Confiar em alguém exige um conhecimento antecedente da outra pessoa ou, até mesmo, uma indicação de alguém. Mesmo assim, algumas vezes, relutamos em depositar essa confiança.
Para os psicólogos Sitkin, Burt e Camerer, confiar é um “estado psicológico que se caracteriza pela intenção de aceitar a vulnerabilidade, com base em crenças otimistas a respeito das intenções (ou do comportamento) do outro”.
Este artigo não tem nenhuma pretensão de ser um tratado exegético sobre a confiança. Por isso, vamos destrinchar essa definição para facilitar a compreensão do leitor.
Confiar é partilhar sentimentos, emoções, contingências, peripécias e verdades incidentais. É como partilhar uma parte de nossa essência e deixar que aquela pessoa administre a nossa privacidade.
Uma das maiores provas de amizade é quando partilhamos a um(a) amigo(a) um segredo, na certeza de que será bem guardado.
Sempre que confiamos um segredo, um comentário ou um serviço, esperamos reciprocidade daquela pessoa, de modo a manter o segredo ou fazer idoneamente o serviço que lhe confiamos. Quando há um rompimento desta confiança tudo muda e a desconfiança se instala, gerando um sentimento de decepção.
Se entre amigos a confiança é um elemento importante, entre casais é imprescindível, visto que, um “amor” sem confiança é como uma flor sem perfume. É pouco provável haver confiança em um relacionamento cercado por deslizes, dúvidas e promessas não cumpridas.
Aprendemos com nossos avós a máxima que diz “A confiança é como um vaso de cristal, uma vez quebrado, por mais que se conserte, sempre haverá marcas.
Ao longo da vida, descobri que na confiabilidade das pessoas existe uma graduação do limite de confiar. Tenho um amigo e uma amiga tagarelas por natureza, e apesar de nutrir muito afeto e carinho por essas pessoas, sempre fiz certas reservas de confiabilidade dado as suas “verborreias” – uso excessivo de palavras para expressar alguma coisa ou sentimento. Entendo que quem muito fala perde o controle e a conveniência do que pode dizer.
A (re)confiança é até possível, mas existem muitas barreiras a superar, pois assim como um cristal trincado, mesmo consertado, nunca mais terá o mesmo som.
Uma pessoa sente que pode confiar em outra quando constata que pode compartilhar com ela suas inseguranças, fragilidades, hesitações e/ou “filigranas éticos”. O desenvolvimento da confiança exige que alguém assuma o compromisso de se comportar com credibilidade, autocontrole e reserva.
Perder a confiança em alguém que queremos bem é angustiante, com alta probabilidade de não a ter de volta.
O que fazer para fortalecer a confiança em seus relacionamentos?
1. SER SINCERO, LEAL E TRANSPARENTE
Ser sincero, leal e transparente são condições importantes para uma pessoa ser confiável. Seja franco e verdadeiro em suas falas, mesmo que seja doloroso para seu interlocutor. A verdade é um elemento primordial para conseguir a confiança das pessoas. Não deturpe os fatos nem manipule as pessoas, pois esse é o modo mais fácil de perder a confiabilidade.
2 – CUMPRIR COMPROMISSOS, ACORDOS, PÁCTOS E TRATOS
Dificilmente as pessoas confiarão em alguém que falha no cumprimento de sua palavra. Uma promessa quebrada é muito difícil de ser consertada. Portanto, pense bem antes de prometer qualquer coisa e jamais faça isso quando estiver sob o efeito de fortes emoções. Imagine como é difícil para quem ficou na expectativa do cumprimento de sua palavra e terminou se frustrando.
Por outro lado, ninguém precisa contar os seus segredos e sentimentos só para construir confiança. A chave para ser confiável é, ao mesmo tempo, preservar a própria privacidade e deixar seus limites bem claros.
Lembre-se: se você julga que não será capaz de manter um segredo, é melhor não o ouvir.
3. ASSUMIR AS RESPONSABILIDADES POR SUAS AÇÕES
Todos nós devemos ser responsáveis pelas próprias ações. Quando se erra, deve-se assumir a responsabilidade do erro e buscar corrigir aquela intercorrência, nunca terceirizar a responsabilidade pelos erros cometidos. Ao assumir essa postura, terá muito mais controle sobre o que faz, e consequentemente passará mais confiança para as pessoas do seu relacionamento.
4. ACEITAR QUE TODOS NÓS TEMOS PONTOS A MELHORAR
Ninguém é perfeito. Sendo assim, todo ser humano tem pontos a melhorar. É natural que algumas vezes possamos nos desapontar por falta da confiabilidade das pessoas, inclusive as que nos são mais próximas. O ser humano está em constante processo de evolução, e essas experiências frustrantes nos permitem compreender e aprender, de forma mais efetiva, que não somos perfeitos.
5. APRENDER A PERDOAR
Ao colocar o princípio anterior em prática, você acabará chegando à conclusão que, por não sermos perfeitos, não poderemos atirar pedra a quem errou conosco. Ser flexível, compreender as fragilidades das pessoas e perdoar fará a diferença. Lembrando que existem situações de quebra de confiança que são realmente graves e ninguém é obrigado a manter em sua vida alguém que lhe causou dor. Por outro lado, guardar mágoas apenas lhe fará mal, deixe-as ir e se liberte.
6. SER HONESTO EM QUALQUER SITUAÇÃO
Por fim, procure ser honesto sempre, em qualquer situação. Se você adota a verdade como um valor em sua vida, a sua confiabilidade estará em franco crescimento. É preciso tomar cuidado em confundir honestidade com grosseria. Além disso, é perfeitamente possível ser verdadeiro mantendo a cordialidade. Lembre-se: a verdade já é forte por si só, por isso não necessita vir acompanhada de voz, gestos e expressões alteradas e/ou palavras duras.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com certeza você já ouviu a frase “Gentileza gera gentileza”. De igual modo, confiança gera confiança. Entretanto, é difícil confiar e ser confiável sem AUTOCONFIANÇA – a confiança que temos em nós mesmos e em nossas capacidades.
Quando você acredita em si mesmo, está aberto a novos aprendizados e, sobretudo, não tem medo de errar.
Ter autoconfiança é muito importante, seja na profissão, nos relacionamentos ou em qualquer outra situação, nada nos motivará mais do que a nossa convicção de que podemos ser ou fazer algo.
Algumas vezes, a falta de confiança é projetada no outro, mas, na verdade, vem de dentro. Por não termos consciência de nossas qualidades, talentos e até mesmo aparência física, acabamos nos sentindo ameaçados no relacionamento. A falta de confiança gera insegurança e, muitas vezes, dá margens às cenas de ciúmes — medo de perder ou receio que surja alguém mais interessante a qualquer momento e leve a pessoa amada.
Use as experiências vivenciais para adquirir mais confiança. Se alguma situação uma vez deu errado, confie que da próxima vez dará certo. A força da sua autoconfiança te ajudará.
Por isso, ponha a confiança em sua vida e siga em frente, firme com seus objetivos traçados. Seja confiante em todos os aspectos e em todos os seus sonhos.
Revisão de texto: Nilma Lima