
Por:José Nunes;
Os poemas de Carlos Newton Júnior têm o mesmo cume, todos estão num patamar de elevado significado para a literatura brasileira, sobretudo, porque carregam emoção bem acima da conta exigida pela Poesia.
O significado dessa altura foi apontado por Ariano Suassuna que, deixando de lado a amizade e a aproximação com o poeta, apontou os caminhos que Carlos Newton percorreu, até encontrar a “impressionante unidade de contratastes a tradição erudita e culta dos sonetos às redondilhas que herdara do romanceiro popular português”, muito em voga na poesia de Luiz de Camões.
Recordo estas palavras do mestre Ariano, filósofo revelado nas brenhas do sertão esturricado da Paraíba, sobre o poeta de “Redenção de agosto” e “Ressureição: 101 sonetos de amor”, depois da leitura do poema “Bibliofilia” de Carlos, feita pelo acadêmico José Mário da Silva, como sempre tem abordado poetas e escritores de boa linhagem literária.
A poesia é uma aproximação entre o sentir as falas silenciosas do coração e da vida. Essa vida composta dos pequenos acontecimentos do dia a dia. Porque há uma predisposição no espírito do poeta, a poesia entrar sem esforço.

Entre as artes, a poesia possibilita ao artista transformar a vida em obra-prima de emoção e de beleza. Fazer arte com a poesia sem a imposição de conveniências ou regras, sem transgredir o que impõe a inspiração, essa deve ser a missão do poeta.
O poeta nunca deve abandonar as correntes misteriosas das manifestações do seu espírito, mesmo que dolorosas. Li em algum lugar que para ser poeta é necessário ter memória. Com este caminha a lembrança do lampejo que chega quando menos se espera. O Blake entendia que o poeta é capaz de ver “o infinito num grão de areia e a eternidade numa flor”.
Não sei se posso dizer que Carlos Newton Júnior é um poeta do simples. Mas o certo é que fala com simplicidade de temas abrangendo, o amor, a emoção, a fluidez da alma.
Mantemos certa predileção por alguns poemas de Carlos, não porque aborde temas caro aos poetas, como é o amor, todavia porque apontam raios de filosofia no que escreve, indo buscar em nossas raízes nordestinas a seiva de sua produção literária. O homem não sobreviverá se não alimentar seu pensamento pelas imagens de infância e do que recolheu no decorrer de sua vida. Nosso poeta em foco bebeu da fonte inesgotável da qual Ariano vasculhava com força hercúlea.

Carlos Newton Júnior tem uma ligação umbilical com a Paraíba, não apenas porque é o maior estudioso da obra do paraibano Ariano Suassuna, contudo porque seus pais têm ramificações com nossa terra. Mesmo nascido em Recife e residido em Natal, onde foi professor na UFRN durante duas décadas, Carlos caminha sentindo a brisa das terras tabajaras e potiguaras.
Mesmo tendo nascido em terras vizinhas, Carlos se considera paraibano por parte do seu pai que nasceu na Capital e cedo passou a residir em Sapé, onde seu avô, Gerson Pessoa de Figueiredo, montou escritório de contabilidade. Gerson, nascido em Mulungu, cresceu em Guarabira, ali perto. Na cidade de Sapé, o menino Carlos passou férias e guarda lembranças do frescor da terra.

Fez muito bem o confrade e mestre José Mário da Silva, com sua sensibilidade de crítico literário e estudioso das artes, trazer à apreciação de seus inúmeros leitores-ouvintes, em inconfundível interpretação, o poema de Carlos Newton Júnior.
Fico com a frase de Ariano Suassuna, em entrevista a Eleuda de Carvalho: “Você o conhece? Meu amigo Carlos Newton Júnior é uma das maiores figuras dessa Pátria brasileira”.
Quem o conhece, dá razão a Ariano.




