
Por: Neves Couras
Caros leitores, dirijo-me a todos que nos acompanham por este site, principalmente nós idosos com 70 anos ou mais, que neste domingo teremos um dia muito importante: o dia em que estará em nossas mãos a oportunidade de decidirmos quem irá comandar o Brasil nos próximos quatro anos.
Muitos podem pensar: “Já que não tenho o dever de votar, não pisarei nem lá.” Lembremos, portanto, que, diante dos avanços que nosso Brasil já teve nesses últimos anos, não podemos voltar atrás. Principalmente com programas de distribuição de renda, com o SUS e, e com os direitos das mulheres, com a liberdade, que ainda é pouca, mas na qual já conseguimos avançar. Nós, mulheres, não podemos deixar passar a oportunidade de votar em quem irá garantir nossos direitos, e não retirá-los.

Sei que a população ainda é grande. Mas pude presenciar em primeira mão a evolução social desses país nas últimas décadas, principalmente a partir dos programas sociais, como o “Comunidade Solidária”, precursor do Fome Zero e Bolsa família, que tive a honra de coordenar na Paraíba. Aqui já tivemos o município mais pobre do Brasil, na região do Cariri, onde as crianças dormiam em redes armadas nas plantas perto de casa, com uma fogueira como forma de afugentar os animais. Os pais dormiam em miseráveis camas feitas em coivaras, e o colchão era de palha. Comiam, quando havia comida, em uma única panela de barro, da qual cada um tirava, com as mãos, o que conseguia comer.
Presenciei também comunidades inteiras com casas feitas de palha e cobertas com folhas de coqueiro. Vi, ao chegar a um assentamento, uma casa onde viviam uma mãe e quatro filhos. Na hora do almoço, a mãe colocava um pouquinho de feijão no fogo e, com aquele caldo, durante vários dias, fazia um pirão para todos comerem. Esse feijão era levado ao fogo todos os dias, acrescentando-se água suficiente para que o pirão pudesse ser feito.

Precisamos garantir que a aposentadoria rural seja assegurada a todos aqueles que já deram parte de suas vidas e de sua saúde, plantando, em qualquer cantinho de terra, e produzindo para a nossa mesa. Não sou contra os grandes produtores deste país, pois trazem divisas para nós. No entanto, o mais pobre não consome capim, nem soja e trigo. Por isso, o pequeno produtor é tão importante para garantir o alimento que vai para a nossa mesa.
É por isso que me dirijo a vocês. Vamos dar o nosso voto a quem realmente já tem provas do que fez por este Brasil.
Lembremos que, se já não temos a obrigação de votar, podemos votar pelos nossos filhos e netos. Nós ainda somos responsáveis por deixar um Brasil um pouco melhor.
Vamos votar!

“O futuro de um país começa no espaço que ele oferece à dignidade de cada pessoa.”
Curadoria – Gorette Wanderley




