no século XIX sob o lema “A América para os americanos”, os Estados Unidos se autoproclamaram árbitro do destino de todo continente americano. O que começou como uma doutrina tornou-se prática perniciosa: intervenções diretas, golpes patrocinados, bloqueios econômicos, ingerências políticas. A lista de vítimas é longa: Panamá, Guatemala, Chile, Nicarágua, Cuba — e agora, novamente, a Venezuela.
As regiões fronteiriças entre o Brasil a Colômbia e a Venezuela, são muito ricas em recursos naturais e minérios, principalmente um recurso natural insubstituível que é a água, a joia mais preciosa de um futuro bem próximo. Trata-se do Sistema Aquífero Grande Amazônia–(SAGA) cuja descrição se segue:

A doutrina Monroe completa 200 anos, mas não envelheceu.
“A região da Amazônia é enorme: ela ocupa mais de 60% de todo o território brasileiro. Mas o que pouquíssima gente sabe é que abaixo dela existe uma quantidade gigantesca de água doce. Trata-se de um verdadeiro mar subterrâneo, com volume total de 162 mil quilômetros cúbicos, e que é chamado pelos cientistas de Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga). Apesar de já ser conhecido há bastante tempo, a magnitude desse sistema só foi percebida pelos pesquisadores em meados de 2013. O professor de Geologia da Universidade do Pará Francisco Abreu, é um dos cientistas que estudam essa reserva de água. Ele explicou que atualmente o Saga é considerado o maior aquífero do planeta — quatro vezes maior do que o Aquífero Guarani – também no Brasil, e que até então ocupava o posto de maior do mundo.
E conclui ele:
Se a água é fundamental para a existência da vida como nós a conhecemos, é possível que ela seja a substância mais valiosa do planeta. Por isso, a existência do Sistema Aquífero Grande Amazônia em nosso país pode ser vista como um verdadeiro privilégio, uma riqueza essencial para o presente e para o futuro da soberania brasileira.”

Além da água, o futuro dos três países tem em comum, riquezas minerais valiosas e raras:
Ouro, diamantes e esmeraldas, que são comuns aos três países e no caso do Brasil acrescentem -se: nióbio, bauxita, terras raras além de minério de ferro.
Será que é tão difícil entender as razões que motivam a grande “preocupação” dos USAN com a preservação da democracia nesses países? ou mesmo com a presença do narcotráfico, eles que são o maior entreposto histórico de drogas do mundo, e foram desembarque da Máfia nos territórios das Américas, nos idos de 1930?
O pretexto da salvaguarda da democracia é sempre usado Pelos Estados Unidos da América do Norte-(USAN) para desrespeitar às leis que asseguram a soberania dos países. O uso seletivo no discurso dos direitos humanos, tem servido para camuflar a hipocrisia geopolítica e o duplo padrão internacional. Basta a autodeterminação se tornar intolerável ao Império do Norte.
Certa vez, Martin Luther King que juntamente com Malcolm X e Muhammad Ali foram estadunidenses conscientes das tropelias do país, afirmou:
“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”,
Ao contrário do que se possa pensar, o silêncio diante desse processo não é ingenuidade; é cumplicidade histórica. Eduardo Alves Costa nos alerta que a violência aceita contra um povo prepara o terreno para violências futuras contra outros povos, Brasil no meio. A América Latina conhece muito bem essa lógica: quando a soberania deixa de ser direito universal e passa a ser concessão geopolítica, nenhuma nação está realmente segura.

Riqueza hídrica, fóssil e minerais raros
Vejamos o que disse Trump em matéria publicada no Brasil 247:
“O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu advertências veladas aos governos do México, da Colômbia e de Cuba após a operação das forças especiais americanas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. As declarações ocorreram no sábado, quando o mandatário defendeu a ação militar realizada na Venezuela e ampliou o tom de confronto com países da região.”
Arrancar a flor do jardim venezuelano não é um simples gesto simbólico menor. É um aviso. Um experimento, um ensaio geral. Aceitá-lo é legitimar a ideia de que alguns países podem decidir quem governa, quem comercia, quem merece existir. Submeter-se a isso é naturalizar a hierarquia internacional entre senhores e tutelados.
Maiakovski gritou contra o imperialismo do seu tempo. Eduardo Alves Costa de forma providencial, traduziu esse grito para a periferia mundial. Resta saber se a América Latina continuará calada enquanto arrancam, uma a uma, as flores do seu próprio jardim.
Referências:
Reserva subterrânea da Amazônia pode abastecer o planeta por 250 anos | Radioagência Nacional;
Trump emite alertas para três países da América Latina;
Fotografias:
(9) Na primeira noite eles se aproximam e roubam… – Palavras Benditas | Facebook;
Easy Because ClickUp (ES-LA);
Doutrina Monroe completa 200 anos ante nova disputa hegemônica EUA-China – OPEU;
Recursos naturales de Venezuela – Resumen y fotos;
SAGA-Sistema de Aquíferos da Grande Amazonia – Pesquisar Imagens;




