Por: Neves Couras;
Dentre as brasileiras esquecidas ou desconhecidas estão muitas nordestinas que se você não conhece, vou apresentar hoje ao nosso público, Nísia Floresta Brasileira Augusta. Sei que quem mora no munícipio que tem seu nome possa saber dessa heroína, outros passam por lá sem imaginar quem possa ter sido essa grande mulher.
Nísia nasceu no dia 12 de setembro de 1810 com o nome de Dionísia Gonçalves Pinto em um sítio chamado Floresta, localizado no povoado de Papari no Rio Grande do Norte. Seus pais eram Antônia Clara Freire e Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa. A mãe pertencia a uma tradicional família do Rio Grande do Norte, proprietária de vasta extensão de terras. Já o pai, um advogado português, culto e liberal, chegara ao Brasil nos primeiros anos do século XIX.
Com revolução de 1817, o sentimento antilusitano se desenvolveu no Nordeste, levando sua família a deixar o Rio Grande do Norte para residirem em Goiana (PE), à época já centro de desenvolvimento econômico e intelectual.
Nísia aproveitou a rica biblioteca que havia no Convento das Carmelitas, e lá foi iniciada nos estudos clássicos, no trabalho manual e no canto. Sob a influência do pai, teve contato com a cultura europeia; anos após, passou a dominar os idiomas francês e italiano.
Contra sua vontade casou-se aos 13 anos com Manoel Alexandre Seabra de Melo, mais um casamento que a história de uma jovem que casa para garantir poder e soberania entre famílias. Contudo, a união dos dois pouco durou. Nísia voltou a viver com os pais em Goiana e, posteriormente em Olinda onde seu pai exerceu a advocacia.
As revoltas e os antagonismos entre Dionísio e membros da elite local, resultam na total depredação e saque do sitio da família em Papari. Por volta de 1824, e no seu trágico assassinato quatro anos após, em Recife, a mando do capitão Uchoa Cavalcanti, seu oponente um uma causa jurídica.
Neste tempo, ainda com o nome de Dionísia passou a residir com Manoel Augusto de Faria Rocha, jovem acadêmico da Faculdade de Direito de Olinda. Sua atitude foi considerada, para época, extremamente corajosa, pois seu primeiro marido, inconformado com a separação, acusava-a de adultério. Em 1830 nasceu sua primeira filha, em seguida um segundo filho que não sobreviveu.
Quanto sofrimento e quantos desafios essa mulher além de seu tempo não precisou passar. Em 1913, Dionísia publicou seus primeiros artigos já abordando a condição feminina e comparando-a com diversas culturas da antiguidade, no Espelho das Brasileiras, jornal dedicado às mulheres pernambucanas do tipografo francês Adolphe Emile de Bois Garin.
Publicou ainda a obra Direitos das mulheres e injustiça dos homens, obra que assumiu definitivamente: Nísia Floresta Brasileira Augusta. Esta publicação de 1832 deu-lhe o título incontestável de percussora dos ideais de igualdade e independência feminina.
Após seu marido ter cursado Bacharelado em direito, a família mudou-se para Porto Alegre (RS). Onde nasceu, em 1832, Augusto. No ano seguinte Nísia iniciou a atividade de preceptora de moças.
Ficou viúva em 29 de agosto de 1835, aos 25 anos. Nísia ficou com dois filhos pequenos para criar. Ainda ficou alguns anos na capital gaúcha, onde se dedicou ao magistério e a direção de um colégio. Anda escreveu vários artigos com o pseudônimo de “Quotidiana Fidedigna” nos Jornais O Recompilador Federal e o Campeão da Legalidade.
Na década de 1840, sua atividade literária foi muito fértil. Publicou: “Conselhos a minha filha” dedicado à sua filha Livia; “Daciz ou a jovem completa, Fany ou modelo das donzelas e Discurso que suas educandas dirigia a Nísia Floresta Brasileira Augusta, A lágrimas de um Caeté, poema que trata da degradação do indígena brasileiro e do drama dos liberais sufocados pela derrota da Revolução Praieira.
Essa fantástica mulher não se prendeu apenas ao Brasil. Em 1849, partiu para sua primeira viagem à Europa onde fez contato com o positivismo de Auguste Conte. Continuou escrevendo e lançou, no Brasil, seu romance histórico Dedicação de uma amiga, de 1850. De maio a junho do ano seguinte, o jornal carioca O Liberal publicou uma série de artigos de Nísia, intitulados A emancipação da mulher, nos quais a autora reafirmava a necessidade de oferecer boa educação às mulheres.
Nísia volta ao Brasil no início de 1852, onde continua a escrever em vários jornais sempre preocupada com o direito a mulher.
Ainda teríamos um grande número de informações a respeito dessa extraordinária mulher. Inteligente e exemplo de como não se deixar amedrontar com os momentos difíceis de seu tempo.
Acredito que apesar do tempo em que ela viveu, muitas de nós ainda temos muito a aprender, para enfrentar nossos medos e crescermos como seres de uma sociedade justa e igualitária.
Sugestão para conhecer um pouco mais sobre Nísia Floresta: Dicionário Mulheres do Brasil – Editor Jorge Zahar