Nathanael, o Jornalismo como ponto luminoso


Por: José Nunes

O jornalista Nathanael Alves, que tinha o Jornalismo como um ponto luminoso na vida das pessoas, estaria completando 92 anos neste 11 de setembro. Ele nasceu no Sítio Areial, então distrito de Arara, quando pertencia a Serraria, em 1934.

Adolescente, vindo residir em João Pessoa para tratamento de saúde, foi residir no Instituto São José, do padre José Coutinho, onde viveu por mais de uma década e se aproximou da Imprensa. Iniciou no radiojornalismo, em 1961, na Rádio Tabajara, onde, passou a escrever uma crônica diária com o título “Você Precisa Saber”.

Depois integrou a equipe de redatores do Correio da Paraíba, inovando a linguagem ao adotar o texto conciso, em estilo diferente dos demais. Não demorou foi convidado a trabalhar no jornal O Norte, permanecendo como editorialista, cronista e redator até 1979 quando, convidado pelo governador Tarcísio Burity, assumiu a superintendência do Jornal A União até a sua morte, no dia 27 abril de 1981.

Em março de 1979, deixou os Diários Associados e assumiu a presidência de A União Companhia Editora, onde, num trabalho conjunto com o jornalista Gonzaga Rodrigues, na diretoria técnica, e o jornalista Agnaldo Almeida, na editoria geral do Jornal A União, inovou a linguagem do jornal, criou cadernos especiais como o suplemento Jornal do Domingo, que trazia entrevistas de destacadas personalidades políticas, religiosas, professores, historiadores.

A União se destacava como um laboratório onde se aprendia a fazer jornal e a exercer a arte de escrever. Ganhou novo impulso, principalmente porque a UFPB começava a liberar para o campo de trabalho seus primeiros alunos formados no Curso de Comunicação. Alguns passaram a exercitar o aprendizado nesse jornal. Muitos deles se destacaram a partir do convívio no velho jornal.

Garantiu apoio às artes e à cultura, melhorando o suplemento Correio das Artes, fazendo publicar com o merecido destaque para trabalhos de escritores locais e de renome nacional, sem esquecer os novos valores literários que surgiam e viviam à cata de espaços para publicar seus trabalhos.

Com uma equipe de repórteres da melhor qualidade intelectual da Paraíba, Nathanael Alves abriu espaço para os que estavam saindo da Universidade e para outros que não frequentaram os bancos universitários. São eles, Silvio Osias, Gisa Veiga, Naná Garcez, Luís Carlos Nascimento, Wellington Farias, Chico Pinto, Sebastião Lucena, Lena Guimarães, José Carlos dos Anjos, Hilton Gouveia, Carlos Vieira, Carlos Tavares, e por mim e muitos outros, que se juntaram a nomes como Carlos Aranha, Walter Galvão, João Bosco Gaspar, Maria José Limeira entre outros, que já compunham a redação de A União.

No jornalismo da Paraíba, Nathanael Alves ocupa lugar de destaque, principalmente como cronista e editorialista, funções que ocupou nos principais jornais da Paraíba entre as décadas de 1960 a 1970 e início dos anos de 1980.

O jornalismo foi a vocação dele, mesmo que tenha sido contista e poeta. Descobriu a arte de escrever na adolescência na convivência com padre José Coutinho.

Nathanael Alves sempre abordava temas atuais de sua época, trazia à discussão assuntos importantes nas diferentes áreas da política, da economia, da filosofia, enfim, de tudo o que permitia a construção da uma nova humanidade. Sempre tinha uma ideia diferenciada para discussão. Foi um humanista preocupado com os destinos das pessoas.

Foi poeta, mesmo que grande parte de sua produção esteja inédita em livro. Foi na década de 1950, residindo na casa de acolhida do padre que produziu seus primeiros poemas.

Como contista, produziu excelentes narrativas. Alguns contos foram publicados em jornais e revistas, mas a grande maioria continua inéditos. Por iniciativa da família foi publicado o livro de contos “Rosa Amarela”, que vem sendo distribuído com as escolas.

Homem agradável, profundo no servir e na preocupação com o semelhante, foi construtor de muitos sonhos para jovens que entravam para as redações.

Ele escrevia com agudeza sobre o sofrimento humano do mesmo modo que contava os feitos do homem na Lua, de quem comia pão com mangueira ou se fartava em banquetes palacianos. A expressão do pensamento e o texto primoroso eram de igual beleza.

Simples no seu modo de escrever, deixou páginas antológicas. Escrevia com simplicidade é o que conta e, para sua escrita, usava palavras corriqueiras quando abordava a dor das pessoas.

 

“A amizade verdadeira não termina: permanece acesa nas palavras e nos caminhos que ajudou a abrir.”

Curadoria – Gorette Wanderley

 

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