
Por:Mirtzi Lima Ribeiro
O pleito no Brasil terminou com as apurações do segundo turno, mas, para alguns renitentes de certa bolha ideológica, esse é um assunto que continua povoando seu imaginário.
Como se iniciou esse quadro? Bem, vimos de tudo, desde que um certo político protagonizou uma jornada de ódios e perseguições quando a presidente Dilma Rousseff saiu vitoriosa no sufrágio para o seu segundo mandato. Tal político pertencente aos quadros do partido que sempre fez dobradinha nas eleições presidenciais com o PT, ao promover sistematicamente ódios, perseguições e boicotes, sem se dar conta, iniciou o soterramento de seu próprio partido, que decresceu em importância no cenário nacional.
Desde então, se criou uma atitude de radicalismo, intolerância e comportamentos desprezíveis, antes nunca vistos desde a redemocratização. Foi um retrocesso que empurrou a população para um ambiente insalubre emocionalmente e cada vez mais tóxico no país. A Caixa de Pandora foi aberta para toda a sorte de bizarrices.

Depois do impeachment de Dilma, ou impedimento, que lhe foi injustamente imputado, o país se precipitou em uma descida para um período de densas trevas, extrapolando ao seu limite máximo com o surgimento da seita bolsonarista. Essa foi a “terceira via” que se proliferou país adentro.
Entretanto, nessa bolha ideológica, nutre-se rancores e ressentimentos, além de ódios que vêm sendo alimentados e destilados diuturnamente. Com a criação e disseminação de inúmeras informações deformadas, falsas e venenosas, lançadas como se fossem verdades irrefutáveis, os idealizadores desse torpor propagam e incentivam a divulgação maciça em redes sociais e em mensagens, alcançando virtualmente milhões de pessoas que aceitam tais ideias em hipnose coletiva.

Eles têm disseminado inverdades cruéis e destrutivas, reiteradamente. É impressionante o tipo de lavagem cerebral que se perpetua nesses grupos de mensagens. Vírus letais para a democracia, para a convivência saudável, para as famílias e as amizades, que passam por percalços e rupturas dolorosas.
Foi assim que formularam e carimbaram imagens peçonhentas contra as instituições de ensino, de saúde, de controle ambiental, de fomento à cultura e às artes em geral. A desqualificação devastadora que promoveram sobre essas entidades seculares, foi e tem sido extremamente perigosa.
Nesses moldes, trabalharam contra a ciência formal e natural, as regras, os avanços na pesquisa científica, as premissas da filosofia e da sociologia, da antropologia, das ciências sociais e humanas, da linguística, das letras e artes.

Com isso, minaram a cognição de muitos e impediram não apenas o senso crítico, mas também o senso de realidade. Começaram a viver em um mundo irreal e colateral. Criaram um “Brasil Paralelo” e começaram a traçar um ambiente hostil a quem não quis entrar nessa distopia que criaram, ao arrepio de toda a lógica, de todo e qualquer dado qualificado que demonstrava exatamente o oposto do que se pregava nesse ambiente tóxico, reverso. Como tais pessoas poderão sair desse quadro insano e de enorme estupidez humana?
Nos últimos anos, vivemos com esse caos diário instalado e alimentado constantemente, com uma figura medonha intitulada de “Fake News” (Notícias Falsas). Sobrevivemos a isso em um clima tenso, onde os princípios mais saudáveis relacionados ao convívio humano foram se degradando passo a passo, dia a dia. Deu dor de cabeça em muita gente, com motivos pungentes para se ingressar em terapias para uma melhor compreensão sobre si mesmo ao conviver nesse ambiente repleto de toxinas emocionais e mentais. O quadro geral é de torpor.

Sinto saudades do tempo em que as “Teorias da Conspiração” estavam apenas e tão somente em tabloides, em vídeos sem importância e em livros acessados por pequeníssima parcela da humanidade e que eram lidos por curiosidade de modo inofensivo. A grande tragédia é que esse material começou a ser utilizado na bolha ideológica do bolsonarismo e se tornou um verdadeiro coquetel-molotov, aquela arma incendiária improvisada de fabricação caseira dos anos de 1940, composta de uma garrafa de vidro preenchida com líquido inflamável e um pavio para ser acionado.
Vi certa vez um banner que trazia a composição mais perigosa dos tempos atuais: uma fórmula onde havia ódio combinado com ignorância, tendo a violência como resultado dessa equação insana. Sim! Tivemos uma enxurrada de violência de toda sorte, proveniente de elementos que compõem as bases dessa bolha ideológica, disseminada virulentamente entre seus integrantes. O irmão, o marido ou a esposa, o parente, o filho, a mãe ou o pai, passaram a ser inimigos mortais, caso não aceitassem as ideias advindas desses guetos ideológicos.

Esse caos instalado foi deteriorando a nossa paz, com cortes substanciais em relações que antes eram saudáveis. Assim disseminaram a desconfiança no outro, como se houvesse perseguição ou espionagem envolvida. Criaram toda sorte de ideias, as mais estapafúrdias possíveis!
O clima ficou tenso e o prejuízo ao campo psicológico e ao emocional das pessoas tornou-se uma chaga. É exaustivo viver imerso na distopia. É desgastante viver em guarda o tempo todo.
O resultado da virada da votação em 2026 para presidente da República Federativa do Brasil, foi decorrente de uma atitude em barrar, em dar um incisivo não a essa situação dantesca, onde tinha sido aberto o sétimo alçapão para os domínios do inferno.

Esse basta foi o primeiro passo para começarmos a sair desse atoleiro hediondo que a extrema-direita mundial impôs ao Brasil, assim como vinha fazendo em outros países, com vistas a perpetuar o horror, manipular pessoas. O intuito principal desse projeto de poder é isolar a racionalidade e transformar pessoas em inocentes úteis, fáceis de serem usadas para fins escusos. O totalitarismo, as teocracias e o imperialismo, geralmente concentra riqueza e poder nas mãos de poucos. A confusão criada tem o objetivo de escravizar mentalmente milhões de pessoas, tornando mais fácil manipular e alcançar seus fins duvidosos.
Os que orquestram tais cenários, não possuem escrúpulos, mesmo sabendo que estão transformando pessoas em zumbis, que vão perdendo a cognição, o senso de realidade, dando lugar a um estado lamentável de estupidez crônica, mesmo que porventura tenham auferido algum nível superior de ensino ou níveis básicos de estudo.

Nesse cenário em distopia, surge uma força que quer estancar o avanço nefasto aqui descrito. Após a sagração de Luiz Inácio Lula da Silva, que logra votos para o seu quarto mandato como presidente da república, havendo um interstício desde os dois primeiros quadriênios como Chefe do Poder Executivo, a onda brasileira de fazer o “L” de Lula, tem se transformado no grito de liberdade no mundo inteiro. Nesse momento, o mundo proclama o “L” de liberdade por todos os quadrantes do planeta, para se libertarem do peso da extrema-direita que cresceu assustadoramente no mundo.
Por quê? Porque o caos aqui implantado já estava em muitos lugares perpetrado por essa extrema-direita que se organizou para tomar o mundo, como aquele clássico desenho animado de “Pinky e o Cérebro” (Pinky and the Brain, produzida por Steven Spielberg e criada por Tom Ruegger). Esse desenho nasceu como um adendo ao Animaniacs, onde dois ratos de laboratório geneticamente modificados ganharam sua própria série solo entre 1995 e 1998. O objetivo desses dois ratos é dominar o mundo, entre trapaças, bizarrices e burrices.

Esse é o momento do basta necessário ao cenário sombrio que vivemos atualmente. Entretanto, a luta não terminou. Estamos em início de uma luta maior. Após a primeira batalha vitoriosa, através do Brasil, que enfrentou e venceu esse monstro, é hora de tomarmos fôlego para recomeçar com mais tenacidade. É hora de nos organizarmos mundialmente, com cooperação internacional, venturosas e produtivas parcerias, objetivando debelar o mal que é o hegemonismo, a misoginia, a xenofobia, o supremacismo, a homofobia, o negacionismo, a opressão de países poderosos sobre os menos desenvolvidos e em desenvolvimento. É hora de rumarmos para uma aurora benfazeja e que comporte a inclusão, o bem comum, a civilidade, a clareza de propósitos e a cooperação entre os povos.

“Para acompanhar esta reflexão, “Pesadelo”, com o MPB4: um canto de resistência que nos convida a transformar rupturas em encontros e esperança em coragem para recomeçar.”
curadoria – Gorette Wanderley




