Maternidade

Por: Neves Couras

Evidentemente, o tema de hoje não poderia ser outro. Falar sobre ser mãe é mostrar, no meu caso, um pouco de gratidão pela mulher que me trouxe ao mundo e por todas as mulheres de minha ancestralidade, até chegar à geração de minha filha.

Mãe é um ser tão divino que não temos explicação, nem jamais saberemos reconhecer plenamente a grandeza de uma mulher que passa nove meses, ou 39 semanas, carregando um pequeno ser que passa a fazer parte dela desde a hora de sua concepção. Uma gravidez traz mudanças em nosso corpo e em nossa vida. A mulher, ao se tornar portadora em seu corpo de um outro corpo, revela uma grandeza que só quem é mãe consegue compreender.

Respeito incondicionalmente todas as mulheres que por vontade própria ou por ordem do destino não podem ou não querem, por inúmeras razões, ser mães. Jamais afirmaria que ser mulher e ser mãe são sinônimos. Também não posso deixar de exaltar a decisão de tantas mulheres que resolvem acolher filhos gerados por outras mães. É muito comum chamá-las de “mães do coração”. Acredito não haver expressão que defina tão bem alguém que entrega seu coração e sua vida para acolher esse filho que a divindade coloca na vida dessas mulheres e desses homens que têm tanto amor para dar, que precisam compartilhá-lo da forma mais profunda, com outro ser.

Desde pequena, ouço que “ser mãe é padecer no paraíso”. Esse paraíso possui concepções muito diversas, mas acredito que toda mãe terminará no paraíso. Afirmo isso porque, além de ser uma escolha tão divina e, ao mesmo tempo, tão difícil, chego a dizer que mãe é feita de um material escolhido pela divindade, algo que ninguém chegará a compreender, nem seus próprios filhos, nem seus companheiros.

A mãe carrega competências que universidade nenhuma consegue formar. Ela é mãe, portanto, mesmo que tenha dez filhos, compreende e conhece cada um deles com tanta profundidade que, por um pequeno gesto, sabe se ele ou ela está bem ou não. É pedagoga, psicóloga, dentista, otorrinolaringologista, psiquiatra e muito mais. É ainda capaz de suportar toda espécie de amor vinda dos filhos, ou até mesmo a falta dele.

Como já sou avó, sempre disse: “Você só compreenderá sua mãe quando também for uma”. Acredito que a maternidade não tenha um estágio probatório, e também não acho que um dia passaremos por ele.

Agora, como filha, quero agradecer à minha maior professora: Julita Formiga. Essa, sim, soube, com sua inteligência e sua natureza pedagógica, ensinar-nos todas as fases da vida. Ensinou-nos a não ter e, mesmo assim, compartilhar.

A ter e não precisar mostrar que tinha. A amar sem demonstrar, da forma mais difícil que uma mulher pode amar. Mostrou-nos que o importante não é o que acham de você, mas aquilo que você realmente é em sua essência.

Religiosa e cheia de fé e esperança, em minhas dificuldades nunca esqueço dos inúmeros dias em que ela se ajoelhava diante da imagem do Menino Jesus de Praga, com uma vela acesa, rezando de hora em hora em busca de uma graça que só poderia vir de Deus.

Sempre elegante, educada e cheia de talentos. Também, como muitos filhos, passei por momentos em que não compreendia seu amor ou sua forma de amar. Hoje, e até na hora de sua despedida para o mundo espiritual, fiz questão de agradecer por todos os seus ensinamentos. Inclusive por um dos que eu precisaria mais tarde: lidar com o Alzheimer e, assim, desenvolver ainda mais meu amor pela mulher que ela foi. Também por suas irmãs, três das quais passaram pelo mesmo processo. Foi por tudo o que vivemos com ela que aprendi a amar profundamente quem precisa ser amado e compreendido.

É através dessa mulher que rendo minha homenagem a todas as mulheres de minha família: minhas avós, minhas tias e, por último, minha filha.

Neste pequeno ensaio de homenagem, rogo a Maria de Nazaré pelas mulheres que não podem estar com seus filhos; pelas mães que convivem com filhos envolvidos com as drogas, internados em hospitais, mortos pelas injustiças ou vítimas da desigualdade social; pelas que não têm um teto, mas amam independentemente de sua condição.

Rogo também pelas mulheres que sofrem por sua situação social, pela incompreensão de seus familiares e de uma sociedade ainda tão preconceituosa e sem amor.

No entanto, não posso deixar de agradecer à maior de todas as mães: a mãe de Jesus, a mulher que gerou o ser mais completo que já pisou na Terra e que passou por todas as dores, mas ainda tem como missão nos proteger.

Obrigada, Mãe!

 

🎧 Há músicas que não tocam apenas os ouvidos — tocam a memória, o colo e a saudade.

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