
Por: Emerson Monteiro;
Uma irrealidade concreta; criações e palavras pela metade; versos soltos de um poema; ainda assim possíveis. As próprias ilusões têm forma. Entre dois vazios, o Tempo. Daí, se aprender, reunir não saber e saber. A imaginação vive disso, de contar a si o que nasceu de uma suposição. Tal poeira do pensamento, dali surgem as falas. Quais chamas de velas hipotéticas, riscam os céus de significados. Vagos horizontes de caminhos, portas abrem os meios de tocar adiante. As horas, mesmo, preenchem da existência impressões resistentes que permanecem na forma de lembranças. Fieiras imensas de lendas compõem as histórias gravadas em pedras e pó. Seres. Vultos. Cometas.
Resquícios, talvez, doutras vivências, repetições controlam as letras, e das letras, as páginas. Estruturas que tanto, inundam as superfícies de paixões, delas fazendo tão só o teto dos instantes. Frases que sejam, impõem respostas ao silêncio. Heróis de outras civilizações dormem exaustos nos livros de antigamente. Nisso, andar pelas ruas à cata de mensagens deixadas ao léu. Único sentido, pois, reconhecer as ruínas daquilo que antes foi. Palmilhar contente nesses continentes da Eternidade sendo, (quem sabe?), resquícios dos dias feitos de lembranças. Pesa, no entanto, partilhar consigo próprio aqueles lugares desfeitos na ausência. Contos siderais despejados aos borbotões pelos quadrantes afora.

Buscas sem norte das caravanas perdidas no deserto das sombras. Intuições quase semelhantes aos véus que hoje encobrem os destinos. Justos preceitos de verdades inevitáveis ao relento das noites. Fossem narrar, no entanto, vitórias incontáveis, permaneceriam assustados pelos cantos. Por isso, riscos profundos sustentam o teto das cidades em forma de visões esquecidas.
Todavia, avançam calados, sujeitos abismados face aos valores que sempre prevalecem; mundos constantes de tempos imaginários. Absortos nesses conteúdos sincopados, observam ao longe o segmento das dúvidas que os levou fora dos sentidos. Perante todos os números, algo compõe o ritmo do que nos trouxe aqui.




