
Por: Mirtzi Lima Ribeiro;
Ponderações deveriam ser efetuadas nos dias atuais, dado o cenário que se apresenta, no que diz respeito às relações pessoais e às muitas rupturas por divergências ideológicas, cujas últimas comemorações no final de ano tiveram inúmeras famílias divididas por esse motivo.
Seria necessário refletir e verificar se há algum ponto de interseção, que evitasse chegar a estremecimentos, que viabilizasse reconciliações ou ao menos que houvesse um regramento para uma convivência sem momentos desagradáveis por causa disso.
Entre a lógica e a razoabilidade que entram em jogo, conjugadas às emoções viscerais que norteiam muitos corações, há de se estabelecer um denominador comum com vistas a salvaguardar esse convívio.

A pergunta crucial: uma amizade e um laço familiar afetivo valem mais ou valem menos do que a adoração ou visão apaixonada por um protagonista da política partidária? Para responder a essa pergunta, vale levar em conta tanto a lógica quanto a civilidade, e não as paixões avassaladoras.
O preconceito, as ideias sectárias que segregam e a exclusão quando outros são deixados à margem, deveriam dar lugar ao acolhimento do outro, sem a influência e o bolor expresso na irradiação da “achologia”, do pseudo conhecimento ou da informação adulterada.
Ficamos nos perguntando: em que momento ocorreu essa sedução ao ilusório fragmento que não reflete o todo? Onde e quando a lucidez ficou opaca e se mostrou ausente de conteúdos válidos e verificáveis? De que modo a paixão por ícones fabricados se tornou a onda desse momento obscuro vivenciado pelas massas?

Já se tem perguntado amiúde: é fato ou fake? Não se sabe mais se é informação ou deformação, quando um vídeo é fabricado por IA ou não, se um áudio é verdadeiro ou falso, se a divulgação de coisas absurdas é real ou são maldosamente idealizadas e organizadas com o objetivo de difundir massivamente, tanto fraudes quanto grandes mentiras!
Ingressa-se no ano de 2026 com a sensação de impotência diante de um cenário dantesco, onde a IA, assim como as redes sociais e aplicativos de mensagens são usados inescrupulosamente por muitos! Golpes, mentiras e armadilhas estão pululando no ambiente da web, afetando a vida real.
Quem será a próxima vítima? E a militância desvairada? Quem irá aguentar o bombardeio diário e ininterrupto dessas militâncias ensandecidas divulgando tudo o que é tóxico e sem verificar se são verdade ou mentira?

Em um ano programado para haver eleições majoritárias no país, cujo movimento tem sido observado por muitos olhos com fins duvidosos, fora do viés da mera observação, mas sim com o objetivo de manipular e de influenciar de modo marcante e tendencioso.
Um ano que também traz o ópio de uma Copa do Mundo, oferecendo a grande distração de palanques e de mídias, de jogos em uma apoteose de imagens e de interesses os mais diversos de marcas famosas, de disputa de times e de nomes profissionais que terão passes comprados ou intercambiados.

A máquina midiática age em velocidade estonteante, mais rápida que o pensamento comum, mais célere que os aceleradores de partículas quânticas.
E nessa sopa de velocidades, ferocidades, interesses difusos (muitos deles obscuros), quem estará à salvo? Será preciso tomar providências firmes para manter a sanidade da mente, da emoção, das decisões pessoais, e, do sossego merecido em meio a tanto caos e acirramentos.




