Púlpito palanque

Por: Bodão Ferreira

Lá vem chegando o pastor
Abraçado ao candidato
Vê no fiel, um eleitor
Obediente e barato
Aliciando a plateia
Ordena toda assembleia
Em cada uma pregação
Emprenhando cada orelha
E do voto de cada ovelha
Um cargo na eleição

Na parede, está Jesus
De braços arreganhados
Dependurado na cruz
Totalmente envergonhado
O candidato fala em deus
Mas não oferece aos seus
Proposta, plano ou projetos
Ataca universidades
Porque suas inverdades
Só convencem analfabetos

Fala mau do comunismo,
Do diabo e do aborto
Repete frases de achismo
Que “Bandido bom é morto”
Diz um versículo isolado
Que só tem ele decorado
E fala que sobre voto
Que crente não vota na esquerda
Que é traição se houver perda
E tome acessor tirar foto

Chama o pastor para o centro
Mete o joelho no chão
Uma mão vai na cabeça
E arrocha na oração
Chora, rodopia e grita
Toda igreja se agita
Inocente, achando lindo
Bota adesivo no peito
Mas um culto e tá eleito
Nem parece está mentindo

Fala em tudo, mas não fala
Seu projeto transgressor
Que é contra o fim da escala
E direitos do trabalhador
No investimento quer teto
Mas orçamento secreto
É o foco do partido
Com influencer mesquinho
Divulga Bet, o tigrinho
Que é lucro garantido

Transforma ali o seu gado
Numa máquina de poder
Que é vulnerabilizado
Com tudo que pode ser
Da igreja é eleitor
Fiel, cabo, apostador
Aplaudindo o candidato
E o pastor faz o sermão
De botar culpa no cão
Se não fizer bom mandato

 

 

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