
Por: João Vicente Machado Sobrinho
A disputa eleitoral que está em curso no Brasil contemporâneo, se transformou numa polarização entre dois candidatos concorrentes, ambos liberais capitalistas, porém de visões econômico-financeiras diversas. Uma delas, a do presidente Lula, tem um olhar heterodoxo para a economia, talvez inspirada no ideário social democrata de John Maynard Keynes e Celso Furtado. A outra candidatura, sem uma definição concreta de propostas, tende a um caráter ortodoxo radical, no fundo inspirada na teoria econômica do pai do liberalismo, Adam Smith, recheada de uma subordinação aguda. O fraque e a cartola foram alinhavados pelo ideário da Escola de Chicago, onde os alfaiates denominados de Chicagos Boys, foram os formuladores do famigerado Consenso de Washington.
Na ala Heterodoxa nacional, pontificam os nomes de: Celso Furtado, Luiz Carlos Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, Luciano Coutinho, Maria da Conceição Tavares, Paulo Nogueira Baptista Jr, Marilena Chauí entre outros.
Para esse grupo de pensadores heterodoxos nacionalistas, o Brasil precisa dar o grande salto para alcançar o patamar da industrialização, como forma de agregar valor àquilo que o país produz. Por conseguinte, abrir espaços econômicos multipolares, para fugir de uma subordinação econômica secular que nos reduziu à meros exportadores de commodities e de matéria prima.

A estagnação tecnológica, sem nenhuma perspectiva de competição no mercado exportador mundial, nos rebaixa à condição de meros exportadores de commodities, sob o tacão dos países centrais, principalmente os Estados Unidos da América do Norte-USAN.
Por outro lado, nas águas da economia ortodoxa, onde querem lançar a canoa de Flávio Bolsonaro, pontificam economistas renomados como: Roberto Campos, Octávio Gouveia de Bulhões, Mário Henrique Simonsen, Pedro Malan, Henrique Meireles, Maílson da Nóbrega, Paulo Guedes entre outros.
Para esse segundo grupo de intelectuais orgânicos do capitalismo, a economia deve ser totalmente livre, regulada apenas pelas leis de mercado, onde a mais valia e o lucro não têm limites. A “mão invisível” do mercado é que regulará tudo. Isso é o que os Franceses denominaram de Laissez-faire.
Para uma melhor percepção do nosso raciocínio, resolvemos recorrer à dialética e nos valer de uma conhecida metáfora, que trata das relações interpessoais, no que concerne à teoria da dependência, da interdependência e do parasitismo. Mutatis mutandis, as relações entre os diversos países é mais ou menos semelhante. Senão vejamos:

O reconhecimento jurídico da soberania dos Estados Nacionais é um dos fundamentos da ordem internacional contemporânea. Em princípio, as nações são juridicamente iguais, possuindo autonomia para conduzir seus assuntos internos, podendo estabelecer relações diplomáticas, comerciais e políticas, tudo de acordo com os seus interesses.
Entretanto, essa igualdade formal não elimina as profundas diferenças entre o poderio econômico, militar, científico, tecnológico e financeiro que condicionam as relações entre os países. Na prática, a capacidade de um Estado exercer sua soberania não depende exclusivamente do reconhecimento geográfico de suas fronteiras ou da existência de instituições políticas próprias. Depende também do controle sobre os recursos naturais, dos meios de produção, do conhecimento científico, das tecnologias estratégicas, dos sistemas financeiros e das estruturas logísticas que sustentam sua economia. Uma nação pode ser politicamente independente e, ainda assim, encontrar-se limitada por dependências externas capazes de condicionar suas escolhas e restringir suas perspectivas atuais e futuras de desenvolvimento.
É nesse contexto que os conceitos de dependência, interdependência e parasitismo oferecem uma perspectiva interessante para interpretar nas entrelinhas a geopolítica contemporânea. Embora originárias de campos conceituais distintos, eles permitem investigar como se estabelecem as relações entre os Estados, como são distribuídos os benefícios da cooperação internacional e em que circunstâncias e vínculos aparentemente vantajosos, podem redundar em longas e duradouras assimetrias.

A globalização contemporânea, mais célere e ágil do que na época das navegações, ampliou a conexão entre as economias; encurtou as distancias; internacionalizou as cadeias produtivas e multiplicou os fluxos de capitais, mercadorias, informações e de tecnologias. Todavia, a integração não distribuiu igualmente as capacidades de decisão. Enquanto algumas nações concentram conhecimentos, patentes, financiamento e etapas industriais de elevado valor agregado, outras permanecem mais dependentes da exportação de produtos primários, da importação de equipamentos sofisticados e do acesso a mercados controlados por terceiros.
Essa contradição tornou-se particularmente relevante, em um cenário de disputas entre grandes potências, reorganização das cadeias produtivas e crescente valorização dos recursos estratégicos. A questão, portanto, não é saber se os países dependem uns dos outros e sim compreender: quando a dependência se transforma em instrumento de poder; quando a interdependência produz benefícios recíprocos e; quando uma relação assimétrica passa a comprometer a autonomia de um ou mais países participantes.
É a partir dessa percepção que podemos examinar as contradições da nova ordem mundial sem confundir cooperação com submissão, desigualdade com exploração automática ou multipolaridade com a garantia de relações internacionais mais equilibradas.

A dependência entre as nações não é um fenômeno recente. Ao longo da história, o controle das rotas comerciais, das fontes de energia, dos recursos minerais, dos sistemas financeiros e das tecnologias militares constituiu instrumento de influência e dominação sobre outros povos e territórios. O que mudou foi a complexidade dessas relações que hoje atravessam cadeias produtivas distribuídas por diversos países e setores econômicos.
Na economia globalizada, um produto pode depender de matérias-primas extraídas em um continente, componentes fabricados em outro e tecnologias desenvolvidas em um terceiro. O melhor exemplo dessa prática é o consórcio de fabricação dos aviões AIRBUS, formado por: Alemanha, Reino Unido, França e Espanha.
Esse tipo de organização amplia a produtividade e permite a cooperação internacional, mas também cria pontos de vulnerabilidade. A interrupção de um fornecimento essencial, pode comprometer setores inteiros da economia. Enquanto isso, o domínio de uma tecnologia essencial pode conferir ao seu detentor considerável poder de negociação.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-(OCDE), em estudo publicado no ano de 2024 sobre os impactos da coerção econômica, examinou justamente o uso de medidas comerciais e de investimentos, como instrumentos de pressão entre países. A questão é particularmente relevante quando as relações econômicas são utilizadas para castrar escolhas soberanas, ou produzir custos políticos para determinados governos.
A dependência, portanto, não deve ser medida apenas pelo volume das importações ou das exportações, mas também pelo valor agregado e a existência de alternativas. Um país que importa determinado produto de vários fornecedores possui, em princípio, uma maior margem de manobra, bem maior do que aquele que depende de um único fornecedor para manter funcionando uma atividade essencial e estratégica.
É nesse ponto que a economia ultrapassa os limites dos negócios e ingressa diretamente no campo da geopolítica.
Desse modo o comércio deixa de ser apenas uma troca de mercadorias e passa a integrar a disputa pela capacidade de decidir, negociar e de resistir às pressões externas das potencias. A interdependência representa uma civilizada característica fundamental e salutar da economia contemporânea. Nenhum país precisaria produzir isoladamente todos os bens de que necessita, e a especialização produtiva pode gerar ganhos para todos os participantes.

O problema começa quando a reciprocidade econômica é confundida com equivalência de poder. Isso acontece quando duas nações podem depender intensamente uma da outra e possuem capacidades muito diferentes para dissuadir uma ruptura comercial. Uma pode dispor de reservas financeiras, domínio tecnológico, fornecedores alternativos e mercados diversificados. A outra pode depender do vínculo para obter receitas de exportação, financiar suas contas externas ou assegurar o abastecimento de bens essenciais. A relação é recíproca, mas a vulnerabilidade não é necessariamente simétrica.
Essa distinção permite compreender por que a interdependência pode atuar simultaneamente como mecanismo de cooperação, ou como instrumento de pressão. A OCDE, em sua análise sobre segurança econômica e cadeias internacionais de abastecimento, destaca que a concentração de fornecimentos e a possibilidade de instrumentalização das relações comerciais vêm estimulando a revisão de estratégias de segurança econômica.
Não se trata, evidentemente, de defender o isolamento das economias nacionais como de fato já ocorreu no passado. Até porque a autossuficiência absoluta seria inviável ou economicamente desvantajosa em numerosos setores. O desafio consiste em participar da economia mundial, sem abrir mão da capacidade de formular políticas próprias e manter a soberania nacional.

Para conseguir esse desiderato, é de bom alvitre a diversificação de fornecedores, a definição de competências tecnológicas, o fortalecimento da produção nacional em setores estratégicos e o estabelecimento de parcerias com diferentes países, como forma de diminuir vulnerabilidades. Assim a cooperação internacional torna-se mais equilibrada, quando nenhum dos participantes dispõe de condições para impor unilateralmente todos os termos da relação.
Ao examinarmos as relações de dependência prolongada, surgiu a ideia de utilizar o conceito de parasitismo como instrumento de interpretação geopolítica.
Na biologia, o parasitismo designa uma relação na qual um organismo obtém benefícios à custa de outro, causando-lhe prejuízos. Transportado o raciocínio para a economia política, o conceito deve ser empregado como metáfora crítica, e não como classificação científica automática das relações entre Estados.

A função da nossa metáfora é chamar a atenção para um participante subordinado costumaz, arcando com custos desproporcionais sem liberdade de modificar as condições que mantêm essa relação. Imaginemos um país que exporta matérias-primas, importa produtos industrializados fabricados a partir delas e permanece tecnologicamente dependente dos países que dominam as etapas mais elevadas e rentáveis da cadeia produtiva. Embora hajam transações comerciais e receitas de exportação, a distribuição das capacidades produtivas, tende a perpetuar uma posição se subordinação. Isso não significa que toda exportação de produtos primários seja prejudicial ou que todo país industrializado seja beneficiário da exploração de outro. Significa que a agregação de valores à matéria prima multiplica a rentabilidade.
A questão central é saber como os ganhos originários das trocas serão distribuídos, quais as oportunidades de desenvolvimento criadas e se a relação contribui para ampliar ou restringir a autonomia econômica dos envolvidos. Portanto a análise exige mais do que a constatação de uma desigualdade comercial. É necessário examinar a formação dos preços, a distribuição do valor agregado, as condições de financiamento, o controle da tecnologia, os impactos causados ao meio ambiente e as possibilidades reais de diversificação produtiva.

Quando uma potencia de estrutura econômica poderosa dificulta sistematicamente o avanço de um outro país pela implementação de atividades de maior complexidade, a dependência pode deixar de ser apenas uma característica circunstancial do comércio, para converter-se em um grande obstáculo ao desenvolvimento.
Essa contradição é particularmente importante para os países detentores de grandes reservas de recursos naturais como é o caso do Brasil, que é rico em petróleo, gás, minério de ferro, cobre, lítio e terras raras, componentes relevantes da economia mundial que desempenham papel crescente nas disputas industriais e tecnológicas.
Entretanto, possuir recursos estratégicos não equivale a controlar as cadeias econômicas que deles dependem. A extração representa apenas uma das etapas de um processo que pode envolver: beneficiamento, refino, pesquisa científica, desenvolvimento de equipamentos, fabricação de componentes e produção de bens de alta tecnologia.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), no relatório The State of Commodity Dependence 2025, identificou 95 economias em desenvolvimento, entre 143 analisadas, nas quais as commodities representavam mais de 60% das exportações de mercadorias no período de 2021 a 2023. A organização destaca a exposição dessas economias à volatilidade dos preços e às dificuldades de diversificação.
No tocante aos minerais raros, o desafio é ainda mais evidente. Em publicação de 2024, a UNCTAD alertou que o aumento da demanda por minerais necessários à transição energética oferece oportunidades de industrialização aos países produtores, mas pode aprofundar a dependência de matérias-primas quando não existe capacidade suficiente de processamento e agregação de valor.
Não obstante, a existência de reservas minerais relevantes representa uma oportunidade econômica ímpar. No entanto o seu aproveitamento depende de políticas governamentais capazes de articular: mineração, indústria, ciência, tecnologia, formação profissional e proteção ambiental. Esse é o caso do Brasil!

Não basta extrair e exportar minérios raros. É imperativo avaliar em que medida a exploração desses recursos naturais contribui para ampliar a capacidade produtiva nacional, para formar conhecimento, para gerar empregos qualificados, para desenvolver atividades industriais associadas e melhorar as condições de vida do seu povo. É essa a ideia de Lula.
A soberania sobre os recursos naturais adquire maior significado econômico quando acompanhada da capacidade de decidir como eles serão explorados e como irão participar das etapas que concentram conhecimento e valor agregado. A reorganização da ordem mundial, com a crescente importância de diferentes centros econômicos e políticos, amplia as possibilidades de negociação internacional. Países que anteriormente concentravam suas relações em poucos parceiros devem ser livres para buscar novos mercados, fontes de financiamento, acordos tecnológicos e formas de cooperação. Isso Lula está fazendo.
Entretanto, a multipolaridade não deve ser confundida com a superação automática das desigualdades. A existência de algumas potências não garante que todas as nações disponham das mesmas condições para negociar, nem impede que novas dependências se formem em torno de tecnologias, mercados, sistemas financeiros ou recursos estratégicos.

Por isso, a participação em fóruns multilaterais e agrupamentos de cooperação econômica deve ser acompanhada de estratégias nacionais de desenvolvimento. A diversificação das relações exteriores oferece oportunidades, mas seus resultados dependem da capacidade de cada país de negociar investimentos, desenvolver tecnologia e converter vantagens comerciais em progresso produtivo.
O verdadeiro desafio da multipolaridade consiste em transformar a pluralidade de centros de poder em maior espaço de autonomia para as nações, evitando que a competição entre grandes potências se limite à disputa pelo controle dos mesmos mercados e recursos.
Aliás, a dependência entre as nações não é um fenômeno recente. Ao longo da história, o controle das rotas comerciais, das fontes de energia, dos recursos minerais, dos sistemas financeiros e das tecnologias militares, constituiu instrumento de influência sobre outros povos e territórios. O que mudou foi a complexidade dessas relações, que hoje atravessam cadeias produtivas distribuídas por diversos países e setores econômicos.
Na economia globalizada, um produto pode depender de matérias-primas extraídas em um continente, de componentes fabricados em outro e de tecnologias desenvolvidas em um terceiro. Essa organização amplia a produtividade e permite a cooperação internacional, mas também cria pontos de vulnerabilidade. A interrupção de um fornecimento essencial, pode comprometer setores inteiros da economia, enquanto o domínio de uma tecnologia avançada, pode conferir ao seu detentor considerável poder de negociação.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em estudo publicado em 2024 sobre os impactos da coerção econômica, examinou justamente o uso de medidas comerciais e de investimento como instrumentos de pressão entre países. A questão é particularmente relevante quando as relações econômicas são utilizadas para restringir escolhas soberanas ou produzir custos políticos para determinados governos.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), no relatório The State of Commodity Dependence 2025, identificou 95 economias em desenvolvimento, entre 143 analisadas, nas quais as commodities representam mais de 60% das exportações de mercadorias no período de 2021 a 2023. A organização destaca a exposição dessas economias à volatilidade dos preços e às dificuldades de diversificação.
Destarte, quando duas candidaturas liberais polarizam uma eleição em disputa pelo importante cargo executivo de presidente da república de um país como o Brasil, elas não podem ser avaliadas apenas através de promessas vãs e por um turbilhão de bravatas, pregando a subordinação formal aos desígnios de qualquer potência parasitária. As duas candidaturas devem ser medidas, pela trena dos interesses nacionais, incluindo a soberania e o bem-estar da nação. Nesse ponto essencial a trena de Flavio Bolsonaro tem apenas poucos centímetros.
E verdade que muito ainda temos a fazer pois somos um pais rico de povo pobre e nada melhor do que a comparação para constatar:

É fundamental perceber que o Brasil não é um país qualquer. A dimensão da potencialidade econômica do Brasil medida pelo seu Produto Interno Bruto-PIB, nos classifica como 8ª economia do mundo. Além disso somos o maior produtor de grãos do mundo e o segundo maior exportador de commodities e paradoxalmente temos um Índice de Desenvolvimento Humano-IDH muito baixo em consequência de uma gigantesca concentração de rendas, medida pelo o Índice de GINI.
A figura anterior mostra claramente que o Brasil terá que enfrentar grandes desafios para minimizar à desigualdade social. Se por um lado o nosso PIB nos consolida como a 8ª economia do mundo (Dados do FMI para 2027), a concentração de rendas no Brasil é uma das mais altas do mundo, contrastando com os números da Finlândia. O Brasil é3 um pais rico, que tem um Índice de Desenvolvimento Humano-IDH, inferior ao da Finlândia um pais pobre com a segunda melhor qualidade de vida.
Resta provado que, o surrado discurso de falta de recursos para custear a responsabilidade social, é por demais falacioso e a solução depende de decisões políticas corajosas do governante de plantão. Esse é um predicado entre muitos outros que faltam a Flavio Bolsonaro, totalmente despreparado.

A concentração de rendas do Brasil é tamanha que o número de bilionários que atualmente é de 255, foi acrescido em plena pandemia, de mais 10 bilionários. Há alguns dias, circulou notícia escandalosa, informando que apenas quatro deles possuem 23% do PIB. Isso nos autoriza dizer alto e bom som que que o problema maior do brasil está no sistema financeiro que confisca metade do nosso orçamento, à custa do contingenciamento das despesas essenciais para construir uma nação soberana e saudável.
A soberania de um país, não pode ser medida apenas pela sua independência política. A análise das relações internacionais a partir dos conceitos de dependência, interdependência e parasitismo permite compreender que a soberania dos Estados não se esgota em seu reconhecimento jurídico ou em sua autonomia institucional. Ela também depende das condições materiais que permitem a cada nação tomar decisões, defender seus interesses e estabelecer relações internacionais sem ficar excessivamente vulnerável à vontade de terceiros.
A dependência não é, por si só, uma anomalia: decorre, em grande medida, da especialização e da cooperação entre economias. A interdependência pode gerar prosperidade compartilhada, desde que existam condições para a negociação e para a distribuição dos benefícios. Já o parasitismo, entendido como metáfora analítica, chama a atenção para relações persistentemente assimétricas, nas quais a apropriação de vantagens por um participante pode comprometer o desenvolvimento e a autonomia do outro.

O desafio dos países em desenvolvimento, nesse contexto, não consiste em romper indiscriminadamente seus vínculos internacionais, mas em modificar as condições sob as quais participam da economia mundial. Isso requer diversificação produtiva, investimento em educação e ciência, domínio de tecnologias estratégicas, agregação de valor aos recursos naturais e instituições capazes de defender o interesse público.
A multipolaridade abre possibilidades, mas não oferece garantias. A autonomia precisa ser construída por meio de decisões econômicas, científicas, industriais e diplomáticas consistentes. Sem essa construção, a substituição de parceiros poderá alterar os protagonistas das relações de dependência sem modificar sua estrutura.
Afinal, o problema central da geopolítica não é simplesmente descobrir quem depende de quem, mas compreender quem controla as condições dessa dependência, quem se apropria dos seus benefícios e quem permanece limitado por seus custos.

O problema das contas públicas tem nome:
SISTEMA FINANCEIRO
Uma ordem mundial mais equilibrada não será alcançada apenas pela multiplicação das potências, mas pela ampliação da capacidade dos países de participar da produção de riqueza, dominar conhecimentos, negociar em condições menos assimétricas e decidir seus próprios caminhos de desenvolvimento. Porque a independência política estabelece o direito de uma nação decidir seu destino; a autonomia econômica e tecnológica amplia sua capacidade real de fazê-lo.
Por conseguinte, em termos de soberania e avanço industrial, a escolha do candidato Flávio Bolsonaro é um suicídio, por tudo quanto já foi dito e provado sobre ele, inclusive no debate da BAND, que aconteceu no dia 18/10/2026 e é de domínio público. Um candidato que propõe ao secretário de estado dos USAN, Marco Rubio a formalização de um termo de transição com o Brasil com os USAN se eleito, o mínimo adjetivo que pode qualifica-lo é de traidor e entreguista. Aliás até grande parte dos economistas ortodoxos estão contrários a essa distopia do candidato.
Portanto, Lula pode até não ser o candidato dos meus sonhos, porém entre os dois e sem nenhuma dúvida é a opção capaz de materializar esse salto qualitativo. Pense muito nisso e o clamor das multidões nas ruas está orientando o voto em Lula.
#BoraLula 13

Referências bibliográficas:
1. Produto Interno Bruto (PIB) e ranking mundial
INTERNATIONAL MONETARY FUND (IMF). World Economic Outlook Database, April 2026. Washington, D.C.: IMF, 2026. Base de dados com estimativas do PIB nominal, em dólares correntes, e indicadores macroeconômicos por país. Disponível em: World Economic Outlook — abril de 2026. Acesso em: 17 out. 2026.
2. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME (UNDP). Human Development Report 2025. New York: UNDP, 2025. Relatório com dados de desenvolvimento humano referentes a 2023, incluindo os valores e as posições dos países no ranking do IDH. Disponível em: Human Development Report 2025. Acesso em: 17 out. 2026.
3. Índice de Gini — concentração de renda
WORLD BANK. Gini index (World Development Indicators). Washington, D.C.: World Bank, base de dados atualizada continuamente. Indicador de desigualdade na distribuição da renda ou do consumo, calculado com base em pesquisas domiciliares. Disponível em: Banco Mundial — Gini index. Acesso em: 17 out. 2026.




